quinta-feira, 18 de Outubro de 2012 11:01h Gazeta do Oeste

Lula diz que não teme ser julgado pelo caso do mensalão

 Durante sua passagem por Buenos Aires, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou-se nessa quarta-feira a falar com os correspondentes brasileiros na capital federal, mas concedeu uma longa entrevista exclusiva ao jornal local La Nación. Lula falou sobre temas espinhosos para o governo de Cristina Kirchner, entre eles inflação, reeleição de mais de dois mandatos consecutivos e liberdade de imprensa. O ex-presidente evitou fazer comentários diretos sobre o caso do mensalão. Porém, disse que não teme a possibilidade de também ser processado porque já foi julgado pela população, quando Dilma Rousseff foi eleita.

 

"Um ex-presidente não pode estar opinando sobre o que a Suprema Corte está fazendo. Vamos esperar que termine o processo", disse Lula, ao ser indagado sobre se tem alguma autocrítica em relação ao caso que condenou ex-ministros e líderes de seu governo. "Eu já fui julgado. A eleição de Dilma foi um julgamento extraordinário. Para um presidente com oito anos de mandato, terminar com 87% de aprovação é um tremendo julgamento. Não me preocupo de jeito nenhum", afirmou.

 

Em um momento em que o governo de Cristina Kirchner trabalha para obter maioria absoluta no Congresso com o objetivo de reformar a Constituição e garantir a possibilidade de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, Lula opinou que "a democracia é um exercício de alternância de poder, não só de pessoas, mas de setores da sociedade". Com base nessa crença, segundo explicou, proibiu seu partido de apresentar qualquer tipo de emenda constitucional propondo sua segunda reeleição, mesmo tendo 87% de aprovação popular. Ao comentar sobre Hugo Chávez, que recentemente conquistou seu quarto mandato presidencial na Venezuela, Lula elogiou o líder e defendeu sua reeleição, mas opinou que o venezuelano "deve começar a preparar sua sucessão".

 

Perguntado sobre se voltaria a ser presidente do Brasil, Lula afirmou que "isso não se discute no Brasil porque creio que é um direito da presidente (Dilma) ser candidata à reeleição". O ex-presidente afirmou que "um político nunca pode descartar" uma candidatura. "O problema é que, cada vez que fazem essa pergunta se eu digo que não descarto, a imprensa diz: 'Lula admite que vai ser candidato'. Se eu digo o contrário, dizem: 'Lula nunca mais vai ser presidente'. Eu sou um político e creio que já cumpri minha parte", ponderou o ex-presidente.

 

 

 

 

 

 

 

 

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