Hegemonia tucana em São Paulo está ameaçada, diz analista

 No comando do Estado de São Paulo desde a eleição de Mário Covas como governador, em 1994, o PSDB nunca viu a manutenção da administração paulista tão ameaçada como agora. Essa é a avaliação do cientista político, professor e vice-coordenador do curso de administração pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Antônio Teixeira, que aponta dois fatores como justificativa: a estratégia de disputa eleitoral focada em lideranças mais experientes, sem a renovação dos quadros do partido e a crise de segurança pública que o Estado está enfrentando. "O efeito negativo do prolongamento da crise na área de segurança sobre as eleições estaduais tende a ser devastador em termos eleitorais", avaliou Carvalho Teixeira, dizendo ainda que a crise deixou o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) "paralisado" e em posição "reativa" aos ataques do crime organizado.

Ao avaliar o desempenho dos tucanos e seus aliados (PTB, DEM e PPS) nas eleições municipais deste ano, o cientista político ressaltou que esses partidos perderam representação no Estado. Em comparação, ele cita que o PT evoluiu, especialmente entre os municípios de maior porte populacional. "Nas eleições de 2012, o PSDB elegeu 173 prefeitos ante 201 em 2008, o que representou um decréscimo de 14%. Nos 10 municípios de maior porte, o partido elegeu prefeitos em apenas dois (Sorocaba e Santos) e viu seu principal adversário político (o PT) eleger o chefe do executivo em seis (dessas, apenas Ribeirão Preto e Campinas não serão administradas por PT ou PSDB)", afirmou.

Para o vice-coordenador do curso de administração pública da FGV os tucanos também terão dificuldade em ampliar seu leque de alianças para as eleições estaduais de 2014. Atualmente, PPS, DEM e PTB são seus principais aliados. "O PSD sinaliza uma aproximação com o PT. A postura do PSB, partido que se aliou tanto ao PT em São Paulo como ao PSDB em Campinas, também é uma incógnita. O PP parece fortalecer a aliança com o PT, o apoio a (Fernando) Haddad (prefeito eleito de São Paulo) indica esse caminho. Por mais que o PDT paulista tenha apoiado Serra nas últimas eleições municipais, a conjuntura nacional tende a manter esse partido na aliança com os petistas", argumenta.

Outro fator que, na opinião de Carvalho Teixeira, também ameaça a reeleição de Alckmin é a divisão do partido com relação a ideia de algumas lideranças tucanas em colocar o ex-governador José Serra na presidência nacional do PSDB. "A condução de Serra ao posto máximo de comando da legenda tucana pode ter efeito desagregador, como ocorreu com a sua entrada tardia como candidato a prefeito", apontou, lembrando que Serra não abriu seu palanque para o senador Aécio Neves (PSDB-MG) nas últimas eleições municipais em São Paulo.

Para o cientista político, a "luz amarela" que acendeu para o PSDB em São Paulo prejudica, inclusive, o plano nacional do partido para as próximas eleições presidenciais, capitaneado por Aécio Neves. "Se ele não contar com o PSDB e aliados fortes em São Paulo, a sua candidatura presidencial em 2014 pode se inviabilizar. Dos cerca de 140 milhões de eleitores brasileiros, mais de 30 milhões (22%) residem em território paulista. Se a vitória de Dilma em Minas Gerais em 2010 foi considerada uma peça-chave para a derrota de José Serra em razão do baixo desempenho do tucano naquele Estado, o mesmo pode ocorrer de maneira invertida em 2014: um bom desempenho de Aécio em seu território poderá ser anulado por uma possível fragilidade eleitoral do PSDB junto aos eleitores paulistas", concluiu. 

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