Líder do PT na Câmara questiona credibilidade do depoimento de Valerio

O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), classificou de "opinião de um réu" o depoimento dado ao Ministério Público pelo publicitário Marcos Valério, a quem também chamou de "futuro presidiário". Valério foi condenado no processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Reportagem publicada na edição desta quinta-feira do jornal O Estado de S.Paulo revela que Valério envolveu o ex-presidente Lula e o ex-ministro Antonio Palocci no mensalão em depoimento prestado ao Ministério Público no mês de setembro. O publicitário foi condenado pelos crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e peculato. No julgamento, ele foi apontado como o operador do esquema.

"Ele não tem a menor credibilidade. É a opinião de um réu, um futuro presidiário. É a opinião de um desqualificado que não tem nenhuma credibilidade", disse Tatto. O líder disse ainda estranhar o fato de Valério fazer isso só agora. Segundo Tatto, o Ministério Público tem de fazer o que achar que deve com as declarações de Valério.

Setores petistas avaliam que Valério está desesperado e procurando um jeito de ser útil para tentar reduzir a pena. Ele foi condenado a 40 anos de prisão, mas a pena ainda pode ser revista. Há um entendimento entre esses petistas de que foi feita uma investigação profunda sobre as denúncias e que esse novo depoimento de Marcos Valério não vai ter impacto no processo na Justiça.

A reportagem informa que Valério estaria propondo ao Ministério Público sua inclusão no programa de proteção a testemunhas em troca de fornecer mais detalhes sobre o esquema. Durante o julgamento, a maioria dos ministros do Supremo considerou que houve desvio de dinheiro público para a compra de votos de parlamentares e apoio político nos primeiros anos do governo do presidente Lula. De acordo com o depoimento revelado na reportagem, o publicitário teria recebido ameaças de morte.

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