sexta-feira, 23 de Março de 2012 18:34h Atualizado em 24 de Março de 2012 às 09:28h. Carla Mariela

Parlamentar solicita profissionais de Libras nos estabelecimentos de saúde

O Plenário Legislativo de Divinópolis em dias de Reunião Ordinária, que ocorre todas as terças e quintas, às 14hs, apresenta projetos,os quais possuem a possibilidade de serem votados para em seguida serem aprovados ou reprovados. Normalmente, quando o projeto não está inserido para ser votado é porque ainda será analisado, e esse estudo é conhecido como tramitação. É nessa situação, que se encontra uma proposta apresentada pelo vereador, Rodyson do Zé Milton (PSDB), na qual aborda que todos os estabelecimentos de saúde da cidade deveriam ter um profissional qualificado em Libras para facilitar o atendimento de pacientes que utilizam a língua dos sinais.
Segundo o vereador Rodyson, esse projeto foi lido na Casa Legislativa e está sendo analisado para que nas próximas reuniões seja votado pelos parlamentares. “Esse projeto é uma emenda modificativa nossa que pede ao Executivo, determinar como projeto de lei, que todas as casas clínicas, hospitais públicos e privados de Divinópolis tenham um intérprete de Libras, pois se um paciente chegar ao hospital passando mal, o médico terá dificuldades em entender o que o paciente está sentindo, o que está acontecendo com ele, ou seja, o médico não está preparado para Libras, então, nós queremos colocar um profissional qualificado para ocupar esse espaço e auxiliar os agentes de saúde para facilitar a situação do paciente. Com isso, Divinópolis vai servir de exemplo para todo o Brasil, sem dúvida nenhuma, nós sairemos na frente com esse projeto e eu tenho certeza que nós temos que respeitar e colocar a inclusão social em todas as instituições em Divinópolis e não será diferente com esse projeto de lei que vai acrescentar para os pacientes”, declara.
Ainda de acordo com Rodyson, há um exemplo de paciente que passou mal na rua e foi levado pelo resgate para o hospital e teve dificuldade para ser atendido. “Essa emenda mostrou-se necessária porque um conhecido nosso que estava no Hospital São João de Deus, passou mal na rua, ele foi levado pelo resgate ao hospital e depois de dez dias internado, descobriram que o rapaz era surdo. Quando a família deu falta, foi à Polícia, procurou por todos os lados, descobriu que ele estava no hospital, quando o intérprete foi para o local, o paciente transmitiu o que ele estava sentindo e os médicos entupindo ele de calmante, pois ele estava muito agitado, estava muito nervoso, foi a partir do intérprete que foi descoberto o que ele tinha. O intérprete conversou com o médico para explicar para ele qual era de fato o problema que ele estava passando para que os auxílios do médico, consequentemente, fossem cumpridos. Enquanto não foi descoberto, o rapaz ficou com sede, com fome,desnecessariamente porque faltou o profissional qualificado para fazer o melhor atendimento naquele cidadão”, esclarece o vereador.
O profissional intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras), bem como qualquer outro intérprete, precisa ter domínio dos sinais e principalmente da língua falada do seu país, por exemplo, o Português, pois há diversas situações nas quais são necessárias as duas. A ação desse profissional é uma ferramenta rica na integração dessas pessoas, por isso, o maior aprendizado não vem apenas de um curso de Libras, mas também, do contato diário do profissional com quem precisa do uso da língua dos sinais no dia-a-dia. Contudo, o papel que o profissional de Libras realiza servirá para facilitar e melhorar o processo do atendimento nos estabelecimentos de saúde do Município de Divinópolis e poderá ser votado nos próximos encontros na Câmara Municipal.
Em entrevista, o presidente da Associação dos Deficientes do Oeste de Minas (Adefom), Carlos Roberto, a ideia desse projeto é fundamental. “Essa proposta é necessária, não só nos postos de saúde, mas em todo o setor público. A solução não é só colocar uma intérprete, mas sim qualificar uma ou duas profissionais em cada setor, no serviço de saúde, nas escolas, no serviço público em geral”, explica.
Sendo assim, se o projeto for aprovado no plenário, as pessoas que precisam da linguagem em Libras para se comunicar no seu dia a dia receberá um profissional qualificado para atendê-lo, consequentemente, a relação entre paciente e profissionais vai melhorar.

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