sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014 10:53h Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil

Oposição apresentará semana que vem relatório paralelo ao da CPMI da Petrobras

Partidos de oposição na Câmara e no Senado vão apresentar, na próxima quarta-feira (17), relatório paralelo ao da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras

No documento, os parlamentares pedirão o indiciamento de pelo menos cinco envolvidos em negócios ilegais com a estatal. O anúncio foi feito hoje (11) pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que informou que o documento está sendo finalizado para ser apresentado no mesmo dia em que está prevista a votação do relatório oficial, do deputado Marco Maia (PT-RS). O relatório paralelo é iniciativa de parlamentares do PSDB, DEM, PSB, PPS e SD. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, Sampaio classificou de frágil o relatório, que, segundo ele, não abordou questões “primordiais”.

O deputado antecipou que os pedidos de indiciamento incluem os nomes do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, do doleiro Alberto Youssef, do deputado cassado André Vargas (sem partido-PR), de Luiz Argôlo (SD-BA), que teve a perda de mandato aprovada pelo Conselho de Ética, e de empresários como Júlio Camargo, citado no esquema.

“Ele [Marco Maia] considerou normal aquilo que, para o Tribunal de Contas da União, é sinônimo da maior roubalheira ocorrida no país, que foi a compra [da Refinaria] de Pasadena. O relator sequer abordou as doações de campanha feitas com dinheiro oriundo de crimes praticados contra a Petrobras. Ele não abordou o envolvimento do Palácio do Planalto, sendo que a Casa Civil recebeu um e-mail do delator Paulo Roberto confessando o esquema de corrupção, e sequer o envolvimento do tesoureiro do PT [João Vaccari Neto], apontado pelos delatores como a pessoa que levava os 3% [dos contratos negociados por empreiteiras com a Petrobras] para o Partido dos Trabalhadores”, disse Sampaio.

O deputado ressaltou que não incluiu os nomes da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque não há elementos “identificadores” do envolvimento dos dois. “Não há elementos neste momento, mas há uma clara evidência de que temos que avançar na investigação porque ambos foram referidos pelo mais importante delator do esquema como pessoas que tinham total ciência dos fatos.”

O relatório paralelo também não deve citar o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Segundo Carlos Sampaio, o possível envolvimento do ex-diretor será investigado por uma nova CPI que a oposição pretende criar na próxima legislatura, a partir de 1º de fevereiro.

“Por mais que se diga que tem o Ministério Público e a Polícia Federal investigando, os mecanismos de uma CPMI são infinitamente mais ágeis e, no que tange a agentes políticos, é o melhor mecanismo para agilizar investigações, apontar culpados e iniciar processos de cassação de todos parlamentares que comprovadamente assaltaram a Petrobras”, avaliou o deputado.

Sobre o relatório paralelo, Sampaio explicou que tentará costurar um texto que seja analisado como um voto em separado durante a votação do relatório final na próxima semana. “Faremos a leitura para ver se conseguimos a aprovação do plenário. Os membros da comissão que são ligados ao governo não têm comparecido. Se tivermos a maioria simples do quórum de instalação [da sessão de quarta-feira] e a mesma maioria para a votação, podemos ter aprovado nosso relatório paralelo”, acrescentou o parlamentar.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse que seria uma leviandade incluir no relatório final da CPMI acusações contra o Palácio do Planalto, assim como afirmar que houve repasse de dinheiro a algum partido político. “Seria leviandade colocar no relatório o envolvimento do Palácio do Planalto e o repasse de dinheiro a partidos, se não temos elementos para confirmar que isso é verdade.”

*Matéria alterada às 20h23 do dia 11/12/2014 para acréscimo da declaração de Humberto Costa

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