terça-feira, 4 de Setembro de 2012 09:59h Gazeta do Oeste

Lewandowski condena ex-presidente de banco por gestão fraudulenta

O ministro revisor da ação penal 470, Ricardo Lewandowski, votou pela condenação de Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural, por gestão fraudulenta de instituição financeira. "Entendo caracterizado o delito no tocante à ré Kátia Rabello", concluiu o ministro no fim da tarde desta segunda-feira (3/9), no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

Lewandowski começou a leitura do seu voto sobre o item cinco da denúncia do processo do mensalão ainda hoje, após o voto do ministro relator Joaquim Barbosa. Além de Kátia Rabello, respondem por fraude na gestão os ex-dirigentes do Banco Rural José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório. Barbosa condenou os quatro.

Em seu voto, Lewandowski disse que as provas indicam que houve “deliberada ação de gestores com intuito de diminuir o risco das operações”, o que, entre outras ações, traduz-se “iminente ato de gestão fraudulenta”.

Além de Kátia, o réu José Roberto Salgado, ex-diretor do Banco Rural na época do mensalão, também foi condenado pelo mesmo crime. O voto do ministro sobre os outros dois réus ficou para a próxima sessão, que vai ocorrer na quarta-feira (5/8). Segundo Lewandowski, a exposição sobre Vinícius Samarane e Ayanna Tenório é longa.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, a gestão fraudulenta do banco permitiu a alimentação de esquema de corrupção, a lavagem de dinheiro de recursos públicos desviados e a distribuição da verba entre os políticos aliados ao governo, ocultando sua origem. Barbosa listou várias irregularidades na gestão do Banco Rural, entre elas a concessão de empréstimos no valor de R$ 32 milhões ao PT, à SMP&B Comunicação e à Graffiti, sem que os clientes tivessem capacidade financeira para garantir a quitação do débito.

Segundo o relator, o Banco Rural descumpriu o manual interno para empréstimo ao PT, sem garantias suficientes e sem parecer da assessoria de crédito. Ele tratou o caso como uma "cadeia de ilicitudes praticadas pelos diretores do Banco Rural". De acordo com ele, a garantia do empréstimo de R$ 3 milhões do Banco Rural ao PT era apenas a palavra de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e do publicitário Marcos Valério. 

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