quinta-feira, 3 de Abril de 2014 06:15h Atualizado em 3 de Abril de 2014 às 06:19h. Carla Mariela

Governador assina hoje decreto que estadualiza Funedi/Uemg, estudantes têm pressa

Alunos da Instituição organizam marcha para cobrar mais agilidade no processo.

O governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB), antes de passar o cargo para o até então vice-governador, Alberto Pinto Coelho, assina hoje, às 10h, na Cidade Administrativa em BH, o decreto de estadualização de três unidades da Uemg. Segundo o governador, ao todo eram seis fundações que ele havia assumido o compromisso de estadualizar, sendo três que foram estadualizadas no ano passado (Campanha, Carangola e Diamantina) e ficaram para este ano Divinópolis, Ituiutaba e Passos.
Anastasia informou que anunciar hoje as etapas da estadualização destas três unidades significa, não só para a Uemg, mas também para os alunos, a transformação da Funedi em uma grande universidade, maior do que já é.
Mesmo tendo o conhecimento da assinatura do decreto, alguns alunos da Funedi/Uemg organizaram para ontem, às 19h, uma marcha da frente da instituição até a Praça da Bíblia, com o objetivo de solicitar mais agilidade no processo de estadualização. Em uma página nas redes sociais, o que estava exposto era que, apesar do ato da assinatura ser muito importante, não está havendo ainda a garantia concreta de que a instituição será estadualizada.

 

Mobilização
O estudante e organizador da marcha, Glauber de Alcântara, afirmou que conversou com os professores que são a favor da estadualização e decidiu se juntar com outros estudantes, no intuito de ir à luta pelos seus direitos. Dessa forma, ele criou uma página no Facebook com o lema “Estadualização das Uemgs Já”, reunindo as três universidades: de Divinópolis, de Ituiutaba e de Passos.
“O movimento nesta página do Facebook cresceu, uma vez que criamos grupos de discussão. Recentemente também ocorreu na Funedi/Uemg uma reunião que contou com a participação de 200 pessoas, com representantes de cada turma, que foram passando pelas salas avisando sobre a marcha. Queremos criar diretórios acadêmicos de cada grupo, sendo que na Funedi só existe hoje o de Psicologia. As Engenharias, que são o carro chefe da faculdade, não têm um diretório. A ideia é que, com a estadualização, melhore esta situação e mantenha a qualidade de ensino. Queremos a agilidade do processo e transparência”, explicou.
Ainda de acordo com Glauber de Alcântara, outra coisa que ele está se perguntando é: Porque a estadualização não vai ocorrer logo no início do segundo semestre? Porque será que tem que deixar correr dois meses para que isso ocorra? Será que é porque estará faltando um mês para as eleições para o povo lembrar do nome de deputados? Segundo ele, o que os alunos querem é a gratuidade de forma mais rápida pelo fato da lei já ter passado em todas as câmaras de governo. “Eles não iam liberar uma estadualização para uma instituição igual a que tem aqui se não tivesse caixa, não tivesse dinheiro”, declarou.
Devido à chuva que caiu na cidade no início da noite, até o fechamento desta edição, a marcha dos alunos ainda não havia começado.

 

Articulação política
Alguns parlamentares comparecerão ao evento de assinatura do decreto na capital mineira. O deputado estadual, Fabiano Tolentino, por exemplo, afirmou que a estadualização da Funedi é uma realização importantíssima para a educação não só em Divinópolis, mas em toda a região, já que a cidade passa a contar com duas universidades ofertando ensino gratuito e de qualidade.
O deputado federal, Jaime Martins (PSD), também comparecerá ao encontro. De acordo com o parlamentar, esta ação é uma conquista histórica para Divinópolis, já que o Estado vai assumir a gestão do ensino, que passará a ser gratuito e seguir as diretrizes de pesquisa da universidade estadual. “A luta pela estadualização da Funedi percorre há vários anos, sendo defendida inclusive em plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo meu saudoso pai, enquanto deputado estadual. Nesse sentido, pude acompanhar essa discussão e erguer a bandeira da estadualização”, afirmou Jaime.
Já o deputado Domingos Sávio (PSDB), explicou que entre a assinatura do decreto e a efetiva gratuidade haverá um prazo para que o Estado possa negociar a forma de absorção que será acompanhada por ele e o diretor da Funedi/Uemg de Divinópolis, Gilson Soares. A ideia é que esta absorção ocorra sem prejuízo para os funcionários.

 

Processo
Entretanto, este período de absorção significa um período em que o Estado possa ter todos os dados, ou seja, quanto custará o acerto trabalhista, como funcionará o repasse dos recursos para a fundação para que ela promova estes acertos e, obviamente, fazer a contratação destes profissionais em caráter temporário porque depois terão que se submeter a concurso. “A expectativa para que os alunos estejam usufruindo da gratuidade seja ainda neste ano, por volta de setembro. Sobre a situação atual dos alunos que estudam na Funedi/Uemg, eles continuarão pagando até que a absorção seja concluída”, assegurou Domingos.
O diretor da Funedi/Uemg foi procurado para falar sobre o que a direção e os funcionários estão achando da estadualização. Porém, a assessoria da instituição informou que ele só se pronunciará após a assinatura do decreto.

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