sábado, 22 de Fevereiro de 2014 05:13h Atualizado em 22 de Fevereiro de 2014 às 05:20h. Pollyanna Martins

Onde o poder público não vai... .. E mais ninguém Parte II

Enquanto uma parte da população de Divinópolis desfruta de boa estrutura com água encanada.

Enquanto uma parte da população de Divinópolis desfruta de boa estrutura com água encanada, ruas asfaltadas e iluminação pública há outra parte que sofre com a falta destes elementos nas ruas onde moram. Basta andar em bairros mais afastados do Centro da cidade para deparar com situações lamentáveis. Nossa reportagem percorreu as ruas do bairro Santa Lúcia e Santa Rosa e os moradores reclamaram do descaso da Prefeitura.
Logo na entrada do bairro Santa Lúcia, a rua principal José Penha Laine está asfaltada e não traz nenhum transtorno aos moradores. Mas ao percorremos o bairro nos deparamos com ruas esquecidas há anos pelo poder público. O morador Marcos de Castro reside no bairro há cinco anos, e passa por dificuldades para realizar a rotina da família. “Nós já cansamos de pedir para arrumar as ruas, desde que eu me mudei pra cá minha família vive nessa situação. Asfaltou somente a rua principal onde o ônibus passa”, lamenta.
Com a falta de solução para o problema, vem mais uma vez a decepção com as promessas feitas em ano eleitoral.  A rua Vicente Luiz Quadros está em estado lamentável, os moradores contam que com as crateras abertas na rua os acidentes de carros são frequentes. “Ontem (20/02) a viatura da polícia caiu no buraco aqui da rua, como os marginais já conhecem o caminho entraram pelo canto, os policiais entraram em alta velocidade e não sabiam desta cratera, o resultado foi o carro preso na rua”, relata. Os moradores já perderam as contas de quantas vezes pagaram para tapar os buracos que estão abertos. A rua Pedro Martins Machado está em situação pior. A nossa equipe só conseguiu ter acesso à rua através da rua principal, e mesmo assim os carros só podem descer, porque na parte de cima da rua o risco de entrar e cair na cratera aberta é grande. “Pode contar nos dedos as ruas que estão boas aqui no bairro. Quando nós vamos à Prefeitura para pedir solução eles falam que nós estamos incluídos em um projeto, projeto este que nunca sai do papel”, completa.
Andar por Divinópolis e encontrar ruas na mesma situação em vários bairros não é difícil. Os moradores da rua Lavínia Fonseca no bairro Santa Rosa vivem na pele o abandono dos órgãos públicos. A dona de casa Maeli Santos mora na rua há sete anos e relata os problemas para manter o dia a dia em casa. “Na semana que mudei pra cá é que colocaram a iluminação pública porque antes não tinha. Depois foi uma luta para ligar água na rua, nós pagamos. Agora a rua é um caos. Quando chove vira barro puro, se não chove é complicado passar de carro aqui”. O desânimo tomou conta dos moradores. Segundo a dona de casa, a rua também está neste projeto que não sai do papel. “Em época de campanha eu já respondi questionário perguntando o que que a rua precisava de urgência, nós colocamos todas as prioridades nesta última eleição, mas a situação não mudou. A prefeitura mandou um caminhão de terra pra melhorar a rua, mas nós não queremos terra, nós queremos calçamento”.
Lotes sem donos
Durante a nossa visita ao bairro Santa Rosa os moradores denunciaram um lote abandonado na rua Peru. Segundo a moradora Cleonice de Assis, quando chove a água entra no lote vizinho e invade a casa onde ela mora. “No último domingo (16) a minha cozinha ficou pura lama, e meu quarto também”, relata. A comerciante mora no bairro há 26 anos e é a segunda vez que a água invade a casa. Para amenizar o problema, os vizinhos cercaram o lote com restos de telhas. “Nós já avisamos a Prefeitura, mas eles não fizeram nada. Questionamos o dono do lote e ele falou que pode denunciar, porque ele tem quem tire as multas pra ele dentro da Prefeitura, então pra ele tanto faz, mas prejudica a gente”.
Em respostas às reclamações da falta de calçamento nas ruas dos bairros Santa Lúcia e Santa Rosa, a Prefeitura Municipal de Divinópolis disse através de sua assessoria de comunicação que as três ruas estão previstas para serem calçadas no projeto Pró-Transporte ainda este ano.
Quanto ao problema do lote no bairro Santa Rosa, em outra matéria divulgada pela Gazeta, a informação sobre os lotes vagos e abertos, quem responde é a gerente de alvarás, Nanci Aparecida Barbosa. Ela diz que a prefeitura não faz uma fiscalização primária em razão do pouco pessoal disponível para o trabalho, mas que atende de 500 a 600 denúncias telefônicas por mês sobre ruas e lotes sujos. Dessa forma, acaba por fiscalizar também aqueles que estão sem muros. A denúncia é a única forma de iniciar o processo de apuração, explica Nanci, que prossegue com a visita do fiscal no local, seguida de notificação por carta. Após a confirmação do recebimento da notificação, o setor contabiliza 60 dias para proceder à construção do muro da frente do lote e das calçadas. Depois desse prazo os fiscais voltam ao local e, se o muro não tiver sido construído, lavram a multa. A legislação só exige muros em lotes que fiquem em ruas calçadas ou asfaltadas.

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