quinta-feira, 15 de Outubro de 2015 10:10h Atualizado em 15 de Outubro de 2015 às 10:16h. Jotha Lee

Manifesto em defesa do patrimônio ambiental de Divinópolis será assinado hoje

Sociedade se revolta contra a destruição do meio ambiente e inicia mobilização

O recente loteamento autorizado pela prefeitura no Morro de São Francisco (Morro das Antenas) foi o estopim para uma grande manifestação da sociedade divinopolitana que será lançada hoje contra a devastação ambiental na cidade. O loteamento no Morro das Antenas está provocando uma das maiores devastações ambientais na área urbana e, apesar de todo o licenciamento necessário ter sido fornecido pelo município, pode estar em choque com o Plano Diretor aprovado pela Câmara no ano passado, que no seu artigo 51 classifica o Morro como Área Especial Localizada, o que na prática significa “área de preservação”. Embora haja essa previsão no Plano Diretor, o licenciamento foi concedido e o loteamento continua sendo aberto a todo vapor, causando uma enorme devastação ambiental, tanto para a fauna, quanto para a flora. O assunto continua sendo avaliado pelo promotor do Meio Ambiente, Alessandro Garcia Silva, que na semana passada recebeu uma representação pedindo o embargo da obra.
A liberação do loteamento no Morro das Antenas para a construção de um condomínio vertical fechado motivou a união de dezenas de cidadãos, entre ambientalistas e profissionais liberais, que vão assinar hoje um manifesto em solenidade pública marcada para 19h, na Praça da Catedral. Além dos profissionais já compromissados com a iniciativa, também é esperada a adesão de cidadãos preocupados com o meio ambiente na cidade.

 

 

MOBILIZAÇÃO
A mobilização surgiu a partir de uma sugestão do ex-prefeito Aristides Salgado. Arquiteto, urbanista e professor, o ex-prefeito é um defensor das cidades mais humanizadas, com projetos arrojados na defesa do meio ambiente e infraestrutura que privilegie a qualidade de vida. Na semana passada, ao vir a público a discussão sobre o loteamento no Morro das Antenas, numa conversa com a psicóloga socioambiental, Hélcia Veriato Correa, fundadora da ong Lixo e Cidadania, o ex-prefeito sugeriu uma mobilização para tentar estancar a devastação ambiental que toma conta da cidade.
De imediato Hélcia Veriato aceitou o desafio e começou a mobilização que vai ser referendada hoje com a assinatura do manifesto em defesa do meio ambiente em Divinópolis. “O espaço urbano deve nascer em harmonia com a natureza e a sociedade. Precisamos de praças, jardins, dos parques e, enfim, espaços verdes, arborização urbana, que contribuam com o micro clima, com a preservação dos cursos d’água e sua perenidade”, afirma.Para ela, a questão ambiental em Divinópolis exige medidas emergenciais. “Estudos recentes confirmam que em relação a outros município, Divinópolis, já teve de 2 a 3 graus elevados na sua temperatura, e a incidência do câncer de pele aumentou”, assegura.
O manifesto a ser assinado hoje é apenas o início de uma ação maior que se pretende criar na cidade em defesa do meio ambiente. A ideia é defender especialmente a preservação do Morro das Antenas, Mata do Noé, Lagoa do Sidil, Rio Itapecerica e garantir a sobrevivência de todas as áreas de preservação previstas em lei. “Só haverá a preservação destes patrimônios naturais, se a sociedade divinopolitana reconhecer sua importância para a qualidade de vida da cidade”, afirma a psicóloga socioambiental.
Após a assinatura do manifesto hoje a noite na Praça da Catedral, o documento será encaminhado ao prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) e outras autoridades municipais, inclusive do Ministério Público. “É o embrião que pode se transformar numa união de forças em defesa do nosso patrimônio ambiental. Da forma como o meio ambiente vem sendo tratado em Divinópolis, se não houver conscientização em massa e um trabalho unificado, não é muito difícil prever que em um futuro muito próximo Divinópolis poderá enfrentar acidentes climáticos graves, inclusive com desabastecimento”, assegura Jairo Gomes Viana, da ong SOS Rio Itapecerica. 
Na sessão da Câmara do dia 6 de outubro, Hélcia Veriato ocupou a tribuna livre, ocasião em que pediu maior participação do Legislativo da política ambiental do município, além de criticar os critérios adotados pela prefeitura para a autorização de cortes de árvores na área urbana. “A arborização urbana é muito importante para a qualidade de vida e não pode ser tratada como vem acontecendo nos últimos anos. Sem planejamento, sem acompanhamento, sem profissionais qualificados para isso, sem ferramentas adequadas e sem o manejo correto. Nós vamos continuar plantando e a prefeitura vai continuar cortando”, alertou a psicóloga ambiental no seu discurso aos vereadores.

 

Créditos: Liziane Ricardo

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