PF desmonta esquema de Cachoeira

Preso há 178 dias, desde a deflagração da Operação Monte Carlo pela Polícia Federal, o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, dá sinais de que continua no comando da organização criminosa. Uma investigação da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco), da Polícia Civil do Distrito Federal, indica que a quadrilha do bicheiro explorava, pelo menos, sete bingos eletrônicos na capital federal havia seis meses. Um deles, na 910 Sul, fica a 7,5 quilômetros do Congresso, onde uma CPI investiga as relações de Cachoeira com políticos e empresários. A principal suspeita é de que o grupo migrou do entorno para o DF depois da prisão do bicheiro.

 

 

Ontem, durante a Operação Jackpot, agentes e delegados da Deco prenderam três responsáveis por organizar e gerenciar a jogatina. Outros dois suspeitos estão foragidos. A investigação da Polícia Civil confirma o depoimento da procuradora da República Léa Batista de Oliveira, na terça-feira, de que a quadrilha comandada por Cachoeira tem características de grupos mafiosos e continua em ação, mesmo depois da prisão dele. “Essa organização não foi totalmente desarticulada. Isso só vai ocorrer quando sufocarmos o braço empresarial e financeiro da quadrilha, que continua fazendo ameaças e chantagens. Trata-se de uma máfia, com características clássicas, como código de silêncio orquestrado”, afirmou a procuradora.

 


Cachoeira está preso desde 29 de fevereiro. Detido inicialmente no presídio federal de Mossoró (RN), ele acabou transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, na terceira semana de abril. Além dele, outras 20 pessoas foram presas durante a Operação Monte Carlo. O bicheiro é suspeito de envolvimento com a Construtora Delta, que tem contratos milionários em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em vários estados.

 

 


As sete casas de jogatina descobertas pela Polícia Civil estavam instaladas em Sobradinho II, Ceilândia, Gama, Jardim Botânico e em áreas nobres de Brasília, como o Setor de Mansões do Lago Norte e no Plano Piloto. Cada uma rendia cerca de R$ 10 mil por dia, segundo a polícia.

 


De acordo com a Polícia Civil, mesmo na cadeia, há indícios de que Cachoeira continuava articulando com os subordinados. Os delegados à frente da investigação, Henry Peres e Fernando Cocito, afirmam que Raimundo Washington de Sousa Queiroga, Otoni Olímpio Júnior e Antônio José Sampaio Naziozeno – presos ontem – são homens de confiança do bicheiro e voltaram a atuar nos jogos ilegais depois de soltos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Bruno Gleidson, responsável por fazer manutenção e instalação das máquinas, também foi detido. Antônio Naziozeno e Edvaldo Ferreira Lemos – que fazia a mesma atividade que Bruno – continuam foragidos.

 

 


“O nível de ousadia desse grupo não tem limite. Mesmo com a CPI e com um processo na Justiça Federal, eles vieram tentar se instalar na capital. É um dos fatos mais graves, pela ousadia, que verificamos ao longo de muitos anos”, ressaltou o diretor-geral da corporação, Jorge Xavier. A polícia deve encaminhar a apuração à CPI do Cachoeira e à Justiça Federal.

 


Oitenta máquinas caça-níqueis foram apreendidas ao longo das apurações. “Esses homens são subordinados a Cachoeira. E, se eles realizavam essa atividade, o chefe deles com certeza sabia. Vamos chamá-lo (Cachoeira) para depor”, afirma Henry Peres, delegado-chefe da Deco.

 


Investigação

 

 

A investigação que resultou nas prisões ontem durou seis meses. Durante esse tempo, os policiais monitoraram as sete casas e ouviram testemunhas. Ontem, às 6h, 120 policiais civis foram às ruas para cumprir cinco mandados de prisão e 13 de busca e apreensão. As apurações da Deco começaram com apreensões de caça-níqueis no DF após a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que prendeu Cachoeira.

 


Em Sobradinho II, existiam 13 máquinas. Em Ceilândia, 11; na Asa Norte, seis; e na Asa Sul, sete. Outras 43 máquinas foram apreendidas pela Deco no Gama, no Lago Norte e em Valparaíso (GO). Segundo os investigadores, a jogatina descoberta em Goiás era realizada em um condomínio na região do Jardim Botânico, mas teria sido transferida para Valparaíso após suspeitas da quadrilha de que a polícia havia descoberto o local. No monitoramento da casa do Gama, olheiros do grupo seguiram o carro dos investigadores, que anteciparam a invasão ao local. Na sala de jogos do Lago Norte, os policiais localizaram vales de clientes no valor de R$ 37 mil. O documento seria uma forma de pagamento adiantado realizado por apostadores. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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