segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013 05:41h Atualizado em 25 de Fevereiro de 2013 às 05:43h. Carla Mariela

Moradores do Alto São Vicente cobram explicações do Poder Executivo sobre aluguel social

A orientadora da Comissão que foi montada pelos moradores afirmou que as casas já foram alugadas e as famílias estão neste aluguel social que não está dando segurança necessária aos moradores

Na reunião ordinária da última quinta-feira, o uso da tribuna foi feita pela moradora do Alto São Vicente, Marcela Natália de Oliveira, que solicitou dos vereadores uma ajuda para um contato com a Prefeitura de Divinópolis, para que as obras na área de risco deste bairro sejam iniciadas com mais agilidade. Ela esclareceu que a rapidez na construção dos prédios no local vai fazer com que ela não more de aluguel social pago pelo Executivo, uma vez que o procedimento deste pagamento social está causando transtornos no momento em que vai adquirir a sua moradia até que as obras no bairro sejam finalizadas. Marcela Natália afirmou que por enquanto permanece na área de risco. Antes de conversar com ela, para entender com mais detalhes a situação, a reportagem falou com a orientadora de uma Comissão montada pelos moradores do Alto São Vicente para resolver a questão.
A orientadora, Janete Aparecida, relatou qual é o receio que os moradores têm em relação ao pagamento dos aluguéis. “Nós temos um problema que é o seguinte: estas famílias que foram retiradas do Alto São Vicente, o total para serem retiradas eram 49 famílias, mas 28 famílias eles conseguiram convencer a retirar da casa. Estas casas estão em situação de risco, já foram derrubadas e as famílias estão no aluguel social da Prefeitura, mas este aluguel não dá segurança necessária para os moradores, uma vez que a gente só tem segurança quando moramos no nosso imóvel próprio, sendo que os moradores tinham estes imóveis, mas foi derrubado”, declarou.
Ainda de acordo com Janete Aparecida, o projeto foi assinado em 2008 ainda pelo antigo prefeito Demétrius Arantes e deu andamento em 2009 com o atual prefeito Vladimir Azevedo e que, para ela, infelizmente só permanece no papel. “A obra escrita está desde 2010 aprovada, foi feita licitação em maio do ano de 2012, esta licitação está deserta, não foi refeita a licitação e os moradores não são ouvidos. Nós tentamos falar com o prefeito no início do ano, mas não conseguimos, vamos tentar novamente e por isso viemos na Câmara, porque cabe os vereadores fiscalizar”, disse.
Janete Aparecida destacou que os moradores têm medo de serem retirados do Alto São Vicente e serem mandados para os bairros distantes. A moradora Marcela Natália de Oliveira, que fez o uso da tribuna, descreveu que no momento a sua casa está ainda em área de risco e já vai fazer três anos que ela tem dificuldade para alugar uma casa pela prefeitura. “Quando a gente acha um imóvel que a pessoa aceita alugar pela prefeitura, a demora é tanta que a proprietária até suspende o contrato, às vezes, nós perdemos porque fica o contrato dois, três meses na sala para fazer uma simples assinatura. Não estou encontrando uma casa porque a maioria dos proprietários fala da demora de pagamento pela Prefeitura”, enfatizou.
Marcela Natália afirmou ainda que não queria ir para o aluguel pago pela prefeitura e o seu medo é sair da casa e morar anos e anos por conta do município e não ver a sua casa arrumada, a sua expectativa é que haja uma resposta concreta.
No dia 25 de janeiro, a Gazeta publicou uma reportagem onde segundo Lúcio Espindola, superintendente de obras da Usina de Projetos, a expectativa é que a ordem de serviço para o bairro aconteça ainda em abril.
Adriano Cunha, que trabalha na Defesa Civil, ao saber que Marcela Natália, usou a tribuna, esclareceu que é necessário que toda sociedade compreenda que o apoio social não pode ser um apoio eterno, pois é preciso oferecer ao cidadão condições de andar com as próprias pernas. “Nós temos que ensinar o cidadão a pescar e não ficar dando peixe ao cidadão o resto da vida, nenhum poder público consegue conduzir uma boa administração com esse tipo de comportamento de assistencialismo irresponsável. A nossa política é de que o aluguel social tenha prazos determinados, deixando claro que ninguém será retirado de qualquer residência, sem que ela seja notificada. A pessoa vai ser encaminhada para a assistência social para ser inserida no Programa Minha Casa Minha Vida, mas verificando omissão por parte do cidadão, se ele não estiver nem aí, não tem interesse de buscar condições para a sua vida e para o seu bem estar, é natural que a prefeitura tenha que agir em favor do bem público, cuidando do bem público, nesse caso ela terá interrupção do pagamento do aluguel social”, explicou.
Ele finalizou dizendo que nada é feito sem devido planejamento e sem notificações devidas ao cidadão. Ele será orientado para cuidar do seu futuro, buscar as melhorias sabendo que a prefeitura está à disposição dentro dos seus programas sociais para auxiliá-lo. “Hoje os número estão em torno de 40 cidadãos que a prefeitura paga aluguel social para eles, são valores da ordem de R$600,00 meses de aluguel e que a gente precisa disciplinar esta questão, tem outros cidadãos também precisando ser atendidos pelo Município, então nós não podemos fazer o pagamento social eternamente, no máximo é feito em um ano, prazo adequado para o cidadão buscar benefícios sociais juntos com outros programas”, encerrou Adriano Cunha.

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