terça-feira, 16 de Junho de 2015 09:55h

Executivo quer interromper fechamento de escolas rurais

Diretrizes do Governo do Estado para educação do campo preveem reformas nas escolas e a capacitação de professores

A educação rural será mais valorizada no Estado, com investimentos na infraestrutura das escolas e na capacitação de gestores e professores. É o que garantiu a coordenadora de Educação do Campo da Secretaria de Estado de Educação, Sônia Maria Roseno, em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada nesta segunda-feira (15/6/15).

O fechamento de escolas públicas nas zonas rurais tem causado preocupação entre deputados e representantes da sociedade civil. Segundo Roseno, dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam que mais de 32 mil unidades tiveram suas atividades encerradas no País durante a última década. No entanto, segundo a representante da Secretaria de Educação, o Governo de Minas trabalha com a perspectiva de inverter essa realidade, inclusive com a reabertura de escolas já fechadas.

“Estamos em um processo de reestruturação da educação no campo. É mais fácil levar crianças para as zonas urbanas, mas antes precisamos saber se interessa às comunidades o fechamento dessas escolas”, afirmou Sônia Maria Roseno. Ela fez questão de destacar o protagonismo da população rural nesse processo, por meio da articulação dos movimentos sociais e sindicais e o diálogo com a comunidade do campo.

Roseno indicou como metas da Secretaria de Educação, no que se refere à educação campesina, o diagnóstico da situação das escolas indígenas, reformas de infraestrutura que viabilizem a atividade didática nas escolas, parcerias com universidades para capacitação de professores e a publicação das diretrizes operacionais da educação no campo aprovadas no último mês de maio pela pasta.

Juliana de Souza Matias, diretora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), lembrou sua experiência como aluna de uma escola rural para criticar o que ela classifica como descaso com o campo. Segundo Matias, ela percorria a pé um trajeto de três quilômetros diariamente para estudar e, na instituição, ouvia de professores discursos que depreciavam a qualidade de vida no campo para incentivar os alunos a seguirem seus estudos e se mudarem para a cidade. “A luta pela educação no campo é também para que possamos continuar sendo agricultores”, disse.

Assim como Juliana Matias, Idalino Firmino dos Santos, secretário-executivo da Associação Mineira das Escolas das Famílias Agrícolas, fez coro à necessidade de protagonismo do sujeito do campo na elaboração dos planos de educação. Idalino também destacou a efetividade das escolas das famílias agrícolas (EFAs) e pediu mais recursos para a manutenção dessas instituições.

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