sábado, 17 de Novembro de 2012 05:08h Gazeta do Oeste

Milhões fazem greve contra medidas de austeridade anticrise na Europa

Policiais e manifestantes entraram em confronto ontem (14) na Espanha, em Portugal e na Itália, num dia em que milhões de pessoas faziam greve para protestar contra as medidas de austeridade dos governos europeus contra a crise econômica na região.

 


Centenas de voos foram cancelados, fábricas e portos foram fechados, e o movimento de trens quase parou na Espanha e em Portugal, onde sindicatos fizeram sua primeira greve geral coordenada, de 24 horas, para protestar contra cortes nos gastos públicos.

 


As lideranças sindicais dos dois países argumentam que as medidas de austeridade que os governos adotaram para tentar superar a crise apenas provocaram mais pobreza e aprofundaram os problemas da região.

 


Milhões de pessoas aderiram às greves nos dois países.

 


Na espanha, pelo menos 60 pessoas foram detidas e 34 ficaram feridas em confrontos, segundo o Ministério do Interior.

 


Sindicatos de Grécia, Itália, França e Bélgica também planejaram paralisações ou manifestações como parte do "Dia Europeu de Ação e Solidariedade".

 


Na Itália, policiais ficaram feridos em protestos em Milão, em Torino e na capital, Roma.
A greve na Espanha foi convocada pelos dois principais sindicatos do país, a União Geral de Trabalhadores (UGT) e as Comissões Operárias (CO). O consumo de energia caiu 11%, à medida que fábricas desligaram suas linhas de produção.

 


Em Portugal, várias atividades eram afetadas pela greve geral contra o governo de centro-direita.
Os transportes estavam paralisados ou com serviços reduzidos na capital, Lisboa. Os trens  estavam praticamente sem funcionar e o metrô ficou fechado. Funcionários do setor de saúde também aderiram à greve.

 


Cerca de 5 milhões de pessoas, ou 22% da força de trabalho, são sindicalizadas na Espanha. Em Portugal, cerca de um quarto da força de trabalho de 5,5 milhões é sindicalizada.

 

Crise

 


Credores internacionais e alguns economistas dizem que os programas de aumento de impostos e cortes de gastos são necessários para colocar as finanças públicas de volta num caminho saudável após anos de gastos excessivos.

 


Apesar de vários países do sul da Europa terem sofrido explosões de violência, um protesto coordenado e eficaz regional contra a austeridade ainda não ganhou força e os governos até agora basicamente conseguiram manter suas políticas.

 


A Espanha, onde a crise elevou o desemprego a 25%, tem visto alguns dos maiores protestos e o primeiro-ministro Mariano Rajoy está tentando evitar ter que pedir um ajuda europeia, que poderia exigir cortes orçamentários ainda maiores.

 


Os espanhóis estão furiosos que os bancos tenham sido resgatados com dinheiro público, enquanto as pessoas comuns sofrem. Uma mutuária espanhola cometeu suicídio na semana passada enquanto oficiais de justiça tentavam despejá-la de sua casa por falta de pagamento da hipoteca.

 


Em Portugal, que aceitou uma ajuda da UE no ano passado, as ruas têm ficado mais calmas, mas a oposição pública e política à austeridade é clara, ameaçando arruinar novas medidas pretendidas pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

 


Seu governo de centro-direita foi forçado a abandonar um aumento planejado de encargos trabalhistas diante de enormes protestos populares, mas o substituiu por mais impostos.
 

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