quinta-feira, 7 de Julho de 2016 16:36h Agência Brasil

Moraes defende mudanças no sistema de controle do Estado para evitar corrupção

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse hoje (7) que os casos de corrupção descobertos nos últimos tempos demonstram falhas nos mecanismos de prevenção dos órgãos do Estado

“Em virtude do volume absurdo roubado dos cofres públicos, todos concordam que nossos sistemas preventivos de controle falharam”, afirmou Moraes ao participar de um almoço com empresários na capital paulista.

Para se contrapor a esse problema, o ministro defendeu o reforço dos sistemas institucionais de prevenção a fraudes. “Temos de aproveitar isso, verificar porque tanta falha nos controles preventivos em tantas empresas, operações e convênios. Porque não se rastreou antes esses bilhões e bilhões desviados”, acrescentou.

 

 

Nesse sentido, o Alexandre de Moraes informou que são necessárias ainda mudanças nas leis que regem o sistema político brasileiro, uma vez que o financiamento partidário está ligado a diversos dos escândalos descobertos.

“Alterações legislativas, no sentido de reforma política. Esse mosaico absurdo político é que levou a isso. Nós temos de ter o fortalecimento de partidos, a fiscalização de partidos. Mas também na parte legislativa, penal e processual, para que nós possamos ser mais ágeis para coibir esses fatos.”

 

 

Cruzamentos

Moraes disse ainda que os dados das diferentes operações deflagradas pela Polícia Federal estão sendo comparados, na tentativa de apurar relações entre os diferentes grupos criminosos.

“A partir de agora, vamos começar a cruzar todas as informações da Operação Lava Jato com a Zelotes. E pode ter certeza que isso vai gerar uma série de outras investigações”, ressaltou sobre o trabalho feito no laboratório de lavagem de dinheiro instalado recentemente na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

 

 

De acordo com o ministro, a Operação Boca Livre, que identificou desvios de R$ 180 milhões nas leis de incentivo à cultura, foi baseada nesse tipo de análise. “Além das variáveis lógicas de investigação, ele atua por variáveis pouco absurdas. A Operação Rouanet foi feita só com base nessa troca de informações com os laboratórios”.

 

 

Eduardo Cunha

A renúncia do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também foi comentada pelo ministro da Justiça. Segundo ele, a ação, de caráter “individual” do deputado carioca, não afetará a articulação do governo no Congresso.

“Acredito que não haja nenhuma alteração em relação ao maciço apoio que o governo do presidente Michel Temer tem na Câmara e no Senado”, destacou. Cunha já tinha sido afastado do comando da Casa por uma liminar do Supremo Tribunal Federal, onde é réu em duas ações penais.

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