quarta-feira, 9 de Outubro de 2013 07:29h Carla Mariela

Escola de Dança em Divinópolis

Esta nota relata o recebimento da denúncia referente ao projeto de implantação da escola de dança endereçada ao sindicato dos Artistas de Minas Gerais tendo como denunciante a cliente do advogado Robervan Faria, Juliana Maia, e o posicionamento da preside

Após secretário de Cultura de Divinópolis, Bernardo Rodrigues, anunciar projeto de implantação da Escola de Dança com a participação da professora Cristina Helena, denúncias surgiram por parte do advogado Robervan Faria. De acordo com o advogado ele não é contra o projeto, mas como se trata de uma escola do município, para ele, deve haver um processo de licitação pública, ou seja, não se pode ter o favorecimento nem de A e nem de B. Recentemente, o advogado apresentou uma nota oficial vinda por meio da presidente do sindicato dos artistas e técnicos em espetáculos de diversões do Estado de Minas Gerais (Sated/MG), Magdalena Rodrigues, sobre o caso.

Esta nota está relatando o recebimento da denúncia endereçada ao sindicato dos Artistas e Técnicos em espetáculos de diversões tendo como denunciante a cliente do advogado, Juliana Maia, e o posicionamento da presidente Magdalena Rodrigues.

Em entrevista ontem a Gazeta por telefone, a presidente afirmou que não é contra nenhum tipo de voluntariado. O problema segundo ela é a maneira com que as coisas estão sendo colocadas. Ela faz o seguinte questionamento: Como se pode fundar uma escola de dança com professores que não recebem? “Esta atitude me espantou bastante porque a gente sonha com oportunidade de trabalho dos profissionais na área. Vejo como uma boa iniciativa para o pessoal de Divinópolis tanto quem quer conhecer as artes mais de perto, quanto às pessoas que querem escolher a arte como profissão. Mas, quero reafirmar que não somos contra o voluntariado, porém é necessária a criação de oportunidades reais para as pessoas poderem viver da própria profissão. Só fico estranhando esta proposta vir do Poder Municipal”, destacou.
Nota apresentada pelo advogado Robervan Faria:

Acusamos recebimento da denúncia endereçada ao Sindicato dos artistas e técnicos em espetáculos de diversões do Estado de Minas Gerais (Sated/MG), tendo como denunciante sua cliente a Sra. Juliana Maia.

Como legítimo representante das categorias de artistas e técnicos regulamentados pela Lei 6533/78 incluindo-se no quadro anexo de funções do decreto 82.385/78 as funções afetas à área de dança, manifestamos o nosso repúdio a esta iniciativa descabida, e que em nada contribui para o desenvolvimento profissional de uma categoria já tão desrespeitada e explorada.

Com a devida vênia, não se espera de uma Secretaria de Cultura de um município progressista como Divinópolis uma atitude tão tímida. Quem quer oferecer seus serviços em forma de voluntariado não tem a menor necessidade de apresentar um projeto para uma prefeitura.

Como se irá compor um grupo de dança com a dita excelência, se não se poderá contar com orientadores profissionais, e comprometidos com a profissão?

Quem se dispuser a isso, é porque tem muito tempo livre, e tempo livre, é o que nunca sobra a um verdadeiro profissional de dança. Será que se sabem quantas horas são necessárias para iniciar alguém em dança com o devido apuro técnico? Que é necessário espaço adequado, piso apropriado.

A profissão de bailarino, dançarino, coreógrafo, ensaiador de dança, maitre de ballet existe, é regulamentada, e já há 35 anos é exigido prévio registro no Ministério do Trabalho e Emprego para e seu exercício legal.

Repudiamos este disparate. É uma desvalorização cabal dos profissionais da dança. A escola pública (municipal, estadual, federal) não cobra dos seus alunos porque é pública, mas que não se remunere os seus professores, este é o maior absurdo, que uma cidade como Divinópolis, não pode protagonizar.

Quem não tem recurso para pagar um curso de dança, não pode ser exposto desta maneira, correndo o risco de cair em mãos de muita boa vontade, mas sem nenhum preparo para assumir a função. O voluntariado é muito importante, mas não pode, e não deve ser desvirtuado desta maneira.

Um belo exemplo de voluntariado pelo bom e pelo bem, está consubstanciado nesta mesma cidade de Divinópolis, que é o projeto Doutores Palhaços de Cidah Viana, onde pessoas de todas a profissões se juntam para ir à hospitais levar alento e sorriso para pessoas doentes e desesperançadas. O salário deles é o sorriso agradecido destes desvalidos. Isto é voluntariado. O Sindicato dos Artistas não pode aceitar que profissionais que investiram tempo e dinheiro
em sua formação sejam concitados (e através de edital?) a trabalhar de graça para o município. Não deixem que isso aconteça. Será uma trapalhada.


Secretário de Cultura

Ontem, em entrevista, Bernardo Rodrigues, explicou que os professores da escola de dança os procura para trabalhar voluntariamente. Segundo ele, não é a prefeitura que busca os professores ou tenta convencer os professores a trabalhar voluntariamente. “O trabalho voluntário, o próprio nome já diz, é voluntário, vem da vontade da pessoa. Entretanto, as pessoas tem vontade de trabalhar, de contribuir com o projeto de cunho social. Tenho compreensão da dimensão deste projeto, o tanto que este projeto tem de transformação social, acho louvável a iniciativa de professores que queiram contribuir para a cidade, para as pessoas mais carentes, e tem uma lei que regulamenta o voluntariado”, explicou.
Para o secretário, o entendimento está equivocado porque como recebeu a proposta da criação de uma escola de dança de forma voluntária, pode ser que haja outras pessoas interessadas para fazer a mesma coisa, e dessa forma existe o edital.
Por fim, a presidente do sindicato se colocou a disposição para esclarecimentos do seu posicionamento.

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