sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013 04:01h Erik Ullysses

Pai esquece bebê de sete meses no carro por seis horas e criança morre

O bebê chegou ao hospital cerca de 13 horas e apresentava uma queimadura no rosto. O menino chegou a ser entubado, mas não resistiu

No início da tarde de ontem a morte de uma criança de sete meses causou comoção em Divinópolis. O bebê foi esquecido pelo pai, A.O.T, 34 anos, dentro do carro em um estacionamento do supermercado onde ele é subgerente no bairro Bom Pastor por volta das 07 horas. Quando o seu expediente terminou, por volta de 13, é que o pai percebeu que havia esquecido o filho dentro do automóvel.
De imediato a criança foi levada para o Hospital Santa Lúcia, ainda apresentando sinais vitais. Os médicos tentaram reanimar a vítima, mas não tiveram sucesso. De acordo com o sargento Adriano Barbosa, a Polícia Militar foi acionada no hospital por volta das 13 horas. “O pessoal da enfermagem aqui do hospital ligou para o COPOM e acionou dizendo que um pai tinha deixado uma criança dentro do carro e que ela estava praticamente sem vida. A criança já chegou ao hospital bastante debilitada, bem fraca. A equipe do hospital já tentou reanimar a criança, entubou, mas não conseguiram” contou. O hospital não quis se pronunciar sobre o assunto.
O sargento disse ainda que a criança apresentava uma queimadura no rosto. Ele contou que o pai estava bastante abalado, bem como a mãe e outros familiares que foram até o hospital. O corpo da criança foi levado para Formiga para que fossem feitos os trabalhos da perícia, já que ontem o plantão da perícia não funcionava em Divinópolis. Logo após a ocorrência ter sido registrada o pai foi levado para a Delegacia, onde prestou depoimento.
Segundo Angelita Viviane de Oliveira, delegada de Proteção à Criança, a Mulher e ao Idoso, que colheu os depoimentos e está a frente do caso, o fato do pai ter esquecido da criança pode ter sido provocado por uma mudança de hábito. “O pai mudou de rotina. O pai começava a trabalhar às 13 horas, e domingo agora o pai mudou a sua rotina. Ele começou a trabalhar as sete horas da manhã. Então, na quarta-feira ele pegou a criança e levou para a casa da babá e ontem ele teria que fazer o mesmo. . Ele saiu com a sua esposa de casa às sete horas e a esposa ficou no trabalho e ele tinha que deixar a criança com a babá, mas ele alega que esqueceu completamente e não lembrou da criança hora alguma” afirmou.
A delegada contou que questionou para os pais se a babá não havia ligado para eles perguntando sobre o porquê da criança não ter sido levada para ela cuidar. A babá da criança disse que ela havia ligado para a mãe, mas que no local onde a mãe trabalha ela não pode atender o celular. A babá disse ainda que acreditou que o pai não tivesse ido trabalhar na parte da manhã, já que não era o seu costume trabalhar naquele horário. O casal que mora no bairro Ponte Funda tem outro filho, de quatro anos, que havia ido de van para a escola.
A delegada explicou que o pai está sendo indiciado por homicídio culposo, já que ele tinha o dever de garantir a segurança da criança. “No meu ver ele foi negligente em não ter o cuidado de checar, de olhar para trás. O bebê conforto ficava no meio do carro. Também de não lembrar e de não se preocupar. Mas cabe recurso e se ele pagar fiança, vai responder ao processo em liberdade” garantiu. O carro do pai, um Fiat Uno, tinha os vidros escuros, o que pode ter contribuído para que ninguém notasse que o bebê estava lá. Outro fator que pode ter prejudicado o homem a notar a presença do filho era o fato do bebê conforto estar do lado contrário.
Foram ouvidas, além dos pais da criança, outras dez pessoas que estão envolvidas diretamente com a vida da família, que trabalham com o pai e com a mãe, além de pessoas que estavam no local do ocorrido. A delegada Angelita afirmou que todos as pessoas afirmaram que A.O.T era um bom pai, atencioso e uma pessoa idônea. Ela disse que é importante saber como era o funcionamento da família e a personalidade do pai, e que o caso será investigado de forma minuciosa.
A delegada fez um apelo para que as famílias tenham mais atenção com as crianças e que elas criem mecanismos que possam fazer com que elas lembrem de seus filhos. “Eu quero pedir às famílias que tiverem filhos pequenos, que tiverem que levar seus filhos para a escola, para checarem. Para fazerem uma espécie de código. Se a mulher levar a criança, o marido ligar: ‘Olha, você levou? Você buscou?’. Então existir um código, porque isso é muito triste. É muito triste para a sociedade, é muito triste para a família, que está em choque. Até para nós policiais que lhe damos com crimes violentos é um choque” concluiu Angelita.

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