segunda-feira, 27 de Agosto de 2012 12:24h Gazeta do Oeste

Partidos sem cadeira cativa em prefeituras mineiras

A alternância no poder tem sido a tônica nas prefeituras mineiras nos últimos 20 anos. Desde o fim do bipartidarismo nas eleições municipais, em 1985 – durante o regime militar a disputa era apenas entre Arena e MDB –, o prazo máximo em que representantes de uma das três maiores legendas – PT, PSDB e PMDB – ficaram à frente de uma administração foi 16 anos. Mesmo assim, esses casos são raros. Ter o mesmo partido no poder por duas décadas, então, é uma situação inédita. Levantamento feito pelo Estado de Minas com base nos resultados dos pleitos de 1992 até 2008 mostra que a rotatividade é característica absoluta no comando dos municípios de Minas e que quando o assunto é liderança local o nome do candidato importa mais do que a sigla.

 

 

Na lista de municípios que tiveram prefeitos de uma mesma legenda por quatro mandatos seguidos, aparece Ibiraci, no Sul do Estado, onde o PT conseguiu essa façanha. Já o PSDB repetiu o feito em Itabirinha, na Região do Rio Doce; Presidente Juscelino e Santa Bárbara do Tugúrio, na Região Central; Santo Antônio do Grama, na Zona da Mata; e em Senador José Bento, no Sul. Apesar de serem mais frequentes, os casos em que os partidos se prolongam à frente da administração municipal por três mandatos consecutivos não chegam a ser comuns no estado, sendo que os petistas mantém o comando de três cidades por 12 anos e os tucanos continuam com cinco prefeituras desde 2000. Já o PMDB, apesar de ser o segundo em número de prefeituras mineiras (veja quadro), não faz parte do “clube”.

 

Para o consultor político Gaudêncio Torquato, a rotatividade revela uma característica das disputas por votos no Brasil. Com pouca diferença entre as propostas apresentadas nos palanques eleitorais, na visão dele, o fator que mais pesa na hora em que o eleitor está diante da urna é considerar o que foi prometido pelo candidato. “Essa alternância deixa claro como no Brasil, quando o assunto é eleição, os indivíduos estão acima dos partidos. A força de cada candidato junto aos eleitores de sua cidade acaba sendo mais intensa do que o sentimento de partidarismo. Hoje, as siglas são muito iguais, com um discurso bem próximo em relação às principais demandas da população, por isso a diferença entre os candidatos é o que pode definir uma eleição municipal”, explica Gaudêncio.

 

 

Rotatividade Segundo o especialista, se por um lado o levantamento deixa claro que os principais partidos políticos já não se apoiam mais em posições ideológicas para conquistar o eleitor, por outro lado mostra que as pessoas estão cobrando propostas mais concretas de cada candidato. Caso elas não sejam cumpridas, não será o fato de pertencer a uma determinada legenda que vai garantir a permanência no cargo.

 

“A rotatividade entre os maiores partidos do país no estado com o maior número de prefeituras (Minas) é algo muito positivo para nossa democracia. Mostra que o eleitorado está atento aos problemas e não se constrange em mudar os responsáveis pela administração de suas cidades, evitando que os partidos fiquem no poder por muitos anos. Como as posições ideológicas se tornaram enfraquecidas nos discursos partidários, é muito bom que os políticos passem a ser cobrados por ações feitas quando estiverem no poder”, explica Gaudêncio Torquato. 

 

 

 

 

 

 

 

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