segunda-feira, 7 de Dezembro de 2015 10:30h

Em debate na ALMG, especialistas defendem articulação entre academia e empresa

Inovação tecnológica pode contribuir para a retomada do desenvolvimento econômico do País

No quarto e último painel do Ciclo de Debates Retomada do Desenvolvimento Econômico, realizado nesta sexta-feira (4/12/15) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), os palestrantes defenderam maior aproximação entre universidades e empresas, com a participação do governo, por meio de órgãos de fomento à pesquisa. O painel abordou empreendedorismo, inovação e tecnologia.

Na opinião do diretor executivo do Centro de Inovação e Tecnologia (Cetec), José Policarpo Gonçalves de Abreu, é fundamental “consolidar uma ponte de entendimento” entre os dois setores – indústrias e instituições de ensino e pesquisa. Segundo ele, o Brasil é o 13º produtor mundial de boa ciência, mas ocupa a 70ª colocação em inovação “por causa dessa dicotomia entre universidade e empresa”.

O pesquisador destacou que, no Brasil, 90% dos doutores estão na universidade, enquanto nos EUA 80% estão na indústria. “É preciso aproximar o mundo científico do mundo industrial, e o produto que a universidade tem para oferecer é conhecimento”, salientou, acrescentando que “é um absurdo colocar uma tese ou uma patente na prateleira”.

Heber Pereira Neves, gerente de inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), observou que na articulação entre governo, empresa e universidade, surgem outros atores da sociedade civil e, nessa interação, há um fomento ao empreendedorismo e à inovação e tecnologia.

Ele explicou que, no mundo, existem três modelos que mapeiam essa interação. No Brasil e na América Latina, a relação entre os três segmentos é fraca. Nos países asiáticos, como Coreia do Sul e Cingapura, predomina o modelo conhecido como "catching up", em que é maior a relação entre universidade e empresa. No terceiro modelo, a interação é maior entre os três setores. Esse modelo, diz ele, é o que predomina nos Estados Unidos e na Europa. Na avaliação de Neves, em Minas Gerais se observa uma boa articulação entre o governo, as instituições acadêmicas e as lideranças empresariais, por meio da Federação das Indústrias do Estado (Fiemg).

A universidade, hoje, segundo ele, não está mais apenas preocupada com ensino, mas também com pesquisa e extensão, além de ser mais empreendedora e preocupada em transferir conhecimento e tecnologia. Contudo, ele acredita que é necessário investir mais em gestão. “A Fapemig tem boa relação com as empresas, apoiamos também incubadoras de negócios e núcleos de formação tecnológica. Temos bons projetos para desenvolvimento de produtos, mas é preciso investir em gestão”, disse.

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