sábado, 18 de Outubro de 2014 14:54h Atualizado em 18 de Outubro de 2014 às 14:57h. Jotha Lee

Pimentel diz que Copasa não presta serviços adequados aos divinopolitanos

Governador eleito afirma que em seu governo companhia terá que cumprir suas obrigações

Crédito: Aaron Gabriel

 


O governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), na visita a Divinópolis na última quinta-feira, fez duras críticas à atuação da Copasa na cidade. Para ele, a empresa pública de economia mista, controlada pelo governo do Estado, é a grande responsável pela morte do Rio Itapecerica. “Vemos o rio totalmente poluído, em condições precaríssimas e não sei como será a captação de água na cidade daqui para frente, porque a Copasa, nesses anos todos de concessão, foi incapaz de construir um reservatório”, criticou. “Acho espantoso, não tem reservatório, não houve nenhum investimento em captação. A continuar assim, daqui a pouco não tem água. Nós já estamos com problema de água em Divinópolis”, acrescentou.
Pimentel garantiu que o futuro presidente da Copasa a ser indicado pelo seu governo terá que rediscutir a situação de Divinópolis. “O engenheiro que sentar lá na Copasa vai ter que discutir a solução para todos esses problemas”. O governador eleito disse ainda que após assumir o executivo estadual fará pelo Rio Itapecerica o que o atual governo não fez. “Vamos chamar a companhia de abastecimento [Copasa] e fazê-la cumprir sua função”, garantiu.
Outro ponto atacado pelo governador eleito foi a cobrança da taxa pelo tratamento do esgoto, que está sendo paga pelo consumidor divinopolitano desde janeiro do ano passado. A tarifa, que já vem embutida na conta de água, é de 50% sobre o valor do consumo. “Como é que a Copasa cobra a tarifa e não trata um centímetro de esgoto? Como é que ela cobra a taxa de água e sequer montou um sistema de captação com reservatório que previsse um período como esse de seca prolongada?”, questionou.
De acordo com o governador eleito, essa situação se repete em várias cidades do Estado. Ele citou o caso de Pará de Minas, onde o prefeito, Antônio Júlio (PMDB), já anunciou o rompimento do contrato de concessão de abastecimento com a Copasa, depois de 30 anos de vigência. “Nós temos que rever esses procedimentos da Copasa. A companhia tem que prestar o serviço para o qual ela foi contratada. Não tem como escapar disso. Se é companhia de saneamento, ela tem que sanear. Se ela é de captação e abastecimento, ela tem que captar. Se ela não o fez, está errado. Tem que corrigir. É isso que tem que ser feito”, determinou.

 

BISPO
Na última terça-feira, o bispo diocesano, Dom José Carlos, se reuniu com o secretário municipal do Meio Ambiente, Willian Araújo, para discutir a situação do Rio Itapecerica, que definitivamente entrou na agenda de prioridades da Diocese. Além do secretário, também participaram do encontro o gerente operacional da Copasa, Maurício Pereira, e o gerente distrital do Alto Pará, Ronaldo Dias.
Após a reunião, o secretário repetiu o velho discurso do governo municipal. “A prefeitura, em relação ao Itapecerica, hoje tem dois projetos em andamento. De recuperação do rio, já está sendo feito, que é a concessão do tratamento de esgoto pela Copasa, esse tratamento é biológico e químico. O segundo projeto é de recuperação física do rio, com a contratação de uma empresa de engenharia de estudos hidrológicos, que está fazendo o estudo para concepção dos projetos executivos que definirão qual a real situação do rio, onde a Prefeitura terá que intervir com obras para evitar problemas como enchentes, períodos de escassez de água como agora, questões de desassoreamento, construções de barragens. São dois projetos separados, um físico, feito pela empresa de engenharia, e outro que é o tratamento biológico, que a Copasa já tem feito. Um complementa o outro. São grandes projetos que o município está fazendo, que irão de forma definitiva salvar o rio Itapecerica”, afirmou.
Sobre a retirada dos aguapés, o secretário disse que duas frentes de trabalho continuam executando a limpeza, mas conta com a chuva, para efetivar o serviço. “A Prefeitura está com duas frentes de trabalho, uma é a balsa, que está trabalhando efetivamente. A outra é a equipe técnica da Prefeitura que está com a mão de obra específica e uma retroescavadeira. É um trabalho lento, pois a massa de aguapés é brutal, muito grande. Mas hoje nós já conseguimos ver filetes de água, o que antes não víamos. O período de chuva que está por vir irá complementar o trabalho de limpeza, pois com o aumento natural do volume da água esse restante de aguapé naturalmente será escoado”, finalizou.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.