sexta-feira, 4 de Abril de 2014 05:06h Carla Mariela

Deputado Estadual Inácio Franco não concorda com ampliação de presídio em Pará de Minas

Para ele, o problema maior são as famílias dos presos que migram para a cidade sem nenhuma estrutura.

No dia onze de fevereiro deste ano foi anunciado pelo até então governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB), um plano conhecido como Plano Mineiro de Humanização do Sistema Prisional. Conforme o anúncio, o sistema prisional mineiro receberia uma ampliação com a criação de 5,4 mil novas vagas para os detentos. Este investimento seria de cerca de R$ 171,6 milhões dos governos de Minas e Federal. Um dos presídios que foram contemplados com a ampliação é o da cidade de Pará de Minas. Mas, apesar deste presídio ter sido agraciado, o deputado estadual, Inácio Franco (PV), mesmo sendo da base do governo, não concorda com esta ampliação.

O parlamentar iniciou a entrevista contando que foi eleito Prefeito de Pará de Minas em 2000 e tomou posse em 1º de janeiro de 2001. Em março daquele ano ele recebeu a visita do então deputado estadual Antônio Júlio, que representava o município na época, e que é de Pará de Minas; que anunciou em visita que estaria levando para Pará de Minas uma grande obra.

De acordo com Inácio Franco, na época o deputado estadual, Antônio Júlio, era presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e o governador de Minas na época era o Itamar Franco. Para Inácio Franco a visita do deputado e do governador foi muito boa ainda mais para anunciar uma grande obra para Pará de Minas. Porém, Inácio Franco disse que apesar de considerar esta visita importante, ele logo em seguida questionou ao deputado que grande obra seria essa que estaria levando para Pará de Minas. O deputado estadual, Antônio Júlio, respondeu que estaria levando uma penitenciária para o município. Nesse sentido Inácio Franco afirmou que ficou abalado com esta notícia e de imediato ele declarou que era contra, uma vez que Pará de Minas não queria uma penitenciária.

Desrespeito
Inácio Franco informou que a partir deste momento sentiu que o município de Pará de Minas foi desrespeitado porque construiu-se na cidade uma grande unidade prisional que é conhecida hoje como Pio Canedo. “Foi um desrespeito ao município, porque não tinha uma licença ambiental para a construção, não tinha um alvará para a construção e na época chamei a população de Pará de Minas para irmos para as ruas para manifestar ao contrário. E fomos atendidos, tenho tudo isso registrado. Foram mais de 10 mil pessoas manifestando pelas ruas”, garante.

Franco acrescentou que a penitenciária “Pio Canedo” foi construída para acomodar 400 detentos, e que hoje ela acomoda 850. Para Franco, este até que não foi o grande problema, para ele, o problema maior foi o que houve após esta construção. Ele explicou que após a construção, as famílias destes detentos mudaram para o município. Dos 850 que estão presos na Pio Canedo, aproximadamente cem são de Pará de Minas. 750 são detentos de fora que estão presos em Pará de Minas. “Acontece que as famílias destes presos mudam, migram para Pará de Minas. Lá temos presos de Unaí, Governador Valadares, Juiz de Fora, Uberlândia, Uberaba. São pessoas que mudam porque têm parentes presos lá. Não estou discriminando as famílias, mas são pessoas, às vezes, sem estrutura, que mudam sem emprego, sem às vezes até lugar de moradia. Dessa forma vão se drogar, se prostituir, roubar, matar, enfim, vão cometer delitos. Se olhar os índices a partir de 2003 e 2004, quando começou a superlotação da Pio Canedo em comparação aos dias atuais, o índice de crescimento de violência no município é assustador”, enfatizou.

Ainda segundo Franco, não é só o problema das famílias estarem caindo na prostituição e nas drogas que o preocupa. Mas, também, a questão da educação, pois a cidade precisa construir mais escolas porque está vindo mais pessoas para o município. Com a área da saúde pública não é diferente, Franco disse que são mais pessoas que estão chegando à cidade e que precisam deste serviço. “Este é o problema. Sou contrário a estas famílias que migram para os municípios. Sou um deputado do Partido Verde, da base do governo, apoiei Aécio Neves, apoiei o governo de Anastasia. Mas, sou contrário a esta situação. Eu acho que o Estado deve rever estas construções dessas grandes unidades prisionais nos municípios, é o caso de Divinópolis, Pará de Minas. Nós temos é que ter pequenas unidades prisionais para acomodar os presos dos municípios, no máximo da comarca”, assegurou.

Revisão estratégica
Sobre o código penal, o deputado Inácio Franco declarou que deve ser feita uma mudança neste código, porque às vezes uma pessoa de Divinópolis vai até Uberlândia e comete um crime e este tem que responder o crime em Uberlândia. Para Franco isso é errado. “Temos que mudar isso, porque ele pode até ser julgado lá, mas ele tem que cumprir a pena onde que está a família para evitar este problema de migração da família sem estrutura nenhuma. O Estado deveria construir pequenas unidades prisionais de acordo com a população de cada município para acomodar os presos do município. Se o preso é de Divinópolis quem tem que arcar com isso é Divinópolis, se é de Pará de Minas quem tem que arcar é Pará de Minas”, salientou.


O deputado finalizou questionando que já existem, hoje, grandes presídios em Ribeirão das Neves. Então, porque não concentrar tudo nesta cidade? No caso de Divinópolis, por exemplo, ele percebeu com a sua vinda à cidade que através de manifestação das pessoas, elas não querem esta ampliação. Para ele, o estado deve respeitar este posicionamento dos cidadãos. Além disso, ele também deixou claro que é necessário que o prefeito esteja contrário a esta situação. “Aqui em Divinópolis nós temos outros deputados também, grandes lideranças, e é preciso unir as forças, ir ao governo, mostrar para o governo que a forma correta não é essa. Em Divinópolis já existe um centro prisional que tenho certeza que o que existe aqui acomoda os presos da cidade, não há necessidade de se criar uma nova penitenciária. A mesma coisa em Pará de Minas”, concluiu.

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