terça-feira, 10 de Dezembro de 2013 03:44h Carla Mariela

Entrevista com Edimar Máximo

“É difícil votar o plano diretor neste ano, porque a lei é complexa. Vamos mexer com a estrutura do município durante dez anos”

1) Qual o balanço que você faz do seu mandato neste ano de 2013?
Tudo é muito recente e novo. Estou no primeiro mandato e tudo é diferente do que estou acostumado a vivenciar. Tenho procurado fazer um bom trabalho na área da saúde, inclusive, há uma assistente social no meu gabinete que tem me dado um suporte muito bom, quanto ao encaminhamento de consultas. Eu entendo que o vereador é para legislar, fazer lei, fiscalizar o município. Mas, eu aprendo que aquele que sabe fazer o bem e não faz, está cometendo falhas. Mas, tenho procurado fazer o meu melhor, dar o máximo pelos cidadãos. É claro que não consigo atender todas as demandas, todas as pessoas que passam no gabinete. Mas, eu creio que uma grande maioria eu já consegui ajudar resolver os problemas, principalmente na área da saúde. No que tange a questão de calçamentos, consegui a viabilização de calçamentos por meio da prefeitura. O ano de 2014 acredito que será um ano mais tranquilo porque esse ano foram muitos projetos polêmicos, o poder público municipal está com poucos recursos, hoje sabemos que 99% dos municípios brasileiros estão passando dificuldade, passando por problemas financeiros e sabemos disso e estamos tentando arrumar uma forma de fazer um paliativo tentando estruturar algumas obras em parceria com a comunidade e com a prefeitura. Temos conseguido.

2) Qual a sua opinião em relação aos projetos mais debatidos na casa, como por exemplo, o crédito suplementar no montante de aproximadamente R$22 milhões de autoria do Poder Executivo e a lei que poderá ser protocolada, EM 056/2013, sobre a extinção dos cargos de auxiliar de serviço na prefeitura?
O projeto de lei de aproximadamente R$ 22 milhões eu fiquei sem entender porque foi um dia que eu mais ouvi dentro da câmara a palavra coerência. E eu perdi o sentido do que é coerência. Alguém erra em não usar aquele dinheiro no tempo certo. Depois o legislativo quer errar de novo não permitindo mudar o destino daquele dinheiro para poder usar no ano seguinte. Essa foi uma das minhas indagações. Se o Poder Executivo errou não usando o dinheiro no tempo certo, a informação que tivemos foi que se não aprovasse o projeto perderia aquele dinheiro, o dinheiro voltaria para os cofres dos governos: estadual e federal. Pensando pelos momentos que estamos passando de dificuldade, eu votei favorável ao projeto e aí sim eu acho que é coerente. Coerente é não perder aquele dinheiro, é trazer o dinheiro de volta para que possa ser usado para o bem da comunidade.
Em relação ao projeto EM 056/2013, sobre a extinção dos cargos de auxiliar de serviço na prefeitura, tivemos uma pequena explicação. Ele ainda não chegou a casa, não conheço a sua totalidade. Quero conhecer melhor para da a minha opinião.

3) Sobre audiências públicas que ocorreram ao longo do ano, sobre assuntos importantes, como Copasa, terceirização do hospital público por meio de Organizações Sociais (OS), e sobre a MG 050 e Concessionária Nascentes. Qual a importância de se debater estes temas no legislativo?
A audiência pública da Copasa eu fiquei com um sentimento de frustração porque os representantes da companhia simplesmente convidaram para irmos à Funedi/UEMG, mas já estava tudo definido o que ia acontecer. Já tinha definido que eles iriam terceirizar ou quarteirizar a mão de obra. Segundo relatos eles lutaram muito tempo para conseguir ter o tratamento do esgoto. Hoje eles têm o tratamento do esgoto e vão quarteirizar. Fico triste porque perdi tempo de ir lá. Essa terceirização do esgoto que o município fez para a Copasa eu acho que foi um erro.
Sobre a terceirização do hospital público por meio de OS eu sou favorável à terceirização. Claro que tudo tem que ter um estudo. Eu vejo que a terceirização é uma forma viável porque se o município for assumir a responsabilidade, este não terá condição de pagar. Como que a prefeitura vai conseguir arcar com esta responsabilidade de colocar o hospital público funcionando. A terceirização é uma forma mais correta, por meio do consórcio intermunicipal. Temos 57 cidades que vão usufruir do hospital público. Acho que este consórcio cada uma pagaria uma parcela, aí sim formaria um caixa para gerir as despesas do órgão. Não precisamos esperar que o governo federal vá trazer dinheiro para a manutenção do HP que não vai. Não precisamos esperar também do governo estadual. Eles estão apenas ajudando na construção e nada além disso. Temos que tentar resolver os problemas por aqui mesmo.
O restaurante popular, o governo federal veio, montou o restaurante, ficou muito bom. Porém a manutenção dele não está sendo feita, os cofres municipais é que tem que arcar com a manutenção. Segundo as informações gira em torno de R$130, R$140 mil mensais para manter o local com as portas abertas. Sabemos que o restaurante popular não é para dar lucro. Mas, também ter uma despesa neste valor, o administrador é que sabe onde dói. Se falta dinheiro ele é penalizado. Não sou favorável que feche o restaurante, eu acho que tem que arrumar uma forma de conseguir manter ele aberto. De repente algum convênio com uma empresa porque o governo federal não manda recurso para manter o espaço.
Sobre a Nascentes das Gerais, eu sou contrário a cobrança do alto preço do pedágio, eu, por exemplo, sou penalizado com isso porque eu vou no Ceasa três vezes por semana e não fica barato. Pelos estudos que fizemos sabemos que este é o pedágio mais caro que existe. Esta questão de audiências públicas eu acho que não diz respeito muito ao vereador, não temos o poder de mudar nada. Tinha que ter os deputados fazendo estas viabilizações. Os vereadores devem participar e convocar a população.

4) Em relação ao plano diretor participativo. Qual a importância deste projeto para Divinópolis e como está o andamento e estudos deste na câmara municipal?
É difícil votar o plano diretor neste ano, porque a lei é complexa. Vamos mexer com a estrutura do município durante dez anos. Daqui a dez anos será feito um novo estudo. Temos que pensar bem, analisar, para não termos problemas futuros. Deve haver um consenso entre o Poder Executivo, a Funedi/UEMG que elaborou o plano e os vereadores, para que os parlamentares possam ter também a prerrogativa de colocar emendas caso necessário. Deve ser feito um estudo para que o município saia ganhando.

5) Dentre as indicações que você apresentou na câmara municipal pontue algumas:

As indicações que fiz foram muitas. Algumas foram atendidas e outras ainda estão em análise devido à situação financeira que o município se encontra. Foram solicitações de tapa buraco. Na avenida paraná próximo a igreja Santo Expedito fiz a indicação para a recomposição asfáltica, além disso, fiz o pedido de luminárias. Recentemente fizemos um pedido e aprovamos o projeto na câmara para a continuação do asfalto da rua Caratinga no bairro São João de Rei até a avenida Paraná. Foi uma permuta que feita com a empresa Liderança Empreendimentos. As coisas estão difíceis, mas estão caminhando. O nosso objetivo é estar na câmara municipal para votar projetos em prol de Divinópolis. Protocolamos também uma indicação sobre a roleta do ônibus porque uma usuária do transporte me procurou reivindicando quanto à melhoria de entrada de crianças nos ônibus. Ela alegou que a criança que entra no ônibus, menos de seis anos não paga, ela tem que passar debaixo da roleta ou a mãe tem que pular a criança, talvez uma pessoa mais velha e ou uma grávida precisa passar esta criança na roleta, mas tem dificuldade, e ás vezes a criança ao passar na roleta coloca a mão no chão depois coloca na boca, sem contar que o ônibus não para. Fiz a indicação para que possa ser feito um cartão para identificar a criança até cinco anos que tem o direito ao passe livre, para que esta tenha condições de ser transportada, até por questões de saúde por colocar a mão no chão e depois colocar na boca.

6) O que a população pode esperar de você em 2014?
No gabinete temos um suporte para as questões voltadas às associações, ajudando nas documentações, convênios, atas, eleições, reforma de estatutos, inscrições, reformas de projetos, convênios com o Estado, CNPJ, dentre outros. Isso é feito na casa do meu assessor com minha autorização pelo fato do assessor já ter uma experiência, uma vez que no gabinete não pode ser feito esse tipo de ação. Estou trabalhando um projeto de utilidade pública também, que tramita por causa de uma emenda. Este projeto aborda sobre a prestação de contas de entidades. Tivemos no início do ano uma dificuldade com relação à denúncias de uma entidade, mas da forma como a lei estava não tinha como eu fazer muita coisa. Se a pessoa levasse uma prestação de contas em um papel de pão tínhamos que aceitar. Fizemos algumas adequações para que haja mais transparência nas prestações de contas das entidades.
Demorei 12 anos para chegar à câmara, candidatei quatro vezes e na quarta vez que deu certo. Eu sei que há muitas dificuldades. Quero sempre, dentro da legalidade, colocar o meu gabinete a disposição da população. Estou lá para fazer o melhor, porque tenho uma equipe boa. Que o ano de 2014 seja um ano de muitas vitórias.

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