quinta-feira, 25 de Outubro de 2012 07:43h Gazeta do Oeste

Mensalão dá o tom do debate entre Serra e Haddad

 O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi o "ponto alto" do debate promovido pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e o UOL entre os candidatos que disputam o segundo turno à Prefeitura de São Paulo. Numa pergunta do petista Fernando Haddad sobre o combate à corrupção na gestão pública, o tucano José Serra viu a deixa que precisava para interpelar seu oponente sobre ética. "Não podemos deixar de mencionar o mensalão. Isso não é suspeita não, é condenação (no STF)", comentou o candidato do PSDB, que seguiu no ataque: "Vai querer repetir o mensalão aqui?", provocou.

O candidato do PT acusou seu adversário de desrespeitá-lo e disse que sua postura "chega às raias da insanidade". Exaltando sua "reputação ilibada", Haddad manteve o dedo em riste e citou o escândalo envolvendo o diretor responsável pela aprovação de empreendimentos imobiliários na capital paulista, Hussain Aref Saab, que teria multiplicado seu patrimônio nos últimos anos. "É com isso que estou preocupado em São Paulo", afirmou Haddad. Em sua resposta, Serra disse que Aref foi assessor do alto escalão da gestão Marta Suplicy (2001-2004) e que o atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD), tomou providências para apurar as denúncias. Para Serra, Kassab se transformou em "capeta" para os petistas porque não apoiou a sigla nesta eleição.

Ao insistir no julgamento do mensalão, Serra disse que o maior escândalo do governo Lula envolve o PT e seu método de trabalho. Segundo o tucano, Haddad "está envolvido com o partido que fez o mensalão". Quando respondeu a uma pergunta sobre saúde, o petista explorou a renúncia de Serra no governo municipal (2006) e voltou à questão das denúncias de corrupção na gestão de Kassab. "No governo federal, se apura. Aqui, é para baixo do tapete", rebateu o petista.

Haddad também procurou colocar em seu adversário a pecha de que não se importa com a população mais carente. Ao falar sobre segurança pública, o petista citou os elevados números da violência na cidade e o "extermínio na periferia". Mais adiante, Serra perguntou sobre propostas para a área de cultura e solicitou que Haddad não viesse com questões sociais. "Sei que você não liga para a questão social. É do seu perfil", alfinetou o petista. Já Serra disse que investiu no social e citou seus feitos na área de habitação. "Ganhamos prêmios internacionais nesta matéria", afirmou.

Ao responder a Serra sobre como pretendia investir na recuperação de dependentes de drogas, Haddad aproveitou para mencionar a operação dos governos estadual e municipal na Cracolândia, a qual chamou a ação de "desastrosa" por criar "dezenas de cracolândias" pela cidade. Serra reagiu e disse que o governo federal "não fez praticamente nada" sobre o tema e Haddad aproveitou para comentar uma entrevista recente do tucano onde ele defendeu o monitoramente de menores com propensão ao crime e ao uso de drogas. "Onde você estava com a cabeça quando propôs isso?", questionou o petista. "Vai fazer isso em escola particular? É para rico ou para pobre?", disse em tom de ironia. Serra defendeu o atendimento nas escolas para quem praticar violência e disse que a colocação de Haddad era "uma infâmia".

Haddad também confrontou seu adversário sobre programas antienchentes na cidade e, citando dados do governo estadual, disse que Serra não limpou a calha do Rio Tietê quando foi governador (2006-2010), o que teria provocado inundações no Jardim Pantanal, na zona leste. "Isso é um documento oficial do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a não ser que ele faça parte da rede petista", afirmou Haddad. O tucano disse que há dois anos não há vítimas de enchentes na cidade devido a instalação de um parque linear na várzea do Tietê e de projetos de despoluição de córregos. No final do encontro, Haddad se colocou como o "candidato da mudança", que fez uma campanha propositiva e com metas em seu plano de governo. Já Serra destacou suas realizações e sua "ficha limpa". "Não vou governar para patotas, partidos, não vai ter desempregado do mensalão", emendou.

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