quinta-feira, 30 de Abril de 2015 10:01h Atualizado em 30 de Abril de 2015 às 10:32h. Jotha Lee

Meta na Prefeitura é reduzir 20% dos gastos em cada secretaria

Corte de 1/5 do orçamento vai paralisar serviços e novos investimentos

Em reunião com o secretariado no dia 30 de março, na Fiemg Regional, o prefeito, Vladimir Azevedo (PSDB), determinou economia de guerra na Prefeitura. A situação financeira do município continua crítica, com dívidas em atraso com credores, obras paralisadas e um déficit superior a R$ 100 milhões na execução orçamentária somente no primeiro bimestre do ano. A única saída encontrada pelo Executivo, para evitar um colapso total nas contas públicas, foi a redução de despesas, além de algumas medidas de contenção de gastos tomadas no ano passado, cujos resultados ficaram longe do necessário.
Em entrevista concedida à Gazeta do Oeste no dia 25 de novembro do ano passado, o secretário municipal de Fazenda, Antônio Castelo, admitiu que as medidas de contenção de gastos adotadas em 2014 não foram suficientes. “Na realidade não há como essas medidas estancarem o problema em sua totalidade. É preciso ser feito por etapas para que não haja um reflexo muito grande na administração e essas medidas têm sido tomadas de acordo com as necessidades. As medidas tomadas foram eficazes, mas não o suficiente”, afirmou.
Na reunião com o secretariado ocorrida no dia 30 de março, Vladimir Azevedo pediu lealdade e comprometimento de todos e determinou que cada secretário apresente um plano de contenção de gastos. A Gazeta do Oeste apurou que o prefeito quer 20% de economia em todas as pastas, o que na opinião de alguns titulares de secretarias, vai inviabilizar muitos projetos. Um secretário ouvido pela reportagem ontem garantiu que haverá suspensão de investimentos, paralisação de obras e cortes drásticos em compras. “Se não for assim, não tem jeito. Economizar 20% em uma estrutura administrativa não é fácil”, disse ele.

 

PROPOSTAS
Essa semana a Gazeta do Oeste solicitou à Prefeitura a relação das secretarias que já apresentaram propostas de contenção de gastos, porém não houve retorno. Sabe-se que até agora somente a Secretaria de Educação havia elaborado um plano de corte de gastos. Porém, a proposta acabou chegando à imprensa e causou enorme constrangimento ao Executivo, já que havia sugestões extremas, como o fechamento de escolas e redução do transporte escolar.
Na semana passada, ao receber representantes dos servidores públicos que protestam contra prováveis cortes na saúde e educação, o prefeito Vladimir Azevedo reafirmou as dificuldades de caixa do município e mais uma vez transferiu o problema para a crise econômica que afeta o país. Segundo ele, as dificuldades nem sempre são responsabilidade da Prefeitura, atrelando o momento a uma crise federativa.
“O Governo Federal e do Estado promoveram cortes de despesas e a prefeitura de Divinópolis, assim como a maioria dos municípios brasileiros, também segue o mesmo caminho para readequar os custos”, garante o prefeito. “Essa readequação financeira é necessária, mas sem que haja prejuízos ao cidadão. Temos que manter a cidade funcionando”, assegura.
O secretário ouvido pela Gazeta do Oeste disse que algumas propostas de redução de custos já estão na mesa do chefe do Executivo. Vladimir Azevedo e o Conselho de Acompanhamento Financeiro estão analisando as medidas sugeridas. Até agora nenhum corte proposto foi colocado em prática.
Para entender as dificuldades financeiras da Prefeitura, basta verificar a discrepância entre a receita orçada e a arrecadação real no ano passado. De acordo com o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), em 2014 a Prefeitura de Divinópolis arrecadou R$ 491.892.332,87, enquanto a previsão orçamentária era de R$ 589,3 milhões. O saldo negativo de R$ 97.432.667,13, significa que a Prefeitura arrecadou 16,53% menos que a previsão feita pelo orçamento municipal.

 

Crédito: Jotha Lee

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