quinta-feira, 16 de Julho de 2015 10:01h Atualizado em 16 de Julho de 2015 às 10:15h. Jotha Lee

Governo do Estado sinaliza suspensão da construção do gasoduto

Petrobras paralisa obras da fábrica de amônia e diz que o Estado não cumpriu sua parte

A fábrica de amônia que estava sendo construída pela Petrobras em Uberaba, no Triângulo Mineiro, é a peça chave para que mais de 50 municípios, entre eles Divinópolis, recebam um dos maiores investimentos do Estado nos últimos anos, que permitirá redução de custeio e aumento de produção para a indústria. Trata-se do gasoduto, ligando a cidade de Queluzito, na região metropolitana de Belo Horizonte, a Uberaba. Entretanto, o investimento do gasoduto planejado no governo passado, está ameaçado.
As obras da fábrica de amônia da Petrobras, que já estavam com 30% concluídos, foram paralisadas no mês passado por determinação da petrolífera. A Petrobras acusa o governo do Estado de não cumprir o acordo para a construção da fábrica. Em nota, a empresa informou que as obras foram suspensas porque o governo do Estado não cumpriu sua parte no acordo, que era construção do gasoduto para garantir insumo à fábrica.
O acordo com o governo do Estado, ainda segundo a Petrobras, era que a empresa investiria R$ 1,95 bilhão na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN), que deveria ser entregue em 2017. Para tanto, o governo estadual, por meio da Gasmig, construiria um gasoduto de Queluzito, na região Central do Estado, até Uberaba, para levar gás natural à planta. Pelo acordo, o Estado tinha que concluir o gasoduto seis meses antes da inauguração. No entanto, por falta de recursos, o projeto nunca saiu do papel.
A Petrobras disse que a Gasmig “não apresentou evidências de que vai construir o gasoduto no prazo e nas condições acordadas no contrato celebrado”. Disse ainda que se vê impedida de assumir os riscos associados à finalização da planta sem que haja uma revisão, com a Gasmig, das condições adequadas para o suprimento de gás para a fábrica. A empresa também citou o enfraquecimento da demanda interna de amônia para justificar a suspensão da construção da fábrica em Uberaba. “A Petrobras entende que, atualmente, o investimento na construção desse projeto, com base na relação custo-benefício, não se mostra adequado em comparação a outros negócios da companhia”, afirmou por meio de nota.

 

REAÇÃO
Essa semana houve a primeira reação política em Minas Gerais com relação à paralisação das obras da fábrica de amônia e o consequente desaquecimento na construção do gasoduto. Essa situação coloca em risco a melhor oportunidade de desenvolvimento econômico para o Estado, desde a instalação da montadora de automóveis Fiat, na década de 1970, e só a presidente Dilma Rousseff pode evitar esse desastre. Essa conclusão, durante reunião realizada na terça-feira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), levou os deputados mineiros a criar um grupo suprapartidário para buscar, sob a liderança do governador Fernando Pimentel, uma decisão política da presidente da República que garanta a construção da fábrica de amônia.
A reunião da ALMG reuniu três comissões parlamentares da Casa, além do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir de Araújo Rôso; o presidente da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), Eduardo Ferreira e representantes da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), prefeitos e vereadores.
Durante a reunião, o governo do Estado transferiu toda a responsabilidade para a Petrobras e garantiu ser inviável outro grande projeto que vinha entusiasmando prefeitos das regiões Central, Centro-Oeste e Triângulo: o gasoduto ligando Queluzito (Região Central) a Uberaba. A expectativa era de que 50% do volume de gás transportado seria consumido pela unidade de produção de amônia e o restante nas cidades cortadas pelo gasoduto, entre elas Divinópolis.
O Estado sinalizou que a construção do viaduto pode mesmo não sair do papel. “O investimento do gasoduto só se viabiliza com a planta de amônia”, ressaltou o secretário Altamir Rôso. O presidente da Gasmig, Eduardo Ferreira, garantiu que o projeto de implantação do gasoduto está em dia e não é a causa da decisão da Petrobras de interromper seus investimentos.

 

DIVINÓPOLIS
O prefeito, Vladimir Azevedo (PSDB), que participou da reunião na ALMG, destacou que o projeto do gasoduto é estruturador e vai mudar o patamar das políticas de desenvolvimento das regiões por onde vai passar. “Nós defendemos esse trecho que sai da Região Metropolitana de Belo Horizonte e passa pelo Centro-Oeste até chegar a Uberaba como necessário para um novo ciclo de desenvolvimento para nossa região, do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro. O nível de competitividade em que vamos evoluir o capital local é outro. Ao mesmo tempo, teremos condições de atrair investimentos em uma reação sinérgica e ao mesmo tempo promover o desenvolvimento de nossas cidades”, defendeu.
Preocupado com o possível fim do projeto do gasoduto, o prefeito de Divinópolis cobrou uma atitude do governo do Estado. “No momento em que fomos surpreendidos pela imprensa, que o investimento foi suspenso, é uma boa hora do governo de Minas mostrar para o governo federal que esta é a prioridade do Estado e que não se pode abrir mão”, ponderou.
A reunião ocorrida na terça-feira na ALMG para discutir a questão foi solicitada pelo deputado estadual Fabiano Tolentino (PPS), titular da Comissão Parlamentar de Política Agropecuária e Agroindustrial. Ele garantiu que a Assembleia cobrará ações efetivas do governo do Estado. “Vamos cobrar efetivamente ação do governo do Estado, e existindo a implantação do gasoduto, Divinópolis estará na rota que já foi traçada. O governo federal diz que não há recurso para a sua construção, então vamos nos unir em prol deste grande empreendimento”, garantiu.
O presidente da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Afonso Gonzaga, um dos maiores entusiastas pela construção do gasoduto, teme pelo abandono do projeto, mas diz que o governo do Estado precisa ser chamado à responsabilidade. “Temos que provocar ao governo do Estado, que precisa entender a importância de sua decisão. Não podemos deixar esta grande oportunidade de desenvolvimento se perder”, afirmou.
O projeto do gasoduto, denominado de “Novo Gás Oeste”, tem investimentos próximos dos R$ 4 bilhões, com benefícios diretos para municípios do Centro-Oeste, Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro. Seriam 450 quilômetros de gasoduto de distribuição e investimentos de R$ 3,8 bilhões, sendo que R$ 1,8 bilhão nos dutos e R$ 2 bilhões por parte da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados em Uberaba. A obra geraria 3,7 mil empregos, beneficiado 55 municípios indiretamente com uma população estimada em 2,3 milhões de habitantes. Segundo Afonso Gonzaga, as regiões beneficiadas têm um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 106 bilhões, representando 25% das riquezas de Minas Gerais.

 

Crédito: Willian Dias/ALMG

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