quarta-feira, 29 de Agosto de 2012 15:49h Gazeta do Oeste

Paulo Preto diz que não conhece Carlinhos Cachoeira e não tem nada a temer

O engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, estatal rodoviária do governo de São Paulo, disse nesta quarta-feira,  durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, que não conhece o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Sobre o contraventor, o engenheiro disse que sabe dele apenas o que viu publicado na imprensa. “Não conheço o Carlos Augusto Ramos. O que soube é pela imprensa”, frisou.

Paulo Preto também garantiu que não tem o que temer. “Não saio dessa casa sem entregar todos os documentos comprobatórios de tudo o que eu falar aqui nesta comissão”, disse Paulo Preto. Ele admitiu, no entanto, conhecer o empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da Empreiteira Delta, com quem disse ter se encontrado por duas vezes, na sede da Dersa.

De acordo com a Polícia Federal, a Delta recebeu quase R$ 4 bilhões dos contratos com o governo e repassou pelo menos R$ 413 milhões a empresas de fachada ligadas a Carlinhos Cachoeira, que, por sua vez, aparece em ligações telefônicas, gravadas pela PF, atuando em favor da Delta.

Paulo Preto é apontado pela Polícia Federal como responsável por contatos entre a estatal paulista e a empresa Delta Construções. Ele ainda é apontado como operador de um suposto caixa 2 para campanhas tucanas.

“Fui convocado para esclarecer e esclarecerei. Não me sinto intimidado. Vou falar a minha versão, que é a verdade dos fatos”, disse Paulo Preto. “Só sou ameaça para os incompetentes”, completou.

Paulo Preto não ingressou com pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe garantiria o direito de permanecer em silêncio. Pela Constituição Federal, nenhum cidadão é obrigado a produzir prova contra sim próprio, mesmo sem o benefício do habeas corpus. Contudo, o instrumento tem sido requerido por várias pessoas convocadas para depor em CPIs por precaução.

Depois de ser exonerado da Dersa, hás mais de dois anos, Paulo Preto disse que não voltou ao mercado de trabalho e que vive de rendas, após a venda de uma apartamento em Sâo Paulo, capital.

A CPMI do Cachoeira está reunida nesta quarta-feira para ouvir, além de Paulo Preto, Fernando Cavendish. O empresário ingressou  no Supremo Tribunal Federal e conseguiu habeas corpus para permanecer em silêncio.

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