sexta-feira, 11 de Novembro de 2011 11:21h Atualizado em 12 de Novembro de 2011 às 08:23h. Flávia Brandão

Mais um conflito na Câmara Municipal

Vereadora Heloísa Cerri disse que ficou “assustada” com atitude “arbitrária” do Pastor Paulo César, ontem, de tentar barrar seu discurso sendo que ela mal havia começado a se pronunciar. A edil rebateu os justificativas do presidente

A Câmara Municipal trouxe, ontem (10), mais um conflito protagonizado por ação do presidente da Casa, Pastor Paulo César (PRB). Dessa vez o fatofoiocasionado pela interrupção do presidente ao discurso da vereadora Heloísa Cerri (PV) embasando no artigo 73, inciso III, do Regimento Interno. No entanto, o artigo citado nada coincidiu com a postura da parlamentar em plenário, já que a mesma mal tinha começado seu pronunciamento. A parlamentar rebateu a argumentação do presidente conseguindo garantir o seu direito a fala e trouxe fatos novos relativos ao conflito administrativo e a argumentação da Secretaria geral, Vanícia Rocha, no uso da tribuna livre.


Heloisa Cerri foi apoiada pelos colegas parlamentares Beto Machado (PSDB) e Edson Sousa (PSB) publicamente em plenário já que o presidente não utilizou o regimento da forma devida. Diz o artigo 73: “Ao Presidente, como fiscal da ordem, compete tomar as providências necessárias ao funcionamento normal das reuniões, especialmente: III - interromper o orador que se desviar do ponto em discussão, falar sobre matéria vencida, bem como faltar à consideração para com a Câmara Municipal, sua Mesa Diretora, suas comissões ou algum de seus membros e, em geral, para com representantes do Poder Público, chamando-o à ordem ou retirando-lhe a palavra”. 


Apesar de ter o direito de tomar providências relativas à manutenção da ordem a atitude do presidente foi “arbitrária” ao ver da vereadora, uma vez que a edil em momento algum faltou com consideração a Mesa e não falou sobre “matéria vencida”. A vereadora defendeu que trazia fatos novos e relevantes que rebatem e mostram verdades sobre o ataque da servidora Vanícia Rocha, quando do uso da tribuna livre.  Criticou o presidente dizendo que quando a secretaria geral usou a tribuna para destrata a vereadora o presidente não lembrou do respeito ao regimento.


Em seu pronunciamento, Heloísa Cerri falou sobre a declaração do presidente da Associação dos Servidores da Câmara Municipal de Divinópolis (ASCAMDI), Marco Silva, a um site de notícias da cidade. A parlamentar leu o texto da noticia, e parabenizou Marco por trazer a verdade a público dizendo que a servidora Vanícia não falou em nome da entidade já que a ideia combinada era de fazer um discurso de caráter técnico e não politizado. Marco disse que se sentiu usado e que em nenhum momento mandou oficio ao presidente da Câmara Municipal para liberação dos servidores no horário do uso da tribuna.


A vereadora disse que ficou “assustada” com a atitude do presidente e nunca – de acordo com os vereadores de mais mandatos - foi vista uma atitude “arbitrária”como essa na Câmara. Ela alega que está assegurada peloRegimento e pela Constituição Federal (Arto 29, parágrafo 8) que lhe garante liberdade e autoridade de se expressar no plenário. “Vimos um atitude do Pastor que realmente me assustou, enquanto se prega como um homem justo o que foi feito hoje nesse parlamento, todas as justificativas que ele usou nenhuma essa vereadora estava faltando”, disse.


Sindicância


A parlamentar disse que a sindicância solicitada para apurar o repasse de informações sobre seu contracheque a determinado jornal, até agora não teve nenhum retorno, mas ela espera que a justiça seja feita e os devidos autores punidos pelas suas atitudes que a desrespeitou como cidadã e enquanto vereadora.  


O presidente do Legislativo, Paulo César, foi procurado pela Gazeta do Oeste para justificar seu posicionamento, no entanto, o mesmo não quis se pronunciar alegando que tinha uma reunião e não poderia conceder nem um minuto de entrevista. 

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