quinta-feira, 20 de Junho de 2013 07:27h Atualizado em 20 de Junho de 2013 às 07:44h. Erik Ullysses

#FOMOSPRARUA: Seis mil pessoas tomam as ruas de Divinópolis em um verdadeiro show de democracia

Uma semana após o início das manifestações que tomaram conta do Brasil, chegou a vez da população de Divinópolis sair as ruas. E as pessoas não foram em pequeno número. Foram quase seis mil vozes que cobravam de nossos governantes melhores condições de sa

Uma semana após o início das manifestações que tomaram conta do Brasil, chegou a vez da população de Divinópolis sair as ruas. E as pessoas não foram em pequeno número. Foram quase seis mil vozes que cobravam de nossos governantes melhores condições de saúde, de educação, exigiam um combate mais enérgico contra corrupção, e que a PEC 37 não fosse aprovada. Entoando vários cânticos, como o “Vem pra rua” que se tornou o símbolo do movimento a nível nacional, até contrários à administração de Divinópolis, estudantes, professores, empresários, administradores, donas de casa, ocuparam as ruas do centro da cidade.

Um dos organizadores do protesto na cidade foi o estudante Luis Otávio, de 18 anos. Aluno do 3° ano do ensino médio, Luis disse que a idéia, assim como em quase todas as cidades do Brasil, partiu através das redes sociais. Instigados pelas diversas manifestações, inclusive fora do país, um grupo de jovens decidiu criar um evento no facebook, o que teve uma grande adesão. “Vendo todos os protestos que estavam acontecendo pelo Brasil e até mesmo fora do Brasil, como na Alemanha e na França onde brasileiros estão protestando lá, vimos que Divinópolis não podia passar em branco, queríamos protestar também. A idéia surgiu no facebook, então criamos um evento no facebook. Foram cerca de 80 mil convidados e oito mil confirmações e na terça-feira (18) teve uma reunião em frente à Câmara e ficou decidido as ações e o foco que seria dado para o protesto aqui” afirmou. O movimento em Divinópolis teve como objetivo a exigência do passe livre para estudantes, o fim da impunidade, a não aprovação da PEC 33 (todas as decisõ
es tomadas pelo STF terão que passar pela aprovação do Congresso Nacional) e a PEC 37 (que tira o poder de investigação do Ministério Público, deixando apenas a cargo da Polícia Federal), além de reivindicações de uma melhor educação e saúde em Divinópolis. Assim como em todas as cidades brasileiras, o movimento em Divinópolis foi apartidário e sem líderes.

Para a psicóloga Graziele Gontijo, as manifestações tem um caráter ainda mais importante, já que foi feita pelos jovens do país, muitas vezes taxados de acomodados e que não lutam por seus direitos. “É bastante relevante porque esta juventude era vista como a juventude do facebook, então quando a gente resolve sair, reivindicar nossos direitos a gente percebe que tem poder e assim poderemos mudar o Brasil” exaltou.

A manifestação estava marcada para ter início às 18 horas na praça do Santuário, mas as 16 horas a movimentação no local já era intensa. Diversos estudantes confeccionavam cartazes, pintavam a cara, levantavam bandeiras e ensaiavam os primeiros gritos da manifestação. A medida que o tempo ia passando a praça ia sendo tomada por mães e pais, adultos, idosos e crianças, pessoas de todas as classes sociais. As 18 horas a passeata teve início e desceu a rua São Paulo, pegando a Antônio Olímpio, a medida que a marcha ia andando mais adeptos iam aderindo ao movimento. Logo em seguida a manifestação foi para a 1° de junho e durante todo o percurso recebeu apoio de moradores e trabalhadores dos comércios espalhados pelas ruas. O Hino Nacional era entoado a todo o momento a plenos pulmões e chuvas de papel picado e confete eram atirados dos prédios. Aplausos de pessoas que estavam nas lojas e novos gritos de “vem pra rua” eram constantes. Fogos de artifício também.

Entre as milhares de pessoas que protestavam estava a empregada doméstica Inês Silva, de 55 anos. Entre os vários motivos para estar participando, Inês apontou a saúde como o principal fator. “As pessoas vão para o Pronto Socorre e não são bem atendidas. Eu tenho uma mãe idosa de 78 e ela fica lá cinco ou seis horas aguardando por uma consulta sendo que é uma coisa de internação” disse. Para Francisco Carlos Eloi, administrador de empresas, os movimentos em todo o país servem para acordar a população para os desmandos por parte dos governantes. Ele ainda ironizou a fala do presidente da FIFA Joseph Blatter, que pediu educação para o público brasileiro que vaiava a presidente Dilma Rousseff durante a inauguração da Copa das Confederações. “O Joseph Blatter falou que nós não temos educação e ele tem razão! Nós não temos educação, não temos saúde, não temos moradia, não temos nada!” exclamou.

O protesto, sempre pacífico, seguiu para a porta da Prefeitura Municipal de Divinópolis, onde milhares de pessoas gritavam palavras contrárias aos políticos divinopolitanos, especialmente ao prefeito Vladimir Azevedo. Muitos deles exigiam a saída do governante. Faixas e cartazes foram estendidas em frente à prefeitura e para evitar que o prédio fosse invadido ou que gerasse tumulto, a Polícia Militar precisou intervir pela primeira vez e criou um cordão de isolamento na frente da Prefeitura. Em dado momento algumas pessoas começaram a atirar mexericas contra o prédio, o que foi reprimido pela maioria dos manifestantes com vaias e gritos que pediam para não haver violência.

Dali, os manifestantes se dispersaram. Vários se dirigiram para a praça do Santuário, outros subiram a Getúlio Vargas com destino a praça da Catedral e outros tantos ficaram espalhados pelas ruas do Centro. Assim terminou um dos momentos mais marcantes e da mais pura expressão de democracia da população de Divinópolis, sem brigas, confusão ou atos de vandalismo.

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