quarta-feira, 15 de Julho de 2015 13:50h

Deputados estaduais querem que Dilma garanta fábrica de amônia

Petrobras decidiu interromper a obra em Uberaba, prejudicando também planos mineiros para construção de gasoduto

Minas Gerais pode perder sua melhor oportunidade de desenvolvimento econômico, desde a instalação da montadora de automóveis Fiat, na década de 70, e só a presidente Dilma Rousseff pode evitar esse desastre. Essa conclusão, durante reunião realizada nesta terça-feira (14/7/15) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), levou os deputados mineiros a criar um grupo suprapartidário para buscar, sob a liderança do governador Fernando Pimentel, uma decisão política da presidente da República que garanta a construção, em Uberaba (Triângulo Mineiro), de um grande complexo de produção de amônia e derivados, obra que foi paralisada pela Petrobras.

A reunião da ALMG reuniu três comissões parlamentares: de Turismo, Indústria, Comércio e Cooperativismo; de Política Agropecuária e Agroindustrial; e de Minas e Energia. Também participaram o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir de Araújo Rôso; o presidente da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), Eduardo Ferreira; além de representantes da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), prefeitos e vereadores.

A amônia e seus derivados, como a ureia, são fertilizantes importados em grande volume pelo setor agrícola brasileiro. De acordo com o prefeito de Uberaba, o ex-deputado Paulo Piau, o Brasil importa hoje quase 70% do fertilizante usado no País. A fábrica de Uberaba poderia reverter esse quadro, mas a obra foi paralisada pela Petrobras, em decorrência da crise que vive a empresa. “A Petrobras disse que a obra está em hibernação”, afirmou Piau, apesar de já terem sido investidos cerca de R$ 1,2 bilhão no projeto, principalmente com equipamentos. Na verdade, a Petrobras decidiu reverter os investimentos nessa área de fertilizantes e outras e vender até mesmo a fábrica de amônia de Três Lagoas (Mato Grosso do Sul), que já está 80% concluída.

Sem a fábrica de Uberaba, o Governo do Estado considera inviável outro grande projeto que vinha entusiasmando prefeitos das regiões Central, Centro-Oeste e Triângulo: o gasoduto ligando Queluzito (Região Central) a Uberaba. A expectativa era de que 50% do volume de gás transportado seria consumido pela unidade de produção de amônia. “O investimento do gasoduto só se viabiliza com a planta de amônia”, ressaltou o secretário Altamir Rôso. O presidente da Gasmig, Eduardo Ferreira, garantiu que o projeto de implantação do gasoduto está em dia e não é a causa da decisão da Petrobras de interromper seus investimentos. “O gasoduto é um empreendimento que muda o patamar de desenvolvimento de nossas cidades”, afirmou o prefeito de Divinópolis (Centro-Oeste), Vladimir Azevedo, alarmado com o possível fim do projeto.

Para tentar reverter a decisão da Petrobras, deputados das três comissões aprovaram um requerimento para criação de um grupo de trabalho integrado também por representantes empresariais, do Governo do Estado e dos municípios interessados. A ideia, além de buscar soluções para a manutenção dos investimentos, é buscar a liderança do governador Fernando Pimentel no movimento, que incluirá o agendamento de audiências com ministros e com a presidente da República.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.