sexta-feira, 4 de Setembro de 2015 09:43h Atualizado em 4 de Setembro de 2015 às 09:44h.

Movimento Popular inicia manifestações pela redução salarial dos vereadores

Para bancar os 17 vereadores, mais de R$ 6,2 milhões saem dos cofres públicos municipais ao ano

A decisão aprovada pela Câmara no dia 20 de agosto passado em manter congelados os salários dos vereadores, prefeito e vice, que na legislatura de 2017 a 2020 terão os mesmos vencimentos pagos hoje, não modificou o planejamento do Movimento Brasil Novo, que já havia anunciado manifestações contra um provável aumento nos vencimentos. O movimento, fundado a pouco mais de seis meses pelo empresário Geraldo Barros, contabiliza hoje cerca de 100 simpatizantes de todas as classes e tem como meta resgatar a ética na política. “Esse movimento tem uma programação muita extensa, são vários serviços dentro desse projeto. Entre esses serviços, estamos com um programa de politizar, para conscientizar o eleitor de que a política com ética e honestidade é necessária”, esclarece Geraldo Barros.
A proposta inicial do Movimento era promover protestos pacíficos contra o aumento salarial dos vereadores, seguindo-se manifestações pela redução dos atuais valores pagos. Com a decisão da Câmara em manter os valores dos vencimentos para a próxima legislatura, o Movimento Brasil Novo refez sua programação e vai iniciar uma onda de manifestações para exigir a redução dos salários. Hoje, cada vereador recebe remuneração mensal de R$ 10,5 mil mensais.
Ontem Geraldo Barros informou que no próximo dia 12 será feito o lançamento oficial do Movimento Brasil Novo em Divinópolis, marcando o início das manifestações pela redução salarial. O lançamento acontecerá na região da Savassi, na confluência da Avenida Antônio Olímpio de Morais com Rua Paraíba, a partir de 10h. Cerca de 50 militantes do Brasil Novo já confirmaram presença, além de uma grande representação da União Estudantil Divinopolitana (UED), que já aderiu ao projeto. Durante o lançamento do Movimento, dois mil adesivos marcando o início da campanha pela redução salarial dos vereadores serão afixados em veículos cujos proprietários concordarem com a iniciativa. “Depois disso vamos fazer manifestações e protestos para exigir a redução dos salários”, conta o empresário.
Segundo Geraldo Barros, o movimento ainda não estabeleceu um teto salarial para os vereadores a ser defendido nas manifestações, mas por unanimidade já definiu que o repasse feito pela prefeitura para a Câmara Municipal seja reduzido de 6% para 3% do orçamento anual do município. “Com isso será possível uma economia mais de R$ 16 milhões para investimentos em saúde e educação”, explica.
A proposta apresentada pelo Movimento Brasil Novo chamou a atenção do presidente estadual do PSB e prefeito da capital, Márcio Lacerda. Na última quarta-feira Geraldo Barros esteve em Belo Horizonte , para apresentar o projeto Brasil Novo ao prefeito da capital. Barros foi convidado por Márcio Lacerda para um almoço, ocasião em que o prefeito obteve as primeiras informações sobre a iniciativa. De acordo com Geraldo Barros, Lacerda deve ser um dos parceiros do movimento. “Ele demonstrou muito interesse pelo projeto Brasil Novo. Apresentamos várias ações que já estão sendo desenvolvidas, destacando entre elas o projeto de Humanização das Leis e a criação da ONG Transparência Divinópolis, que tem por objetivo acompanhar a aplicação de verbas públicas, gastos com a máquina, enfim, ser uma fiscalizadora permanente”, assegura.
R$ 6 MILHÕES
Um levantamento feito pelo Gazeta do Oeste concluiu que nesta legislatura cada vereador custa, em média R$ 29.907,31 aos bolsos do contribuinte. Mensalmente cada parlamentar tem direito ao salário de R$ 10,5, verba de gabinete de R$ 14.523,51 para pagamento de quatro assessores, duas linhas de telefone móvel (com direito a 500 minutos em cada uma), 400 litros de combustíveis (R$ 1.230, considerando o preço do litro a R$ 3,30), aluguel de um veículo a R$ R$ 1.132,80, R$ 3 mil para material de consumo nos gabinetes (selos, envelopes, xerox, etc), e mais duas linhas de telefone fixo. O veículo alugado para uso do vereador Anderson Saleme (PR), por ser adaptado para deficiente físico, sai a R$ 1.350.
Embora esses dados possam sofrer variações mensais para mais ou para menos, porém sem grandes alterações no valor final, cada vereador custa aos cofres públicos R$ 369.387,72 anualmente, incluindo o 13º salário. Para bancar os 17 vereadores esse ano, o contribuinte vai desembolsar R$ 6,2 milhões.
Em várias cidades do país surgiram movimentos populares esse ano para a redução dos salários pagos aos vereadores. A pressão popular obteve êxito em vários municípios, como por exemplo em Jacarezinho, no norte do Paraná, onde os salários sofreram uma redução de 30%, caindo de R$ 6,2 mil mensais, para R$ 4,3 mil.
Em Santo Antônio da Platina, também no Paraná, um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal previa o aumento do salário do prefeito dos atuais R$ 14,7 mil para R$ 22 mil, e dos vereadores, de R$ 3,7 mil para R$ 7,5 mil. Após a pressão popular, os legisladores desistiram do aumento e aprovaram uma emenda reduzindo os salários. O prefeito passará a receber R$ 12 mil, enquanto os vereadores terão vencimentos de R$ 970.
Em Capelinha, localizada na região Jequitinhonha, em Minas Gerais, já está tramitando uma proposta que reduz os salários dos vereadores de R$ 6,4 mil para R$ 1,5 mil.

 

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