sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013 03:31h Carina Lelles

Gustavo Perrella

"Fizeram deste evento um circo político"

Como você recebeu a notícia de que o seu helicóptero havia sido apreendido com mais de 400 quilos de cocaína?
Estava na Assembleia Legislativa, foi em uma segunda-feira na parte da manhã. Eu presidia uma reunião no plenário, com a comissão de turismo, com convidados da Europa, tinha muita gente. Foi um choque, mesmo assim continuei na reunião por duas horas. Quando acabou a reunião eu convoquei uma coletiva para explicar todos os fatos decorrentes. Foi um choque pra mim e pra toda a minha família.

Houve algumas contradições. Você disse que não tinha autorizado o vôo e seu advogado disse que você havia autorizado sim. Você autorizou ou não esse vôo?
Na verdade, a todo o momento nesta coletiva, houve um equívoco muito grande por parte da imprensa de noticiar esta contradição. A todo o momento me foi perguntado se eu sabia do vôo e eu interpretei, naquele momento, que o vôo que eles estavam se referindo era para o tráfico. O meu helicóptero estava no Espírito Santo com quase meia tonelada de cocaína. Hora nenhuma o piloto me informou que iria para o Espírito Santo. Então não houve contradição. Eu disse na coletiva e no meu depoimento a Polícia Federal como testemunha, nunca fui suspeito nesse episódio, que o piloto tinha me falado que a aeronave estaria em revisão e que se ele poderia fazer um frete para São Paulo após a revisão. Naquele momento eu disse que o piloto não poderia fazer nenhum vôo sem o nosso consentimento e não foi dado. Hora nenhuma eu autorizei este vôo.

A aeronave, para este vôo, foi abastecida com recursos da Assembleia?
Não. Esta foi outra mentira colocada na mídia. O último abastecimento ressarcido pela Assembleia, pela qual é legal e está dentro do regimento da Assembleia, foi no mês de outubro. Em hipótese alguma, este vôo poderia ter sido abastecido com dinheiro público. Inclusive na nota da Polícia Federal está destacado que o vôo do contrabando foi abastecido pelos criminosos. Isso está na nota oficial da Polícia Federal, não é o deputado Gustavo Perrella que está falando. Quando eu escolhi a vida pública estava sujeito a passar por várias coisas, não tenho críticas a fazer a imprensa, mas a gente sabe tem órgãos que querem fazer o mal, colocar o sensacionalismo em prática e foi isso o que aconteceu.

Na sua opinião, todo esse “sensacionalismo” que você se refere, além de midiático, pode ter cunho político?
É claro que existem sim as pessoas que usam este fato para se promover politicamente, usam este fato para nos agredir, para nos diminuir. Tem uma peculiaridade que é o futebol, envolve até a rivalidade clubística em fatos como este, mas a vida foi feita para a gente pular estes obstáculos, saber lidar com os desafios. Após o ocorrido houve sim uma motivação política, a gente viu uma coisa ridícula na frente da Assembleia, uma manifestação com cinco pessoas e estas mesmas pessoas estão lá na porta da Assembleia Legislativa há dois meses fazendo greve e quando ocorre um fato deste, estas cinco pessoas fazem um chamado, fazem um auê, convocam as pessoas pelas redes sociais para aparecer e tacar farinha em cima de deputados. Fizeram deste evento um circo político. Isso houve, não há como negar. As pessoas usaram isso para atingir determinadas pessoas, para atingir determinados grupos políticos. É claro que houve, mas, infelizmente, faz parte da política.

O líder do Solidariedade na Câmara dos Deputados, deputado federal Fernando Francischini (PR), chegou a pedir ao presidente do partido, Paulo Pereira da Silva, o seu afastamento da legenda, até a conclusão do inquérito da Polícia Federal. Você chegou a temer que isso acontecesse?
Em nenhum momento. Na verdade, este episódio só me trouxe mágoa e tristeza porque preocupação com o cargo eu não tinha nenhuma, preocupação com aeronave eu não tinha nenhuma, enfim, quando se trabalha com a verdade a gente tem que estar tranquilo, a todo o momento eu estive com a consciência tranquila, não tive problemas para dormir nenhum dia. Mas é claro que o que mágoa e entristece é ver minha família, minha mãe e minhas irmãs tão magoadas e desapontadas com tudo aquilo que estava acontecendo, com as notícias vindo de uma forma desordenada, enfim, mas a minha consciência sempre esteve tranquila. Este episódio, de pedir o afastamento do partido, hora nenhuma me preocupou porque a todo o momento o presidente nacional do partido e o presidente estadual do partido já haviam me ligado e disseram que confiavam em mim e acreditavam em mim. Agora como que um deputado do Paraná pede um afastamento se nem suspeito no caso eu era. Isso pra mim nunca foi motivo de preocupação. Eu estava preocupado em ajudar a Polícia a resolver o caso, tanto foi que no mesmo dia que eu fiquei sabendo do ocorrido, me coloquei a disposição de todas as formas, a fim de achar o culpado de toda esta história que me causou este transtorno.

Em entrevista seu pai, Zezé Perrella, disse que te “aconselhou a não mexer mais com política”. Você vai ouvir seu pai?
Na verdade ele me aconselhou a nem entrar, acho que ele já previa isso tudo. Ele disse, toda a minha família me falou que eu tinha que repensar, que eu não precisava da política, que a política estava me fazendo mal, mas eu tive que discordar de meu pai e de minha família. Quando eu escolhi a vida pública eu já estava preparado para todos os desafios e eu acredito que Deus não dá uma cruz maior do que a que possamos carregar. Eu acredito que eu tinha que passar por isso e desde o momento que tudo aconteceu recebi muitas mensagens e cartas de carinho e de apoio e isso me deu muita força para passar por cima de todos estes problemas. Graças a Deus estamos virando uma página triste, mas com a certeza, mais uma vez, da nossa inocência, que fomos vítima neste caso. Eu continuo na política e com o coro mais grosso. A gente aprende e a vida é para isso, para nos trazer experiências. Eu saio desse episódio com a cabeça erguida, assim como eu entrei. Em nenhum momento eu me escondi, sempre atendi a todos que me procuraram. Saio desse episódio fortalecido e com a certeza de que as pessoas que acreditam na gente e confiam no nosso trabalho, vão continuar dando este apoio e com isso haverá a vontade para continuar fazendo este trabalho para o povo mineiro.

A Polícia Federal afirmou que não há envolvimento da família Perrella no caso do transporte de cocaína. Mesmo assim o caso teve uma repercussão muito grande. Você acha que isso, de alguma forma, pode atrapalhar seus planos para as eleições no ano que vem?
Eu fiquei feliz pelo fato da Polícia Federal ter agido rápido. No dia da prisão dos bandidos a Polícia federal já havia soltado uma nota, me isentando e isentando toda a minha família e isso foi pouco divulgado na mídia. O delegado falou com toda a imprensa que prendeu os bandidos e o piloto disse que a família Perrella não sabia de nada, que ele agiu por conta própria. Isso tudo foi dito pelo delegado no início das investigações, mas mais uma vez eu repito, o que machuca são os fatos criados, esse sensacionalismo é que cria toda uma dúvida na cabeça das pessoas que na verdade não era para ter. Tanto que a Polícia Federal emitiu uma nota oficial após as investigações nos isentando de qualquer responsabilidade sobre o fato ocorrido.

Pelo fato da aeronave ter sido abastecida em Divinópolis, você acha que poderá haver desgaste da sua imagem na cidade?
De forma alguma. Quem usar este fato para me atingir será de forma política. Tenho feito muita coisa por Divinópolis. Temos um projeto muito grande para a cidade. Levamos para a cidade uma ambulância adquirida por meio de uma emenda parlamentar minha, vamos levar outro veículo para a secretaria municipal de Desenvolvimento Social e agora uma emenda do senado que foi uma luta minha com o vereador Eduardo Print Junior que é o projeto para a construção da sede da associação de moradores do bairro Icaraí. Esse é apenas uma parte do nosso trabalho para Divinópolis. Sou da região, minha família é de São Gonçalo do Pará. Divinópolis já é bem assistida pelos deputados da cidade, são políticos que sempre trabalham em prol do município e o meu trabalho por Divinópolis é contribuir para a cidade.

 

Nota Polícia Federal

Vila Velha/ES – Em referência à investigação sobre a apreensão de cocaína em helicóptero ocorrida em 24/11 na cidade de Afonso Cláudio/ES, a Polícia Federal informa:
1 – Até o momento, não ficou configurado, a partir das provas periciais já produzidas e dos depoimentos colhidos, qualquer indício de envolvimento da empresa proprietária do helicóptero utilizado para o transporte da droga, nem de seus representantes legais;
2 – As investigações apontam envolvimento isolado do piloto da empresa com o outro piloto preso, que seria a pessoa com vinculação direta à quadrilha proprietária da droga;
3 - Quanto ao combustível usado pelo helicóptero, as provas colhidas na investigação apontam que todos os abastecimentos posteriores ao início do voo foram custeados pelo grupo criminoso, em aeroportos ou pontos clandestinos;
4 – A PF não tem competência legal para apurar eventual irregularidade no custeio pretérito de combustíveis do helicóptero pela Assembleia de Minas Gerais, fato que deve ser analisado pelo Ministério Público daquele Estado;
5 - Quanto à propriedade rural que motivou a investigação preliminar da Polícia Federal e da Polícia Militar do Espírito Santo em Brejetuba/ES (divisa com Afonso Cláudio/ES), não foi encontrada qualquer relação com o piloto ou com a empresa proprietária do helicóptero e seus representantes legais;
6 - A origem da droga e o trajeto do helicóptero ainda são objeto de investigação. Entretanto, dados preliminares indicam o Paraguai como país de origem, tendo a aeronave passado pelos Estados de Paraná, São Paulo e Minas Gerais antes de chegar ao Espírito Santo;
7 - Com a definição de que se trata de tráfico internacional, a investigação segue atualmente perante a Justiça Federal no Estado do Espírito Santo, com o acompanhamento do Ministério Público Federal.

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