segunda-feira, 5 de Novembro de 2012 02:29h Gazeta do Oeste

Políticos que investigaram o mensalão 2005 vão comandar capitais importantes

Enquanto os envolvidos no maior escândalo da história política brasileira podem estar em vias de cumprir penas na cadeia, depois da condenação em série pelo Supremo Tribunal Federal (STF), quatro dos parlamentares que ganharam notoriedade durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios – que investigou o mensalão em 2005 – vivem dias de glória. Em janeiro, vão assumir as prefeituras de importantes capitais brasileiras: Arthur Virgílio Neto (PSDB) em Manaus, ACM Neto (DEM) em Salvador, Gustavo Fruet (PDT) em Curitiba e Eduardo Paes (PMDB) no Rio de Janeiro. Eles se tornaram estrelas do mundo político atuando pela punição dos envolvidos no esquema de compra de votos no Congresso. Agora, sete anos depois, medem as palavras antes de falar sobre os condenados. Assumem os cargos com uma lupa da sociedade sobre si por terem atuado na revelação das provas que ajudaram nas condenações no maior julgamento penal da história do STF sobre um caso de corrupção.

Os quatro chegam ao Executivo com histórias diferentes. Um dos mais exaltados críticos, que ganhou os holofotes – à época era líder do PSDB no Senado –, Arthur Virgílio se elegeu prefeito de Manaus derrotando a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), que teve o ex-presidente Lula em seu palanque. A briga particular com o ex-presidente foi tensa. Lula encarou como projeto pessoal derrotar Virgílio na capital amazonense. Isso porque desde as denúncias do mensalão o tucano o atacou por todos os flancos. Chegou inclusive a ameaçar o petista com uma surra.

ACM Neto também continuou na oposição. Derrotou em Salvador Nelson Pelegrino, do PT. Na campanha, se desculpou por um episódio da CPI explorado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha do adversário. É que durante as investigações, o democrata disse que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) o estaria grampeando e que, a exemplo de Arthur Virgílio, também seria capaz de dar uma surra em Lula. Agora eleito, o discurso é outro: diz buscar uma relação harmoniosa com a presidente Dilma Rousseff.

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