terça-feira, 21 de Maio de 2013 10:13h Atualizado em 21 de Maio de 2013 às 10:42h. Carla Mariela

Ex deputado de Divinópolis é destaque em reportagem da Rede Globo sobre aposentados por invalidez que continuam trabalhando

Conforme a reportagem, Dr. Francisco Gonçalves Filho, está agindo de forma irregular

O ex-deputado federal e atual médico em Divinópolis, Dr. Francisco Gonçalves Filho, no final do mês de abril deste ano, participou do programa Bom Dia Divinópolis, para explicar sobre a sua recuperação de saúde após ter dengue. Na ocasião, ele abordou também sobre o trabalho que desenvolve como médico afirmando que não há irregularidades nesta atuação após a aposentadoria na Câmara dos Deputados. Porém, não foi exatamente isso, que a reportagem do Fantástico, no último domingo (19) apresentou. O programa da Globo acusa Gonçalves Filho de aposentadoria irregular.



O médico aposentou como ex deputado depois de sofrer dois infartos. Ele procurou o setor de previdência da Câmara, foi examinado por três equipes de médicos diferentes, que constataram os problemas de arritmia. Para Francisco Gonçalves, a pessoa quando aposenta se ficar dentro de casa, ela morre e que é por esse motivo que este preferiu continuar trabalhando como médico.



Questionado se haveria algo irregular, para trabalhar depois de aposentado, ele respondeu que não tem nada de ilegal. No último domingo (19), o Fantástico apresentou uma reportagem de cidadãos comuns que tem várias doenças, contribui com a Previdência Social, mas não conseguem o benefício, enquanto outras pessoas, como Gonçalves e outros nomes citados, possuem o benefício alto. A investigação ocorreu durante três meses. Cinco ex parlamentares recebem o benefício. Um deles é Francisco Gonçalves Filho, deputado entre fevereiro de 2003 e janeiro de 2007, que tem benefício no valor de 26 mil por mês.



O diretor geral falou em nome da Câmara e apontou que Francisco Gonçalves Filho foi reavaliado no prazo determinado por lei e ainda estava doente. O Tribunal de Contas da União discordou. Diz que decisões anteriores, para casos específicos, não podem ser transformadas em regra geral. E que só autoriza o trabalho do aposentado por invalidez em situações muito especiais e por um período curto. A Câmara resolveu investigar o caso do ex deputado.



A reportagem tentou entrar em contato com o médico para falar sobre o assunto, mas não obteve sucesso nas ligações por telefone. No programa Bom Dia Divinópolis, ele deixou claro que trabalha para servir o próximo, que é considerado no município, como médico dos pobres.



O Sr. Carlos Roberto Fagundes, morador de Divinópolis, afirmou que ele trabalha desde 1973 e em 2007, ele entrou com a aposentadoria, mas o INSS interferiu, relatando que seu tempo de serviço não dava, ele procurou o INSS, mas teve que recorrer na justiça. “O INSS alega que o meu tempo de serviço está faltando, mas se for somar com o tempo de salubra de 98 para trás daria uns 48 anos trabalhado”, destacou.



Sobre a sua opinião  quanto as pessoas que conseguem um alto benefício depois de aposentar por invalidez e mesmo assim continuam trabalhando recebendo mais um montante, ele respondeu que para a burguesia e lideranças políticas é fácil conseguir a aposentadoria, uma vez que o INSS enquanto o trabalhador não tiver com a perna arrancada, um braço arrancado ou um pulmão prejudicado, não consegue se aposentar.



Carlos Roberto enfatizou que durante estes seis anos a espera da aposentadoria, dependendo dos peritos do INSS de Divinópolis nada foi feito, porque parece que são escolhidas as pessoas, e quando se olha a data em que o trabalhador iniciou o seu ofício, há uma interferência. “O juiz daqui me deu mérito em parte, tive que recorrer, nem com o salário mínimo o trabalhador metalúrgico não consegue, porque não é o Juiz Federal que interfere é o INSS. Quando o trabalhador parte para outros meios, eles falam que está apelando”, concluiu.



Por fim, a Câmara dos Deputados resolveu investigar o caso do ex político, Dr. Francisco Gonçalves Filho.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.