quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015 08:39h Atualizado em 30 de Dezembro de 2015 às 08:55h. Jotha Lee

Domingos Sávio: “2015 foi o ano do diagnóstico e 2016 será o ano da cura”

O presidente do Diretório Estadual do PSDB, deputado Domingos Sávio, no seu segundo mandato como federal, admite que 2016 será um ano muito difícil e no seu entendimento a solução para os problemas nacionais passa pelo fim da crise política

Um dos destaques do PSDB no Congresso, o deputado com base eleitoral em Divinópolis, defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff e o afastamento imediato de Eduardo Cunha (PMDB) da presidência da Câmara. Nessa entrevista concedida ao Gazeta do Oeste ele fala sobre todos esses problemas, afirma que sua candidatura natural é a deputado federal, mas não afasta a hipótese de disputar o governo do Estado.

 

Como o senhor avalia seu desempenho em 2015?
Em cada mandato a gente tem que ser humilde e aceitar que tem muito a aprender. Esse sexto mandato na vida pública [vereador, prefeito, deputado estadual e deputado federal], sem dúvida tem sido extremamente rico em oportunidades de servir o meu país, porque as dificuldades que nós enfrentamos em 2015, seguramente estarão entrando para a história do Brasil como um dos anos mais terríveis da política brasileira. Foi o ano da revelação. Foi o ano em que caiu a máscara do governo, do PT e da presidente Dilma. Um governo que foi eleito pregando uma coisa para os brasileiros e em 2015 os brasileiros perceberam que foram enganados, da forma mais triste, vendo o grau de corrupção que está mergulhado o Brasil, vendo o desemprego aumentar, a inflação subir, e nós, representantes do povo, temos que ter firmeza para lutar para superar todos esses problemas e é o que eu fiz durante todo esse ano, sendo um deputado combativo, presente na tribuna, presente nas comissões da Casa, presente nas CPIs, com coragem, com independência, para que possamos achar um caminho melhor para o Brasil, enfrentando não só os graves problemas de corrupção que existem no Executivo, mas também combatendo os erros que têm dentro do Legislativo e até do Judiciário brasileiro.  Na Câmara, desde que saíram as denúncias de envolvimento de Eduardo Cunha com a Operação Lava Jato, eu combati a presença desse senhor que está fazendo tão mal à imagem do Legislativo e, pior, está conduzindo o Legislativo para se beneficiar e tentar encobrir os crimes dos quais ele é acusado e impedindo uma investigação independente no próprio Conselho de Ética da Câmara.
 

 

O senhor teme que o confronto político pode levar o Brasil a uma crise institucional?
Temos que preservar em primeiro lugar o funcionamento das instituições com independência e para isso não podemos deixar que seus chefes fiquem impunes. A própria presidente da República tem que responder pelo crime de responsabilidade fiscal de ter feito as chamadas ‘pedaladas’, que não é algo tão simples e até motivo de brincadeira como se fosse andar de bicicleta. Na verdade o que ela cometeu foi o desvio de dinheiro de bancos públicos, sem autorização legal. A Constituição é clara e proíbe o governo de tomar, sequer, empréstimos nos bancos públicos. Essa é uma regra constitucional e o governo desrespeitou a Constituição e tomou mais de R$ 57 bilhões. Não foi um troquinho e não foi para pagar Bolsa-Família, como o governo tenta mais uma vez mentir para o povo brasileiro. A maior parte desse dinheiro, cerca de R$ 30 bilhões, foi no BNDES, para beneficiar empreiteiras e mega empresários, entre eles Eike Batista, o senhor Bumlai, amigo do Lula, que pegou alguns milhões para uma empresa quebrada e que nunca pagou e nem vai pagar ao BNDES. Então, esses bandidos roubaram dinheiro do povo brasileiro. Mas, ao mesmo tempo, não podem ficar impunes o presidente da Câmara e do Senado [Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respectivamente, ambos do PMDB]. As instituições têm que funcionar e o funcionamento delas significa que a Justiça tem que ser para todos. O Ministério Público e a Polícia Federal estão sendo bons exemplos.
 

 

O senhor defende o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara?
Se depender de mim ele não fica mais nenhum dia na presidência, porque eu entendo que ele não tem mais autoridade moral, uma vez que as acusações contra ele são gravíssimas e ele teve oportunidade de se defender e não conseguiu provar que não tenha de fato envolvimento com as acusações de corrupção e desvio de dinheiro proveniente da corrupção para contas na Suíça. Então eu acredito que ele deva se afastar. Mas nós não podemos retirá-lo do mandato, a não ser pelo caminho legal de um processo que ele tem interferido. Por isso, eu fui pessoalmente à Procuradoria da República, representando o PSDB, e junto com outros partidos de oposição, assinamos um pedido ao procurador para que ele tome providências para retirar o senhor Eduardo Cunha da presidência da Câmara e ele não interfira nas investigações. O procurador atendeu ao nosso pedido e já entrou no Supremo [STF] com uma ação pedindo o afastamento de Cunha.

 

 

A unanimidade em torno do seu nome para ocupar a presidência do PSDB estadual significa que o senhor é o candidato natural do partido ao governo do Estado?
 

O PSDB hoje vive um momento bom. Nós viemos de uma derrota eleitoral, depois de perdermos a eleição no governo de Minas e no governo federal, mas essa derrota foi seguida de um momento em que o povo está percebendo que a escolha entre Dilma e Aécio não foi a escolha mais feliz e com isso o PT tem caído em desgraça e o PSDB passou a ser visto como alternativa para o futuro. Da mesma forma, ao perder o governo de Minas, nós deixamos de ser vidraça, com críticas permanentes feitas pelos petistas e, com um ano de governo, o governador Pimentel parece que não começou a governar até hoje. Não conseguiu fazer absolutamente nada, continua mentindo e só prometendo sem cumprir. Vou citar um exemplo daqui: o Pimentel, que esteve aqui [em Divinópolis] na campanha e prometeu que terminaria o Hospital Público e que ajudaria a recuperar o Hospital São João de Deus. Já eleito, voltou e reafirmou as promessas. Agora, com quase um ano de mandato, ele retorna e promete R$ 17 milhões para o São João de Deus. Não mandou nenhum centavo. O ano está acabando, o São João em gravíssima dificuldade, correndo risco de parar a qualquer momento, e o senhor Pimentel brincando com o povo de Divinópolis e mentindo dizendo que está mandando dinheiro e não mandou. Da mesma forma prometeu que mandaria R$ 10 milhões para acelerar as obras do hospital público e mandou apenas R$ 2 milhões. Então não mostra seriedade o governo do PT, o que favorece ao PSDB em buscar de ocupar o seu espaço na política do Estado. Mas a minha candidatura natural é a deputado federal e eu não vou usar exemplos de outros que vivem dizendo que são candidatos e apenas usam isso como promoção. Ninguém é candidato a governador pela vontade ou vaidade pessoal. Candidatura a governador deve ser fruto de uma vontade muito mais da própria população e do partido que você representa do que do próprio candidato. O candidato tem que ser praticamente chamado a ocupar aquele espaço e isso eu acredito que só o tempo dirá. É claro que se algum dia for me dada essa honra de poder representar nossa gente numa disputa majoritária eu não vou fugir da minha responsabilidade, mas hoje eu não me coloco como pré-candidato a nenhum cargo majoritário, porque acho que tenho que ter a humildade de continuar meu trabalho como deputado federal.

 

Essa unanimidade do PSDB em torno do seu nome não é um indicativo de que o senhor pode ser o candidato natural do partido?
 

É verdade. A gente vive um momento de muita união dentro do partido em Minas. Tenho a confiança e a amizade do senador Aécio Neves e do Senador Anastasia e de todos os filiados com quem eu convivo no Estado. Tenho uma relação muito fraterna com todos os deputados estaduais e federais do partido, mas nem por isso eu me permito a colocar de maneira antecipada meu nome como candidato a um cargo majoritário. Nesse momento preciso preservar o espaço natural que eu tenho de deputado federal e trabalhar bem para que havendo um consenso, eu esteja preparado para uma candidatura majoritária. Tem que ser com essa prudência. Posso dizer que não tenho pressa em construir esse projeto, mas não vou fugir da raia se a oportunidade me for oferecida.

 

Os governos federal e estadual lançaram mão do aumento de impostos na tentativa de fazer dinheiro. O senhor acha que essa é a solução?
 

Com certeza não. Nós somos o país onde a população mais paga imposto na América Latina e um dos que mais arrecada da população no planeta. E o dinheiro público tem sido mal utilizado. A melhor foram de encontrar o equilíbrio das contas públicas, é melhorar a gestão pública. Aumentar imposto diminui a competitividade da economia, fecha mais postos de trabalho e gera mais pobreza e não riqueza. E mais uma vez o PT está traindo aquilo que prometeu em sua campanha. O Pimentel usou em sua campanha como um dos principais argumentos acusar o governo Aécio Neves de cobrar muito imposto. E falou no último debate que diminuiria o ICMS da energia elétrica. E todo mundo vai pagar agora em janeiro no comércio, nos serviços, uma conta de energia mais cara, porque o governador Pimentel aumentou de 18% para 25% o ICMS da energia elétrica. Da mesma forma, a Dilma. Prometeu na campanha que não recriaria a CPMF, que era contra esse imposto, e agora manda para o Congresso Nacional projeto de lei e está fazendo toda pressão para trazer de volta esse imposto. Esse tipo de política desmoraliza o país e enfraquece a economia.
 

 

Qual a perspectiva o senhor tem para 2016?
 

Acredito que foi feito o diagnóstico da doença, a perspectiva tem de ser de lutar pela cura. Acho que 2015 foi o ano do diagnóstico e 2016 terá que ser e será um ano de grandes desafios, de muitas dificuldades, mas um ano em que teremos que caminhar na direção de resolver os nossos problemas. E para resolver, tem que haver austeridade.

 


Créditos: Jotha Lee

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