terça-feira, 3 de Fevereiro de 2015 08:57h Atualizado em 3 de Fevereiro de 2015 às 09:01h. Jotha Lee

Governo do Estado pode intervir na duplicação do anel rodoviário

Secretário de Estado recebe documento contendo reivindicações de moradores

O cabo de guerra envolvendo a concessionária Nascentes das Gerais, que administra a MG-050, e moradores de vários bairros localizados na região Noroeste da cidade ganhou novos contornos com uma possível interferência do Estado. A principal reclamação dos moradores se refere aos acessos para a região, que não atendem às reivindicações comunitárias.
A situação é mais complicada na Rua Martinho Amaral, único acesso para os bairros Candelária, Jardim das Oliveiras, Santa Marta, Fonte Boa, Dom Cristiano e Frei Galvão. A região reivindica a construção de um viaduto ou um túnel, entendendo ser a única solução para o conflito. “Pelo que observamos, da forma como o projeto foi concebido, a situação na região ficará ainda mais complicada, com engarrafamentos que vão trazer grandes transtornos para quem pretende entrar ou sair desses bairros, pois não há previsão de nenhuma melhoria no acesso”, observa Manoel Cordeiro, presidente da Associação de Moradores do bairro Jardim das Oliveiras.
Com a privatização a partir de 2007, conforme estipulado pelo contrato de concessão, a concessionária iniciou a recuperação da MG-050, com duplicação de vários trechos, construção de terceiras faixas, correções de curvas e traçados. Em dezembro do ano passado, a Nascente das Gerais anunciou intervenção em 10 km do anel rodoviário, com a construção de terceiras faixas, pistas suspensas, viadutos e passagem para pedestres, com obras que vão da ponte sobre o rio Itapecerica até a região do bairro Quintino.
O projeto apresentado em reunião ocorrida na Câmara Municipal no dia 19 de dezembro do ano passado é motivo de uma intensa polêmica envolvendo moradores dos bairros – obrigados a atravessar o anel rodoviário para ter acesso à região central –, reforçados por lideranças comunitárias de outras regiões da cidade, e a concessionária que administra a rodovia. “A concessionária ainda não se reuniu com os moradores e temos dificuldade de diálogo com a empresa”, assegura Luciana Vidigal Santiago, presidente da Associação de Moradores do bairro Candelária.
Segundo Luciana, os moradores reivindicam um viaduto que ligaria o bairro Santa Marta à Avenida JK ou um túnel, fazendo a ligação com o bairro Padre Libério, com abertura até a Rua Pitangui. “Essa é a única saída que vai garantir uma travessia com segurança e qualidade a veículos, pedestres e ciclistas”, garante.

 

 

SECRETÁRIO
Os moradores estão se movimentando e buscam apoio político fora de Divinópolis na tentativa de evitar que a obra seja iniciada, sem que haja modificações no projeto original. Lideranças dos bairros foram recebidas em Belo Horizonte pelo secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Murilo Campos Valadares, que prometeu a intervenção do Estado.
Na ocasião, as lideranças comunitárias entregaram ao secretário um documento contendo as reivindicações de todos os bairros da região Noroeste. “O projeto apresenta incorreções quanto à mobilidade urbana, quanto à acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência física e quanto ao acesso de motoristas e pedestres aos bairros adjacentes à via. Ao mesmo tempo, consideramos que o traçado de vários trechos propostos irá expor ainda mais os usuários a riscos de graves acidentes, fatos que ocorrem frequentemente também naquele trecho da rodovia”, diz o documento.
Ainda de acordo com a carta entregue ao secretário, os moradores apoiam a transformação do anel em via expressa, evitando que o tráfego da via principal sofra interferência do trânsito urbano, para dar maior agilidade às locomoções. “No entanto, o anel rodoviário e suas vias marginais são, igualmente, utilizados pela população do município, que merece, igualmente, um trânsito rápido e seguro e acesso facilitado aos bairros adjacentes, requisitos que, reiteramos, não estão contemplados em vários trechos no projeto”, diz o documento.
De posse das reivindicações, o secretário Murilo Valadares garantiu aos moradores que a obra de duplicação do anel não será iniciada sem consenso. “Vamos estudar o pedido e analisar todas as demandas com nossa assessoria técnica e daremos uma resposta aos moradores. As obras nos trechos questionados não serão iniciadas sem que antes se chegue a um consenso sobre o que é melhor para Divinópolis e para os moradores dos bairros”, afirmou.
O deputado estadual Rogério Corrêa (PT), que também recebeu as lideranças comunitárias, se comprometeu em solicitar nova audiência pública em Divinópolis, com a presença de todas as partes interessadas, para mais uma tentativa de se chegar a um acordo.

 

Crédito: Divulgação

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