Ministério Público Federal denuncia "novo braço" da máfia dos sanguessugas

 O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou na 2ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais denúncia em que sustenta que o esquema de corrupção conhecido nacionalmente como escândalo dos sanguessugas alçou seus tentáculos além do Ministério da Saúde – onde teve origem, com desvios de verbas para compras de ambulâncias –, se estendendo também ao Ministério das Comunicações, à época comandado por Hélio Costa (PMDB). A investigação se baseou em depoimentos judiciais prestados pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, dono da empresa Planan, pivô das denúncias do Ministério da Saúde. Além dele, figuram como réus da ação o deputado federal João Magalhães (PMDB); o ex-prefeito de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, deputado estadual José Bonifácio Mourão (PSDB); e um servidor público da cidade, Fernando Antônio Pinto.

 

Segundo o MPF, Vedoin soube, pelo deputado João Magalhães, de uma emenda parlamentar liberada pelo Ministério das Comunicações, no valor de R$ 350 mil, o que originou um acordo entre os dois. O grupo da Planan, de Vedoin, foi o contratado para prestar um serviço que prepararia ônibus, equipados com computadores e internet, destinados ao ensino de informática em áreas rurais. Em troca, o empresário teria pago R$ 42 mil a Magalhães, entregues pessoalmente em notas de R$ 50. No depoimento, Vedoin afirma ainda que Magalhães teria indicado “pessoas de confiança” para serem os contatos da Planan na Prefeitura de Governador Valadares.

 

 

A denúncia do MPF acusa fraude no próprio edital de licitação, que teria sido elaborado por membros da própria Planan. Segundo o texto, em 2010, quando o ministério foi vistoriar a aplicação de seus recursos transferidos para Valadares, o chamado “telecentro móvel” estava parado havia mais de dois anos na garagem da Secretaria Municipal de Obras. O motivo era falta de manutenção, e todos os equipamentos apresentavam defeitos.

 

 

Além da Planan, duas empresas participaram da licitação: a Marco Polo S.A. e a Valadares Diesel Ltda. Com um valor de R$ 349 mil, a proposta vencedora, da empresa de Vedoin, apresentava o fornecimento de um ônibus Marcopollo Volare V8. O preço do veículo, no entanto, era “sensivelmente mais baixo” do que o apresentado pela própria empresa que fabricava o ônibus, a Marco Polo S.A.

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