quinta-feira, 4 de Agosto de 2011 09:40h Liziane Ricardo

Município perde instalação de indústria de locomotivas

“Este é um desvio político muito antigo do governo, independente de quem esteja administrando”, criticou José Elísio.

Muito tem sido anunciado sobre a instalação de novas empresas em determinadas cidades mineiras, devido a sua logística, infraestrutura, condições econômicas sólidas e sobretudo uma boa gestão municipal. Levando em conta todas estas justificativas publicadas pela mídia estadual ao anunciar as empreitadas feitas nos municípios de Sete Lagoas, Montes Claros e Itabirito, a reportagem da Gazeta do Oeste procurou o secretário Adjunto de Desenvolvimento Econômico, José Elísio para que explicasse o motivo de Divinópolis estar fora deste ciclo de investimentos econômicos.


Na última semana foi anunciada a implantação de uma unidade brasileira da Progress Rail Services (Grupo MGE Transportes/Caterpillar), em Sete Lagoas que já poderá começar a produzir locomotivas a partir de março do ano que vem. A princípio, a empresa já possui encomenda de 21 locomotivas do modelo SD70. E partindo destas informações o secretário José Elísio esclareceu que o governo preza muito por instalar as grandes empresas na região metropolitana da capital mineira, para assim facilitar o acesso e as negociações, porém como grande parte das áreas, já estão tomadas, foi criado um colar no entorno da região que atinge cidades entre 30 e 70 quilômetros de distância de Belo Horizonte, e que gera oportunidades de investimentos para as cidades de Matozinhos, Sete Lagoas, Lagoa Santa dentre outras cidades interligadas a BR 040 como Itabirito.


Entretanto, o secretário revelou que desde o governo de Newton Cardoso, o órgão máximo do governo estadual chamado Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (INDI-MG) que é mantido pelo Banco de Desenvolvimento e também pela Cemig. Durante muitos anos, Divinópolis juntamente com Uberlândia foram cidades com grande presença industrial, mas a realidade desde a implantação do INDI, é bem diferente tendo em vista que este órgão passou a ser ocupado por políticos indicados por cidades. “Daí começaram a montar as panelas, e desde esta época, formou-se um quarteto de cidades compreendidos em Uberlândia, Uberaba, Juiz de Fora e Varginha. Entra governo e sai governo independente de seu partidarismo, as indicações são sempre as mesmas”, revelou José Elísio. Esperou-se que durante os governos tucanos com Aécio Neves à frente do Estado a situação mudaria, porém não aconteceu e já sob o comando do atual governador Antônio Anastasia (PSDB), fala-se em mudar com a entrada da Secretária Estadual de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck.

 

NEGOCIAÇÃO


O critério oficial de negociação entre o empresário e o Estado se tornou uma metodologia, quase que uma regra, tendo em vista que sempre são apresentadas as mesmas cidades dentro do colar de interesse do governo. “Teoricamente Divinópolis é igual às demais cidades do Estado em relação à logística e infraestrutura, porém quando chega em Minas algum empresário interessado em instalar suas indústrias, o governo não nos mostra, são apresentadas apenas as cidades de interesse do Estado, daí a disputa fica totalmente desigual”, frisou.  Segundo o secretário, a única vantagem que faz com que o município não perca, é o fato de Divinópolis andar com as próprias pernas, sobretudo, mesmo o município sendo independente, ainda é preciso ter incentivo econômico. De acordo com secretário de fomento econômico, o caso da implantação da Caterpillar foi de conhecimento do município meses após as apresentações dos portfólios das demais cidades do colar regional do Estado. As apresentações foram feitas em Junho e Divinópolis só ficou sabendo para apresentar seu portfólio seis meses depois. “Nós levamos uma tremenda desvantagem, mas mesmo assim conseguimos fazer contato com o pessoal da Caterpillar lá nos Estados Unidos, mais precisamente em  Houston através de contatos do nosso governo municipal”, contou Elísio. Porém, o ‘mau’ já estava feito, uma vez que Divinópolis precisou concorrer com Juiz de Fora e Sete Lagoas.

 

CRITÉRIOS DE ESCOLHA


Após a confirmação da instalação da fábrica de locomotivas em Sete Lagoas, o secretário por sua vez procurou saber do governo do Estado, os motivos que fizeram com que o município perdesse a implantação. De acordo com José Elísio, o primeiro motivo foi o fato de Sete Lagoas estar dentro do colar regional de 30 a 70 quilômetros de distância da capital mineira, isto independente de suas forças políticas que não são de grande influência. Além disto, Sete Lagoas tem Bitola Mista para atender a fábrica de locomotivas, ou seja, é uma ferramenta a qual proporciona que as locomotivas sejam transportadas pela própria ferrovia, já no caso de Divinópolis que temos Bitola Única, é preciso que a máquina seja transportada num outro “truck” até que chegue ao seu destino. “Neste quesito Divinópolis e Juiz de Fora perdem de goleada em relação a Sete Lagoas”, afirmou.
O segundo critério é que o município de Sete Lagoas tem uma oficina construída em um terreno que está abandonado, e nesta condição a implantação, além de ser mais ágil será também mais econômica para a Caterpillar que já obtém encomendas. Já o terceiro e último motivo justificado pelo governo, sobre por que Divinópolis não arcaria com as exigências, foi o fato da rodovia não ser duplicada. “O que ocorre é que geralmente os empresários não moram na cidade em que a fábrica será instalada, por isto, é exigida a comodidade de se transitar por uma rodovia duplicada. Mesmo isto não sendo determinante, acaba de uma forma ou de outra pesando na decisão, e das três cidades Divinópolis é a única que não tem pista dupla na MG 050. Então de toda forma perderíamos”, frisou José Elísio.     

      
Sobre este contexto, a única chance que os demais municípios mineiros terão para se apresentarem aos empresários será através da pressão dos representantes e deputados estaduais e federais com o governo, para que outras regiões também sejam mostradas como opções de investimentos.

 

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