terça-feira, 3 de Março de 2015 12:19h

Pimentel faz novo alerta sobre risco de racionamento de água na RMBH

Durante evento com empresários, governador de Minas Gerais afirma que, se não houver economia, poderá faltar água dentro de quatro meses na região

O governador Fernando Pimentel afirmou nesta terça-feira (3/3), durante evento com empresários que selou o “Pacto de Minas pelas Águas”, que se não houver economia e redução do consumo, a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ficará sem água dentro de quatro meses. Segundo a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), os reservatórios que abastecem a região estão em média com uma capacidade de 30% de armazenamento de água, volume que garante o consumo pleno por, no máximo, quatro meses.
“Se não mudarmos os hábitos de consumo, se não conseguirmos aumentar a captação, ou seja, se não chover, mantida a capacidade atual de reservação de água, vamos ter que racionar daqui a três, quatro meses”, afirmou Pimentel em pronunciamento no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
No fim de janeiro, o Governo Estadual pediu que os consumidores mineiros reduzissem em 30% o consumo de água para evitar o agravamento da situação hídrica. Balanço divulgado pela Copasa nesta terça-feira mostra que, em um mês, a redução do consumo no estado foi de 7,4% em comparação com o mesmo período de 2014. Na RMBH, a economia foi de 9,4%, ainda insuficiente para evitar um colapso no abastecimento da região.
Segundo a empresa, caso o índice atual de redução no consumo da Região Metropolitana de Belo Horizonte não alcance os 30% e o volume de chuvas de 2015 não superar o de 2014, a previsão é de que o Sistema da Bacia do Paraopeba, que abastece a RMBH, entre em colapso entre junho e julho

Sobretaxa
Para evitar a falta de água, o governador disse que o Estado aguarda uma autorização da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae) para sobretaxar quem tiver um consumo acima da média do ano passado.
“Vamos trabalhar para que não haja racionamento. O que estamos propondo é uma sobretaxa para quem gastar acima da média do ano passado. É isso que estamos discutindo com a agência reguladora e acredito que vamos ter este instrumento”, completou.
Segundo Pimentel, ao contrário do que ocorreu no passado, o Governo vem adotando uma gestão completamente diferente no Estado, pautado na transparência. Os dados sobre o abastecimento de água vão ficar sempre disponíveis para qualquer cidadão na página da Copasa e todas as ações que forem tomadas pelo governo serão previamente anunciadas, discutidas, negociadas e construídas a partir de consensos.
“Queremos, de fato, que não falte água para ninguém, mas para que isso possa acontecer todos temos de estar empenhados na mesma direção. O Pacto das Águas é um sinal importantíssimo nesse sentido. É um sinal de fato que nós, mineiros, sabemos do problema, detectamos as falhas e os erros, e sem nenhum juízo de valor, vamos corrigi-los para que não aconteça de novo. É esse compromisso que quero convidar a todos para assumirmos juntos”, afirmou o governador durante a solenidade.

Ações do Governo
Idealizado pela Fiemg, o documento Pacto de Minas pelas Águas foi entregue ao Governo do Estado pelo presidente da entidade, Olavo Machado Júnior, e traz uma série de iniciativas do setor empresarial visando contribuir para atingir da meta de redução de 30% no consumo de água, proposta pela Copasa. Em contrapartida, o setor sugere uma série de medidas a serem adotadas pelo governo para possibilitar a viabilidade dessas ações.
Entre as ações já adotadas pelo Governo de Minas Gerais para enfrentar a falta de água, estão a criação do site www.copasatransparente.com.br, com informações diárias sobre o nível dos reservatórios, a implantação do programa CaçaGotas, com 40 equipes de campo para combater vazamentos, a criação de uma campanha educativa na TV e na web que incentiva a promoção de novos hábitos para a redução do consumo,  e a intensificação na contratação de caminhões-pipa e perfuração de poços artesianos nas regiões mais críticas no restante do Estado para atendimentos emergenciais.
O Governo de Minas Gerais também trabalha em parceria com o Governo Federal para liberação de recursos, estimados em R$ 809 milhões, a serem aplicados em obras e projetos de abastecimento e gestão hídrica.
Finalmente, por determinação do governador, foi criada uma força-tarefa para gerir o abastecimento de água em Minas Gerais. O grupo envolve secretários estaduais e presidentes de empresas e autarquias, como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). A atuação intersetorial ocorre nos encontros permanentes do grupo de trabalho, coordenado pelo secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães.

Proatividade
O presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior, elogiou o trabalho proativo que vem sendo realizado pelo Governo de Minas Gerais e se comprometeu a participar dos esforços para a superação da crise.
“Felizmente, o Governo Pimentel atua de forma inovadora, proativa e competente no combate à crise que já atinge regiões no Sul e no Sudeste do país. O novo governo prioriza a transparência no trato com usuários e consumidores, planeja e anuncia providências visando elevar a oferta de água nas diferentes regiões do Estado. Transparência e balizamento são fundamentais para evitar a falta de água”, disse o empresário.
Também entregaram o documento a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL-MG), Associação Comercial de Minas (ACMinas), Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Centro Industrial e Empresarial (Ciemg), Federação da Agricultura e Pecuária (Faemg), Federação das Associações Comerciais (Federaminas), Federação do Comércio (Fecomércio/MG), Organização das Cooperativas (Ocemg), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-MG) e Sindicato das Empresas de Transportes de Carga (Setcemg).

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