quarta-feira, 6 de Janeiro de 2016 08:56h Atualizado em 6 de Janeiro de 2016 às 09:02h. Pollyanna Martins

Paulo Marius fala sobre sua saída da Secretaria Municipal de Agronegócios

Responsável pela pasta desde 2011, o secretário afirma que não levou para o lado pessoal a sua saída e que deseja o seguimento de alguns projetos em 2016

O ex-secretário municipal de agronegócios, Paulo Sérgio de Oliveira Marius, que foi exonerado do seu cargo no dia 31 de dezembro, falou sobre a sua saída e fez um balanço do tempo em que foi responsável pela pasta. Paulo afirma não levar a sua saída da secretaria para “o lado pessoal”, e que Divinópolis precisa de mudanças. “Eu esperava [a exoneração], porque a gente já sabia que iam acontecer exonerações, então eu fui o primeiro, mas acredito que haverá mais exonerações, porque muitos vão ser candidatos a vereadores. É um critério que foi usado pelo prefeito, porque fulano e não ciclano. Eu fiz o meu papel, e uma porta fecha e abrem três, é assim na minha vida, é assim que tem que ser. Na crise que a gente vê a nossa força”, ressalta.
Desde agosto de 2011 à frente da Secretaria Municipal de Agronegócios (Semag), Paulo Marius é conhecido como um dos secretários municipais mais acessíveis do governo de Vladimir Azevedo. Paulo garante que esta acessibilidade é fundamental, pois o cargo que ocupava é público e transitório, e que não deixou de atender o público mesmo quando esteve fora da pasta, entre outubro de 2012 a março de 2013. “Se nós estamos em cargo público é para atender o público. Seja a imprensa, seja o público que chega lá e bate na porta, eu nunca deixei de atender ninguém na minha sala, no telefone, no celular. A vida roda, então hoje eu sou secretário, mas amanhã eu posso ser funcionário do próximo secretário que está lá”, avalia.
Entre os projetos que realizou nos quatro anos como secretário municipal de agronegócios, Paulo destaca a sinalização das estradas rurais de Divinópolis. A população reivindicava a ação há mais de 20 anos, e foi concluída em seis meses após Marius assumir a pasta. Ao todo, foram colocadas 300 placas sinalizando as estradas e os entroncamentos. O trabalho foi realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SETTRANS), e mais de 130 km foram sinalizados, além de mais de 20, das 44 comunidades rurais do município, receberem placas de identificação. “Nós temos hoje mais de 1.200 km de estradas rurais, ou seja, 10% foram sinalizadas, e colocamos nas comunidades uma placa azul com o nome da comunidade. A pessoa chega a uma comunidade hoje e tem o nome, tem a quilometragem nos entroncamentos para saber quantos quilômetros faltam para chegar, isso faz parte de uma valorização da zona rural”, explica.
 

 

AGRICULTURA FAMILIAR
A agricultura familiar é outro programa que Paulo diz ter orgulho de ter participado. O programa é responsável pela merenda escolar de cem escolas na cidade, além levar comida a mais de cinco mil pessoas que estão em entidades carentes. O projeto iniciou em 2007, e em 2015, beneficiou 32 entidades, totalizando R$ 6,5 mil para cada produtor rural por ano. Além de verduras, o agricultor familiar produz 41 variedades de hortifruti, polpas de fruta e doces, produção que fomenta a economia em Divinópolis. “São quase R$ 700 mil em verba federal, e é um dinheiro que entra na cidade, e valoriza o produtor rural”, considera.
 

 

CALÇAMENTO
Outro ponto que o ex-secretário avaliou foi o patrolamento de 95% das estradas rurais de Divinópolis, e o calçamento da Serra das Perobas. Apesar da resistência de alguns populares, foram calçados 600 metros de estrada. A serra liga Ermida ao distrito de Djalma Dutra. “Antigamente, caminhões sempre atolavam, caminhão de insumo, de leite, não chegavam, porque eram 600 metros de morro sem calçamento. Na época, houve a resistência de algumas pessoas, alegando que os caminhões iriam escorregar nas pedras. Já tem quatro anos que o calçamento foi colocado e não existe nenhum problema mais”, ressalta.
 

 

SEGURANÇA
O investimento na mobilidade das comunidades rurais de Divinópolis foram pontos fortes no tempo em que Paulo esteve responsável pela Secretaria Municipal de Agronegócio. Em consequência disto, a segurança foi reforçada com a Patrulha Rural, e Paulo orienta que o próximo secretário traga mais investimentos para este setor. “A Patrulha Rural na zona norte e na zona sul foi um trabalho bem feito. O Cabo Pinheiro e o irmão dele procuraram garantir a segurança. A partir do momento que eles começaram a ir para o campo, a segurança aumentou. A Rede de Vizinhos Protegidos tem que existir na zona rural, e tem que ser dada a continuidade neste trabalho”, afirma.
 

 

FEIRAS LIVRES
As feiras livres nos bairros Esplanada, Niterói e Porto Velho já fazem parte da rotina de muitos divinopolitanos, que vão em busca de alimentos e produtos frescos, trazidos diretamente da zona rural. Segundo Paulo, a ampliação das feiras livres para os bairros Planalto, Ipiranga e São José, totalizando seis feiras livres na cidade, é um dos maiores projetos que a secretaria realizou durante a sua administração. “Cinco feiras são com mais de dez barracas, só a do [bairro] Ipiranga que é pequena, mas todas com barracas padronizadas, que dão condições do público ter acesso”.
As feiras livres no centro da cidade foram alvos de uma polêmica no final de outubro do ano passado. Na época, o secretário informou que as feiras livres seriam reorganizadas em três pontos fixos no centro. Paulo informou ainda, que o Ministério Público, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e da Associação dos Deficientes do Oeste de Minas (Adefom) estavam reclamando da situação, pois as barracas obstruíam as calçadas. “Os 22 feirantes que estão no projeto Agricultura Familiar vão ficar agrupados em três pontos escolhidos por eles. Quem está na [Avenida] 7 de Setembro com Rio de Janeiro vai para a Rua Rio Grande do Sul, ou seja, vai andar um quarteirão. Vai ficar na sombra, com barraca padronizada, com sinalização e não vai perder os clientes”, detalha.
 

 

PROJETOS PARA 2016
A padronização e a organização das feiras livres era um projeto para 2016 e deixa Paulo preocupado, caso não seja levado adiante. O ideal era ter a Vigilância Sanitária do município atuando mais, para que a população pudesse comprar os alimentos em total segurança alimentar. “A gente quer que a pessoa compre um queijo, mas saiba que este queijo tem procedência. A segurança alimentar é a palavra de ordem hoje. A população chega ao açougue para comprar uma carne e sabe que é uma carne inspecionada, e isso é importante, é segurança alimentar”, define.
O ex-secretário defende ainda a organização, para que outros comerciantes não sejam prejudicados com a ocupação das calçadas. “Existem pessoas que pagam impostos, abrem uma loja, pagam aluguel, salários, funcionários, e as pessoas que são de fora estão vindo e concorrendo deslealmente. A gente tem que ter sim essa reserva de mercado, essa proteção, proteger quem paga imposto e gera emprego para Divinópolis”.
Outra iniciativa que será implantada em Divinópolis este ano é a feira noturna na região da Savassi, no centro da cidade. De acordo com o ex-secretário, a feira é da Associação dos Produtores Rurais da Agricultura Familiar (Aprafad), e já foi um grande sucesso durante a realização do Prato da Casa, na edição de 2015. “O pessoal que trabalhou na feira noturna vendeu todos os produtos. Porque às vezes a pessoa está em casa e quer comprar uma verdura, mas não quer pegar fila em supermercado, já passa na feira e compra o produto fresquinho”.
 

 

PRATO RURAL
Um projeto que também foi iniciativa de Paulo Marius, e caiu no gosto do divinopolitano, é o Prato Rural. A competição entre os melhores pratos de bares da comunidade rural foi inspirada no Prato da Casa. A primeira edição foi em 2011, e a consolidação com Sindicato Rural foi em 2012. Conforme o ex-secretário, o projeto tem como objetivo divulgar as tradicionais comidas que são feitas na zona rural do município. “As comunidades rurais fazem os pratos, participam do evento, vendem e o dinheiro volta para a comunidade. [Comunidade] O Quilombo, por exemplo, conseguiu reformar toda a sede com o dinheiro dos pratos rurais que participou. Eu passei o projeto agora para o Gustavo Bicalho, que é expert no Prato da Casa, para que ele toque tudo. A minha ideia foi fazer para movimentar as comunidades rurais”, conta.
 

 

FUTURO
Quanto ao futuro, Paulo garante que já tem grandes projetos. O ex-secretário faz um balanço dos anos que esteve à frente da pasta, e agradece a equipe da Secretaria Municipal de Agronegócio. “Foi muito positivo o tempo que eu estive na secretaria. Poderia ter feito mais coisa? Sim. Mas às vezes a gente não tem na mão aquilo que a gente espera. Às vezes falta dinheiro, funcionários para nos ajudar, autonomia para fazer determinadas coisas, poderia ter realizado mais coisas. O balanço foi bom, foi tranquilo. Eu agradeço profundamente a equipe da Semag, e aos produtores rurais pela paciência e o comprometimento que tiveram”, conclui.

 

Créditos: Mariana Gonçalves

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