Dirceu critica política de segurança pública de Alckmin

 O ex-ministro José Dirceu (PT), condenado no caso do mensalão por corrupção ativa e formação de quadrilha, criticou a política de segurança pública adotada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Estado de São Paulo. Em nota escrita em seu blog pessoal, Dirceu afirma que o próprio governador reconheceu o "fracasso" desse campo de sua gestão e fez "alterações na área", em referência à troca do secretário de Segurança Pública ocorrido na manhã desta quinta-feira - Antonio Ferreira Pinto deixou o cargo, assumido pelo ex-procurador geral Fernando Grella Vieira.

"Demorou seis meses e custou o assassinato de quase 100 PMs, além de dezenas de civis, até o governador tucano Geraldo Alckmin finalmente reconhecer o fracasso de sua política de segurança pública", escreveu Dirceu em seu blog.

O ex-ministro afirma, no entanto, que para melhorar efetivamente a segurança pública não basta trocar o comando da secretaria. "É pouco, só troca de nomes não resolve nada, ainda, mas anuncia-se que o governo paulista e seu novo chefe da Segurança vão trocar também os comandos das polícias civil e militar", criticou Dirceu. "O fundamental não é trocar nomes, nem comandos, insisto é principalmente mudar a política em vigor no setor", argumentou.

Para Dirceu, o erro da atual gestão é o tipo de confronto promovido pelo Estado com o crime organizado. "(Tem que) cessar essa da lei do talião, do olho por olho, dente por dente, em que se digladiam há meses organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e esquadrões da morte, grupos paramilitares, milícias e demais facções criminosas incrustradas nas polícias paulistas", pregou.

Dirceu defendeu que, devido às parcerias para a área de segurança pública entre o governo do Estado e o Federal, anunciadas há duas semana, o novo secretário terá as condições de "mudar" essa política. "As condições para a mudança, felizmente, estão criadas pelas parcerias estabelecidas há duas semanas com o governo federal. Parcerias que o governo Alckmin demorou seis meses para aceitar, mas que seu novo chefe de polícia se apressou em anunciar que serão mantidas, bem como o 'bom' relacionamento com a União", avaliou Dirceu. 

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