quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014 05:36h Atualizado em 27 de Fevereiro de 2014 às 05:41h. Carla Mariela

Discutida agenda estratégica de agricultura em Divinópolis

Secretário estadual da pastaesteve em encontro do setor na cidade e participou da elaboração do documento que norteia as ações até 2030

O município de Divinópolis sediou ontem, o Encontro Regional da Agricultura Mineira, em parceria com o Governo de Minas Gerais. O evento contou com a presença do secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Silva e demais autoridades e ocorreu às 14h, no anfiteatro do Campus CentroOeste Dona Lindu da Universidade Federal de São João Del-Rei.
O principal objetivo do encontro foi à elaboração de uma agenda estratégica para nortear as políticas públicas do setor da agricultura até 2030. Para direcionar as discussões para a construção da agenda, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento elaborou um documento que reúne os cinco principais desafios para a humanidade nas próximas décadas, e que estão diretamente relacionados com a agricultura: pobreza, produção de alimentos, meio ambiente, recursos hídricos e energia. Estas questões para a Secretaria estão entre os maiores desafios da humanidade.
Neste documento, além de conter informações sobre a importância da agricultura em fornecer respostas para estes desafios, havia também as questões que foram colocadas em debate, como por exemplo: Como a agricultura pode contribuir para que a população tenha mais alimento. Como pode contribuir para a redução da pobreza nos meios rural e urbano. Como o setor pode utilizar os recursos naturais de forma mais racional e, ainda, contribuir para a produção de energia.
O secretário ainda informou que está ocorrendo um estudo da inclusão de mais dois eixos na construção da agenda estratégica. Um desses eixos é a educação e o outro eixo é o da segurança. “O campo precisa ser um espaço de vivência, com qualidade de vida e segurança. O documento prévio elaborado com todos estes eixos baliza as discussões nos encontros regionais.Estamos ouvindoas lideranças regionais, técnicos, produtores, agricultores familiares, cooperativas, sindicatos e associações, instituições públicas de ensino superior e representantes dos povos das comunidades tradicionais. A proposta é que todos estes setores discutam esses eixos apresentem estratégias para que a agricultura responda aos desafios apresentados, levando em consideração as peculiaridades, demandas e necessidades de cada região”, declarou.
Dentre as várias ações já realizadas, o secretário destacou o programa Minas Leite. O público prioritário deste programa são os agricultores familiares com produção média de até 200 litros de leite, e que têm na atividade leiteira a sua principal atividade econômica. O programa é voltado para a melhoria na gestão da atividade.
Ele citou também o Certifica Minas Café, que é um programa voltado para a certificação de propriedades cafeeiras. O programa estimula os produtores a fazer uma gestão mais eficiente da propriedade e a adotar boas práticas agrícolas em todos os estágios da produção, atendendo às normas ambientais e trabalhistas, reconhecidas internacionalmente. “Uma certificadora de reconhecimento internacional faz uma auditoria final e concede a certificação às propriedades aprovadas. Na região CentroOeste, 200 propriedades cafeeiras participam do programa”, destacou.
Sobre a expectativa para o futuro, segundo os estudos da FAO, órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentação, o Brasil vai contribuir com 40% para o atendimento da demanda mundial de alimentos nas próximas duas décadas. Ou seja, existe uma grande missão em produzir alimentos não só para atender a segurança alimentar e nutricional da população, mas também para ter um excedente para disponibilizar para os outros países. E Minas Gerais assume papel preponderante nesta empreitada. O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio mineiro responde por aproximadamente 14% do PIB do agronegócio nacional, totalizando um volume de R$ 149,6 bilhões.
Ao todo, serão realizados sete encontros para tratar sobre a agenda estratégica no Estado. Conforme o José Silva sete cidades foram escolhidas em Minas, todas elas tem uma importante representação econômica, política.“Esperamos que tenhamos sugestões destes municípios em prol da agricultura. Vamos inserir ferramentas e metodologias modernas de gestão, planejamento estratégico que não é comum na agricultura e também antecipar os problemas e desafios que a agricultura poderá enfrentar e através do conhecimento e articulações políticas antecipamos estes problemas”, frisou.
Ontem, quem deu suporteao diálogo sobre o assunto durante a reunião foi o secretário municipal de Agronegócios Paulo Marius dentre outros representantes. Para o secretário do município, várias regionais debateram em suas respectivas regiões sobre a pobreza, produção de alimentos, meio ambiente, recursos hídricos e energia e levaram propostas para serem apresentadas no encontro. “O objetivo destas propostas é ter um norte do que vamos fazer. Dentre as propostas estão mais financiamento da agricultura familiar, mais segurança para zona rural, no meio ambiente as leis serem mais flexíveis e a questão da água que precisamos para gerar energia”, explicou.
Além de membros da Secretaria Municipal de Agronegócios (Semag) o evento reuniu pessoas ligadas ao setor agropecuário; presidentes dos sindicatos dos trabalhadores e produtores rurais; associação da agricultura familiar; dentre outros. Um termo para a entrega de kits de feira livre para Divinópolis foi assinado pelo prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo (PSDB) e o secretário José Silva.

Após todos os encontros ocorrerem no Estado serão consolidadas as contribuições dadas em cada um destes em debate sobre o tema num documento estadual, que será lançado pelo Governo de Minas, no final de março. A perspectiva do secretário José Silva é que os municípios estejam alinhados ao Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI), que contempla ações estratégicas de governo, num período de longo prazo até 2030.

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