terça-feira, 30 de Outubro de 2012 03:55h Gazeta do Oeste

Petistas ficam distante do centro de comando em Minas

O PT encolheu na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O partido perdeu Contagem e Betim para o PCdoB e PSDB, respectivamente. Entres as 34 cidades da Grande BH, o PT passou de quatro para seis prefeituras, mas o número de eleitores caiu de 714.558 para 246.591, na comparação com a eleição de 2008. “Não dá para fazer um balanço localizado”, argumenta o presidente estadual do partido, deputado federal Reginaldo Lopes. “Nós ganhamos 26 das 50 maiores cidades do Estado. Na avaliação geral, o nosso resultado foi positivo”, afirma.

No universo de 3.605.561 eleitores da Grande BH, a participação do PT caiu de 19,8% para 6,8%, passando da segunda para a quinta força na região. O presidente da legenda entende que as derrotas em Betim e Contagem foram importantes para a queda na participação, mas acredita que a derrota em Contagem e em outras cidades, como Juiz de Fora, só aconteceu porque o partido enfrentou legendas da base da presidente Dilma Rousseff (PT).

Em Contagem, o petista Durval Ângelo foi derrotado por Carlin Moura (PCdoB), que no segundo turno recebeu apoio do PSDB. Em Betim, a prefeita Maria do Carmo Lara (PT) não foi reeleita e perdeu para o tucano Carlaile Pedrosa. Se perderam nas cidades com o segundo e o terceiro eleitorado da RMBH, os petistas levaram o quarto, Ribeirão das Neves, com Daniela Corrêa, sobrinha do deputado federal Miguel Corrêa Jr. (PT), filiada ao PSB.

Entretanto, a derrota petista na Grande BH pode ser maior se considerada a influência do partido no primeiro mandato de Marcio Lacerda (PSB). O prefeito foi eleito, em 2008, com o apoio dos petistas, presentes no poder municipal desde 1993. Porém, com a derrota de Patrus Ananias (PT) no primeiro turno deste ano, o partido está sendo removido da PBH. “Mesmo não ganhando a eleição em Belo Horizonte, a vitória política foi extraordinária. Retomamos 40% do eleitorado e demos unidade ao partido na disputa para governador”, avaliou Reginaldo Lopes. O presidente estadual do partido não vê erros nas campanhas, que poderiam ter levado às derrotas na Grande BH. “Talvez em Betim tenha havido um erro de comunicação e articulação política”, destacou.

Enquanto o PT deixou de ser o segundo partido para ser o quinto, o PSB se manteve na liderança, graças à reeleição em Belo Horizonte com Marcio Lacerda. Os 1.860.172 eleitores da capital correspondem a 51% do eleitorado de toda a região metropolitana. Com as vitórias em Santa Luzia, Lagoa Santa e Mário Campos a participação dos socialistas chega a 57%.

Tucanos

Com a vitória em Betim, o PSDB voltou a ter uma representação significativa na RMBH. Em 2008, foi vitorioso em Mário Campos, Rio Acima e Taquaraçu de Minas, que somam apenas 18.295 eleitores (0,5% da RMBH). Nas eleições deste ano, os tucanos venceram em Betim, Brumadinho, Florestal e Nova União, que juntas somam 292.201 eleitores (8,1%). Para o presidente estadual do PSDB, o deputado federal Marcus Pestana, seu partido teve uma vitória “retumbante” na região metropolitana, e um resultado significativo em BH. Mesmo vencendo em Betim com um prefeito tucano, Carlaile Pedrosa, ele comemora como maior trunfo a eleição em BH, onde apoiou o PSB . “O PT foi varrido da região metropolitana nas suas três maiores cidades. Em Belo Horizonte nós tivemos uma vitória expressiva contra o maior líder do PT de Minas Gerais, que é Patrus Ananias, ex-ministro e ex-prefeito. Ganhamos em Contagem e ganhamos em Betim”, ressaltou. Já Reginaldo Lopes considera que a vitória em BH não pode ser creditada ao PSDB, pois, na análise do petista, o PSB terá que dividir o poder com quase duas dezenas de partidos. Pestana comemorou também a vitória em Contagem, apesar de o candidato tucano, Ademir Lucas, não ter chegado ao segundo turno. Ele ressaltou a derrota do PT, que comandou a cidade desde 2004, com dois mandatos consecutivos de Marília Campos.

O PCdoB, de Carlin Moura, não tinha nenhum prefeito na RMBH e com a vitória do deputado estadual comandará um eleitorado de 432.894 pessoas (12%), representando a segunda força. Já o PMDB passou de cinco prefeituras para oito e viu o eleitorado das cidades que comanda passar de 246.587 (6,8%) para 326.134 (9%).

 

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