sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2015 10:32h Atualizado em 27 de Fevereiro de 2015 às 10:37h. Jotha Lee

Indicação de Superintendente de Ensino divide o PT e motiva duras críticas contra o partido

A divisão do Partido dos Trabalhadores em Divinópolis vem sendo exposta nos últimos anos e o reflexo são as eleições municipais

O partido ficou oito anos sem um representante na Câmara Municipal.
Depois de Manoel Cordeiro, vereador de 2001 a 2004, somente na eleição de 2012 os petistas conseguiram emplacar novo parlamentar, com a eleição de Edmilson Andrade. Essa divisão interna do partido, tratada com sutileza pelos militantes, que embora insatisfeitos mantinham entre si um código de silêncio, foi agora exposta de vez com a nomeação do professor Silvio Faria Novais para a 12ª Superintendência Regional de Ensino (SRE).
O PT em Divinópolis está hoje dividido em duas correntes. De um lado está a ala que segue o deputado federal Rogério Corrêa e do outro a ala de Beto Cury, que comanda o diretório municipal. A indicação de Silvio Faria para a Superintendência de Ensino foi defendida pelo diretório municipal, enquanto a ala de Rogério Corrêa defendia o nome da professora Teresa Martins, escolhida pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (SindUTE).
Para o jornalista João Chaves, um dos fundadores do PT na cidade e integrante da ala de Rogério Corrêa, o PT não respeitou a vontade dos professores, que em uma reunião plenária promovida pelo SindUTE em dezembro escolheu por unanimidade o nome de Teresa Martins. João Chaves diz que o nome de Silvio Faria foi articulado pelo deputado Reginaldo Lopes, com apoio do diretório do PT em Divinópolis. “Ele [Reginaldo Lopes] está montando seu tabuleiro político para 2018, porque quer ser eleito senador”, disparou.
João Chaves admitiu que há um racha no partido e criticou a atuação do presidente do diretório local, Renato Delgado. “Há um racha, sim. O discurso é um e a prática é outra. O presidente do partido se isolou. A mesma dificuldade que você tem em falar com ele a gente também tem”, acrescentou.

SindUTE
O Sindicato dos Professores se manifestou através de uma nota oficial divulgada ontem. Na nota, o SindUTE diz que a indicação de Teresa Martins pela vontade dos professores foi motivada por sua qualificação pedagógica, cujo nome também está desvinculado de partidos políticos e do meio sindical.
Diz ainda que o nome foi aclamado por unanimidade e toda a documentação relacionada à plenária foi enviada ao governo do Estado. “Porém, em Divinópolis prevaleceu a velha política do toma-lá dá-cá. Foram feitos acordos para distribuição de cargos, acordos com os quais não concordamos e nem seremos coniventes”, afirma a nota do Sindicato.
Alheio à disputa interna dentro do PT, o professor Sílvio Faria foi formalmente empossado ontem, numa solenidade ocorrida em Belo Horizonte. “A posse ontem foi somente para cumprir obrigações burocráticas, já a posse definitiva, quando vou assumir o cargo de fato, ainda não tem data definida pela Secretaria de Educação”, explicou em entrevista à Gazeta do Oeste.
Sobre a rejeição de sua indicação pelo Sindicato dos Professores e a divisão interna do PT, Silvio Faria disse receber esse debate com tranquilidade, que em sua opinião é parte do jogo democrático. “Faz parte da política. Tenho muito respeito pelo SindUTE até porque já participei dele. As portas da Superintendência estarão sempre abertas para o Sindicato. Não vai haver nada de radicalismo ou revanchismo. Tudo isso faz parte da democracia”, finalizou.
Durante todo o dia de ontem a reportagem tentou contato com o presidente do diretório municipal do PT, Renato Delgado, já que ele foi apontado por correntes petistas por apoiar o nome de Silvio Faria, cumprindo determinação do deputado federal Reginaldo Lopes. Delgado também foi acusado de evitar o diálogo com as correntes contrárias. Dezenas de telefonemas foram feitos para a residência de Delgado pela reportagem, porém nenhuma deles foi atendida.

 

Crédito: Reprodução/Facebook

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