segunda-feira, 28 de Setembro de 2015 09:38h Atualizado em 28 de Setembro de 2015 às 09:42h. Jotha Lee

Período pré-eleitoral acirra os ânimos entre políticos e clima esquenta entre ex-vereador e ex-deputado

O clima esquentou de vez entre o ex-vereador, Edson Sousa (PMDB), e o ex-deputado, Geraldo da Costa Pereira, que essa semana foram protagonistas de um bate-boca repleto de farpas e acusações

Embora ambos tenham tentado demonstrar polidez e declarado que são amigos, as críticas são ácidas e diretas. A rusga começou após entrevista publicada pelo Jornal Gazeta do Oeste em sua edição da última quarta-feira, dois dias após a filiação de Edson Sousa ao PMDB. Entrevistado para falar sobe seu novo destino político, o sociólogo e ex-vereador acabou fazendo uma análise resumida da atualidade política de Divinópolis. Disse que a cidade não tem voz, fez uma projeção de que o PMDB deverá fazer oito vereadores nas eleições do ano que vem e disse que a nomeação do ex-prefeito Demetrius Pereira (PT) para o cargo de assessor regional do governador Fernando Pimentel não passou de um teatro. Como já foi amplamente noticiado, Demetrius recusou o cargo, porém conseguiu emplacar o coronel Paulo Adriano Cunha para ocupar a vaga.
Na manhã de quinta-feira, após ler as declarações do ex-vereador, Geraldo da Costa disse que não poderia ficar calado e falou grosso. Na sua réplica, o ex-deputado explicou a recusa do seu filho Demetrius Pereira ao cargo de assessor, contestou as afirmações de que Divinópolis não tem voz e ironizou a projeção feita pelo ex-vereador de que o PMDB poderá eleger oito vereadores no ano que vem.
Geraldo da Costa disse ainda que o PMDB não cumpre seus acordos e citou nomes de políticos que teriam sido traídos pelo partido. “O Edson vai ser a próxima vítima do PMDB. Como fui eu, o Valdemar [Raimundo Manoel, ex-vereador], o Márcio Miranda, a Dona Maria Martins, o Rinaldo Valério. Todos foram traídos pelo PMDB, porque o partido não cumpre compromisso com ninguém”, alfinetou o ex-deputado.

 

 

TRÉPLICA
A tréplica de Edson Sousa veio no mesmo tom. Pela edição de quinta-feira do Gazeta do Oeste, o ex-vereador reagiu ao ler as críticas do ex-deputado estadual. Disse que mantinha todas as suas declarações, acrescentando que sua filiação ao PMDB causou ciúmes a Geraldo da Costa, que foi deputado estadual por cinco mandatos pelo partido.
“Reafirmo que Divinópolis é muito pobre politicamente, por se tratar de uma cidade pólo. Para uma cidade dessa envergadura, nós não temos respeitabilidade política. Não estamos discutindo o mandato dele. Quem tenta mudar os fatos do passado é sociopata. O passado de Geraldo da Costa merece respeito, ninguém questiona. Eu tenho um grande respeito por ele, mas sua vida política não é o ponto central do debate”, disparou o ex-vereador, candidato à reeleição no ano que vem. “Hoje estamos discutindo questões maiores, além da ponte do Gafanhoto. Estamos discutindo a geopolítica. A voz de Divinópolis no cenário. A região Centro-Oeste está pobre, está órfã”, emendou.
Com ironia, Sousa classificou a reação do ex-deputado como um ato de amor. “Isso está me cheirando mais ao amor de um pai zeloso, me cheirando mais a um desabafo de um pai zeloso, do que questionamentos de um líder", ironizou. “Quando ele zomba da projeção de que o PMDB vai fazer oito vereadores, ele deveria estudar um pouco mais de estatística para saber o que é probabilidade e possibilidade. Eu falo de probabilidade”, acrescentou.
Para o ex-vereador, a reação de Geraldo da Costa foi provocada por ciúmes. “Parece que o Geraldo tem um ciúme mal resolvido com o PMDB e isso lhe faz mal. Ele é um homem polido, elegante. Na entrevista que deu ao Gazeta, ele só fala em PMDB, em traição e cita nomes dos quais ele não tem procuração pra falar que foram traídos. Ele fala da Dona Maria [Martins], Waldemar da Pamer, do Dr. Rinaldo [Valério]. Parece que ele virou um procurador anti PMDB”, atacou.
O ex-vereador, em tom polido, mas mordaz, garantiu ser amigo do ex-deputado. “O Geraldo é meu amigo, mas eu não posso aceitar que um homem cuja palavra tem peso e respeito, venha falar bobagem. Isso é ciúme. Essa filiação minha ao PMDB trouxe ciúme. Acho que o Geraldo deveria falar mais de Divinópolis e menos de política. Quero lhe mandar um abraço de amigo e um conselho: fale mais do PT. O passado de Geraldo da Costa é muito mais forte do que ser porta-voz de partido”, finalizou.

 

Créditos: Jotha Lee

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