quarta-feira, 14 de Janeiro de 2015 09:01h Atualizado em 14 de Janeiro de 2015 às 09:06h. Jotha Lee

Gastos com folha de pagamento superam recursos para Saúde

Município gastou mais de R$ 800 mil em 2014 para locação de computadores

A Prefeitura ainda não publicou o relatório de gestão fiscal relativo a 2014, conforme determina a Lei de Responsabilidade Fiscal. Entretanto, a publicação periódica da receita e despesa feita através do Portal do Cidadão mostra que a arrecadação vai ficar muito abaixo da previsão orçamentária.
Esse foi um dos fatores que mais prejudicaram o andamento de projetos importantes do governo no ano passado. O secretário municipal de Fazenda, Antônio Castelo, deixou claro em entrevista à Gazeta do Oeste que as perspectivas para esse ano não são as melhores e que a arrecadação continuará em baixa como ocorreu no ano passado.
Os números disponibilizados no Portal do Cidadão podem ainda sofrer pequenas alterações, mas que não refletirão na avaliação final das dificuldades financeiras vividas pela Prefeitura em 2014. A receita, estimada em R$ 522 milhões, ficou em R$ 413 milhões, mais de R$ 100 milhões abaixo da previsão orçamentária. Já as despesas, estimadas em R$ 533 milhões, ficaram em R$ 427 milhões, uma vez que o prefeito determinou arrocho no cinto e economia de guerra em todas as Secretarias.
Educação e Saúde foram as pastas que tiveram os maiores gastos no ano passado. No sistema de saúde, incluindo todo o gerenciamento administrativo e salários dos servidores do setor, as despesas atingiram R$ 164 milhões. Já na Educação, os gastos foram de R$ 88,2 milhões. Chama a atenção o fato de que a folha de pagamento dos 5 mil servidores chegou a R$ 175,1 milhões, superando os gastos na saúde. “A folha de pagamento é o maior peso da administração e seu crescimento vegetativo anual chega a 10%”, foi o que explicou o secretário de Governo, Honor Caldas de Faria.

 

DESPESAS
A Gazeta do Oeste selecionou alguns gastos do município, boa parte deles não pelo valor, mas no contexto administrativo que estão inseridos. Um desses exemplos foi a despesa com locação de imóveis, que chegou a R$ 3,3 milhões, enquanto para a construção do Centro Administrativo, a Prefeitura desembolsou apenas R$ 1,9 milhão.
O Centro, cujo prazo de entrega inicial não foi cumprido, é visto pelo prefeito, Vladimir Azevedo, como uma das obras estruturantes de maior importância para a administração pública municipal, pois além de aglutinar em um só local todos os principais setores da Prefeitura, também vai gerar importante economia com o aluguel de imóveis. O prefeito trabalha com a possibilidade de inaugurar o Centro administrativo até o final desse ano.
Para a locação de equipamentos de informática (impressoras e microcomputadores), a Prefeitura desembolsou R$ 828,5 mil. Esse valor, considerando o preço médio de R$ 2 mil, possibilitaria a aquisição de mais de 400 microcomputadores. Os gastos no setor de transportes e serviços também foram altos com a locação de veículos, chegando a R$ 1,3 milhão. Com gasolina, o município teve despesa de R$ 307,2 mil. Já com álcool combustível os gastos foram de R$ 64,6 mil, enquanto o óleo diesel gerou despesa de R$ 418,5 mil.
Em doações, a Prefeitura contribuiu com R$ 1,6 milhão para entidades beneficentes. Já em contribuições, pela participação na Associação dos Municípios do Vale do Itapecerica (Amvi), o município desembolsou R$ 285 mil, enquanto a Frente Nacional de Prefeitos foi beneficiada com o repasse de R$ 50 mil.
A Empresa Municipal de Obras Públicas e Serviços (Emop), que foi socorrida pela Prefeitura para honrar uma dívida de R$ 10 milhões gerada nos últimos 15 anos, recebeu do município, em 2014, R$ 2,2 milhões pelos serviços de capina e limpeza de ruas e bueiros.
A equipe econômica da Prefeitura trabalha com a expectativa de que 2015 poderá repetir 2014 nas dificuldades financeiras, especialmente com a arrecadação em baixa. Em entrevista à Gazeta do Oeste, o secretário de Fazenda, Antônio Castelo, não escondeu que a administração municipal espera muitas dificuldades.
“O sinal na Prefeitura continua amarelo, com viés para o vermelho. Eu seria leviano em dizer que o município está tranquilo com relação à sua situação financeira. Não, não está. Estamos no amarelo para vermelho, quase chegando ao vermelho. As previsões não são boas e cabe a nós, que estamos aqui, administrar isso, especialmente gastando só aquilo que arrecada”, garantiu Castelo. “Vai ser um ano muito difícil”, resumiu Vladimir.

 

 

Crédito: Jotha Lee

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