terça-feira, 8 de Outubro de 2013 06:09h Atualizado em 8 de Outubro de 2013 às 07:46h. Carla Mariela

Jaime Martins relata que sua decisão de sair do PR foi amadurecida há mais de um ano

Jaime Martins afirma que se filiou ao PSD de forma consciente, visando à possibilidade de disputar uma eleição majoritária para o próximo pleito. Segundo ele, o presidente Kassab já deu indicativos de que deve acompanhar

O deputado federal, Jaime Martins, em coletiva de imprensa ontem pela manhã, no Edifício Costa Rangel, pronunciou sobre a sua mudança de partido. Martins ressaltou que a mudança do Partido Republicano (PR) para o Partido Social Democrático (PSD) ocorreu por meio de muita reflexão e que já vinha amadurecendo esta ideia há mais de um ano.
De acordo com Martins, ele entrou no PR que era até então PL, a convite do ex-presidente José de Alencar, em uma ocasião que estava iniciando o primeiro governo do Luiz Inácio Lula da Silva. Martins explicou que era um momento em que o Brasil passava por uma transformação e que os brasileiros estavam muito esperançosos com esse novo governo.
Segundo o deputado, naquela circunstância ele tinha na pessoa do José Alencar uma referência positiva na vida pública. “Em seguida o PL foi se transformando, perdeu o José de Alencar, e eu estive quase saindo junto com ele, mas a alternativa política que ele buscou naquele momento não me caberia”, destacou.
Atualmente surgiram as discussões do mensalão e outras coisas que ajudaram a desgastar, conforme Martins, a sua relação interna no partido e veio a culminar com a decisão de desfiliar. “Filiei ao PSD pois é um partido de centro, com a mesma linha de coerência ideológica, um partido com muitos parlamentares que eu já convivi tanto no PFL quanto no próprio PL, é um partido que tem 7 deputados federais, 6 estaduais, tem todas as condições de disputar eleição majoritária no estado porque tem estrutura partidária para isso. Nos filiamos de forma consciente, visando esta possibilidade de disputar uma eleição majoritária para o próximo pleito. O posicionamento do PSD é semelhante ao posicionamento do PR, ele é base no governo federal embora não participe de nenhum ministério. O presidente Kassab já deu indicativos de que o presidente deve acompanhar a candidatura de Dilma Rousseff a nível federal. À nível estadual o partido também é base, tem secretarias no governo Anastasia e a discussão futura de quem vai apoiar Minas Gerais passa a ser feita a partir de agora com as novas filiações”, abordou.
À nível nacional, o deputado afirmou que o PSD embora já esteja com indicativos de apoiar a Dilma Rousseff, ele ainda acha que essa discussão é precoce. Ele frisou que os mineiros terão que se posicionar de forma muito clara porque haverá dois presidenciais de Minas Gerais: Dilma Rousseff e Aécio Neves. “Nós temos que considerar isso e possivelmente a gente possa apoiar a candidatura do Aécio. Hoje estão se encaminhando dois candidatos para a disputa majoritária, que é uma disputa de governador, vice e senador. O ministro Fernando Pimentel (PT) provavelmente repetirá em Minas a coligação nacional com o PMDB. Esses dois partidos devem ter duas vagas na eleição majoritária. O PSD pode ocupar esta terceira vaga. O fato é que vamos ter uma disputa bem acirrada em Minas. O PSD dialoga com o PSDB e com o PT. O ministro Pimentel naturalmente por estar há mais tempo na estrada terá seu nome na dianteira das pesquisas. Certamente haverá um esforço maior do PT, mas sabemos que é indiscutível a força do grupo que está no poder de Minas há 12 anos e que regimenta a maioria dos partidos políticos”, enfatizou.
O parlamentar ainda esclareceu que do lado do PT, o PMDB hoje já possui o senador Clesion Andrade, podendo disputar a reeleição ao senado, o que sobraria a vaga de vice na chapa de Pimentel. Também do lado do PSDB, se tiver Pimenta disputando pelo partido e Anastasia disputando o senado também pelo PSDB certamente vão precisar de um segundo partido para compor esta chapa dentro dos maiores partidos de Minas que são PT, PMDB, PSDB.  O PSD surge para Martins de forma muito natural como a quarta força em termos de estrutura política, tempo de televisão, o que deverá compor uma das duas chapas.
Sobre questionamentos relacionados ao mensalão e ao PT, uma vez que este partido estaria envolvido no mensalão, Martins assegurou que chegou até a cogitar a possibilidade de abandonar a vida pública em função de desgosto com tudo que tem ocorrido, de se sentir um pouco impotente quanto a fazer as transformações que ele gostaria. “O presidente do PSD deu indicativos de que poderá apoiar o PT, mas não é uma coisa certa, será decidido na convenção no mês de junho. Eu quero acreditar que a presidente Dilma pode até ter defeitos, mas eu a considero uma pessoa de bem”, completou.
Já sobre a relação com o governo municipal, ele relatou que está à disposição da administração do prefeito Vladimir Azevedo (PSDB), assim como esteve a disposição de todos os anteriores.

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