sexta-feira, 7 de Novembro de 2014 04:29h Atualizado em 7 de Novembro de 2014 às 04:31h. Jotha Lee

Fundação Getúlio Vargas faz diagnóstico nas contas do Diviprev

Instituto busca mecanismos para equilibrar déficit futuro

Técnicos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), um dos institutos técnicos de maior respeitabilidade no país, já iniciaram estudos sobre as contas do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Divinópolis, o Diviprev. O trabalho vai durar quatro meses ao custo de R$ 140 mil e vai apurar e propor equacionamento do equilíbrio atuarial do Plano de Previdência Municipal.
A ciência atuarial é a ciência das técnicas específicas de análise de riscos e expectativas, principalmente na administração de seguros, fundos de pensão e previdência. Essa ciência aplica conhecimentos específicos das matemáticas estatística e financeira.
O superintendente do Diviprev, Luiz Fernando Guimarães Borges, disse ontem à Gazeta do Oeste que o estudo atuarial é feito anualmente, entretanto, agora, apresentou-se a necessidade de uma análise de total credibilidade, para que seja desenhado o futuro financeiro da entidade. “Para curto e médio prazos a situação do Diviprev está equilibradíssima, mas precisamos preparar o futuro do Instituto e, por isso, necessitamos de um estudo consistente, motivo pelo qual contratamos a Fundação Getúlio Vargas”, explicou.

 

 

 

AVALIAÇÃO ATUARIAL
A essência da avaliação atuarial é identificar permanentemente o custeio necessário para formação de patrimônio que possa pagar todos os compromissos previstos em um determinado plano de benefícios. Nesse sentido, quando da criação de um plano previdenciário, é feita uma análise do perfil da massa de participantes que nele ingressaram e calculada uma contribuição necessária para o equilíbrio de longo prazo desse plano.
“Ocorre que, em função da utilização de premissas de longo prazo, como longevidade e crescimento real dos salários desses participantes, bem como por fatores externos, como o efeito de alterações nas legislações que regulam ou afetam o sistema de previdência complementar, as estimativas feitas na criação do plano não necessariamente se concretizam”, explicou Luiz Fernando.
Ainda de acordo com o Superintendente do Diviprev, quando acontece uma situação dessas, faz-se necessária uma revisão do nível contributivo futuro para restabelecer o equilíbrio do plano. Assim, na realização da avaliação atuarial, que tem periodicidade mínima anual, é apresentada a situação do plano e, no caso de desequilíbrio – denominado déficit técnico –, as sugestões para seu equacionamento.
O modelo de equacionamento mais tradicional de um déficit técnico é o aumento das contribuições futuras de todos os participantes, para compensar o valor patrimonial a descoberto em relação aos benefícios futuros. Entretanto, outras formas de equacionamento são previstas na legislação vigente como, por exemplo, aplicações no mercado financeiro.

 

 

 

DÉFICIT FUTURO
O estudo realizado pela FGV começou a ser desenhado em 2010, quando o levantamento atuarial anual indicou um déficit futuro de R$ 28 milhões para o Diviprev. Em 2011, esse déficit subiu para R$ 200 milhões, chegou a R$ 300 milhões em 2013 e, esse ano, chegou a R$ 500 milhões. “Entendi que era hora de parar e repensar nosso modelo de previdência, pois não podíamos continuar nessa escalada sem fazer nada”, esclareceu Luiz Fernando.
“Contratamos o diagnóstico da Fundação Getúlio Vargas em acordo com o funcionalismo e comunicamos a realização do estudo ao Ministério da Previdência Social, que aprovou a iniciativa”, acrescentou o superintendente. “A Fundação vai nos fornecer através do estudo um diagnóstico completo sobre o que precisaremos fazer para obter esse equilíbrio financeiro”, completou.
De acordo com Luiz Fernando, dependendo do resultado do estudo, existe até mesmo a possibilidade de aumentar a alíquota do município, que desde 2012 deveria ser de 15%, porém a Prefeitura vem recolhendo somente 12,75%. Do servidor, a alíquota mensal recolhida é de 11%.

 

Crédito: Arquivo/GO

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