quinta-feira, 9 de Outubro de 2014 06:17h Atualizado em 9 de Outubro de 2014 às 06:41h. Jotha Lee

Deputados divinopolitanos precisaram de mais de 70 mil votos extras para garantir eleição

Jaime Martins e Domingos Sávio foram “puxados” pelos votos dados à legenda ou a outros candidatos da coligação

Divinópolis continuará com a mesma representatividade na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa na próxima legislatura, que começa em janeiro do ano que vem. Jaime Martins (PSD) e Domingos Sávio (PSDB) foram reeleitos para a Câmara Federal, enquanto Fabiano Tolentino garantiu seu segundo mandato estadual. Para garantir a reeleição, os dois representantes divinopolitanos no Congresso precisaram contar com votos da legenda e dados a outros candidatos, pois apenas com votação própria, não conseguiriam se eleger.

De acordo com um balanço feito pela Câmara, apenas 36 dos 513 deputados federais que vão compor a próxima legislatura (2015-2018) alcançaram o quociente eleitoral com seus próprios votos. Desses, onze são parentes de políticos tradicionais em seus estados. Os outros 477 eleitos foram “puxados” por votos dados à legenda ou a outros candidatos de seu partido ou coligação.
Para se eleger deputado federal por Minas Gerais esse ano foram necessários 190.918 votos e apenas cinco candidatos, dos 53 federais eleitos pelo Estado, conseguiram ultrapassar essa marca. Jaime Martins, com 158.907 votos, precisou de uma ajuda de 32.011 votos da legenda para garantir a reeleição. Já Domingos Sávio, com votação de 143.901, precisou de 47.017 votos da legenda, para atingir o quociente eleitoral. Somados, os dois divinopolitanos precisaram de mais 79.028 votos, além da própria votação.

VOTAÇÃO EXTERNA
Se só os votos forem levados em consideração, além de Divinópolis, Jaime Martins e Domingos Sávio também vão representar vários outros municípios do Estado. O tucano foi votado em outras 639 cidades, com maior destaque para Belo Horizonte, onde obteve 8.631 votos. Jaime Martins teve votação em mais 406 municípios, com destaque para Nova Serrana, onde alcançou 16.649 votos.
Dos cinco deputados eleitos por Minas Gerais que atingiram a votação necessária para garantir a eleição sem ajuda da legenda, três são do PT, um do DEM e um do PSDB: Reginaldo Lopes (PT), com 310.226 votos, Rodrigo de Castro (PSDB), 292.848, Misael Varela (DEM), com 258.263, Odair Cunha (PT), 201.782 votos e Gabriel Guimarães (PT), com 200.014.

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QUANTO CUSTA UM FEDERAL                                                                                                                                                                                          
O salário mensal de um deputado federal é de R$ 26.723,13. Entretanto, essa não é a maior fonte de renda de um parlamentar no Congresso. Cada deputado tem direito à Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar. O valor depende do estado de cada deputado, devido ao preço da passagem aérea. Para os mineiros, a cota fica em torno de R$ 60 mil mensais.
A cota pode ser usada para despesas com passagens aéreas, telefonia e serviços postais, bem como manutenção de escritórios de apoio à atividade parlamentar, compreendendo gastos com locação de imóveis, condomínio, IPTU, serviços de energia elétrica, água e esgoto, locação de móveis e equipamentos, material de escritório e informática, acesso à internet, TV a cabo e assinatura de publicações. Entre outras despesas, o deputado ainda pode consumir R$ 4,5 mil mensais em combustíveis.
O deputado ainda tem direito a R$ 78 mil mensais para contratação de pessoal e cada um pode contratar até 25 secretários parlamentares, cuja lotação pode ser no gabinete ou no estado do deputado. Esses cargos são comissionados e de livre nomeação. A remuneração de cada secretário deve ficar entre R$ 845 e R$ 12.940.
Há ainda o auxílio-moradia, no valor de R$ 3,8 mil, concedido aos parlamentares que não moram em residências funcionais em Brasília. O deputado tem todas as despesas hospitalares relativas a internação em qualquer hospital do país integralmente ressarcidas, caso não haja atendimento no serviço médico da Câmara.
Além disso, se quiser, ele poderá aderir ao plano de saúde dos funcionários da Câmara, pagando R$ 249 por mês, com direito a rede conveniada nacional e a filhos e cônjuge como dependentes. Caso não seja reeleito, continuará fazendo parte do plano de saúde, mas sua mensalidade passará para R$ 868,02.
A lei do Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC - Lei 9.506/97) prevê aposentadoria com proventos proporcionais ao tempo de mandato. Nesse caso, os proventos serão calculados à razão de 1/35 (um trinta e cinco avos) por ano de mandato. No entanto, é obrigatório preencher os requisitos de 35 anos de contribuição e 60 anos de idade.
Os deputados federais ainda têm direito a cotas gráficas destinadas à divulgação da atividade parlamentar: cada parlamentar tem direito à cota de reprodução de documentos (até o limite de 120 mil cópias por semestre, em preto e branco, no formato A4), à papelaria oficial, como papel timbrado e pasta personalizada (até 10 mil por semestre, em policromia) e material de expediente, como bloco de rascunho e envelope.

Veja as cinco cidades, além de Divinópolis, nas quais Jaime Martins e Domingos Sávio obtiveram maior votação
JAIME MARTINS
CIDADE VOTAÇÃO
Nova Serrana 16.649
Formiga 13.956
Arcos 8.154
Carmo do Cajuru 5.026
Porto Firme 3.957


DOMINGOS SÁVIO
CIDADE VOTAÇÃO
Belo Horizonte 8.631
São João del-Rei 7.010
Taiobeiras 5.744
Coronel Fabriciano 4.360
Oliveira 4.244
Fonte: TSE   

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