quarta-feira, 18 de Novembro de 2015 09:01h Atualizado em 18 de Novembro de 2015 às 09:04h. Jotha Lee

População reage contra a redução da jornada de trabalho dos médicos

Vereadores rebatem críticas e asseguram ser a única medida a ser tomada no momento

A redução da jornada de trabalho dos médicos da rede municipal causou reação indignada da população e ontem durante todo o dia as redes sociais foram utilizadas para manifestos rigorosos contra a medida e críticas aos vereadores que aprovaram o projeto de autoria do Executivo. Os comentários indignados culpam os vereadores pela adoção da medida, já que o projeto passou pela Câmara em regime de urgência e sem maiores discussões.
Durante a sessão de ontem, houve reação indignada dos parlamentares. O vereador Delano Santiago Pacheco (PRTB), autor do anteprojeto da redução da carga horária enviado ao Executivo, que o transformou no projeto aprovado pela Câmara, lembrou que Divinópolis tem cerca de 200 médicos concursados e 60 especialistas na Policlínica. “Eles resolveram em sua maioria tirar férias sem vencimento. Alguns tem outros direito, tiraram férias prêmio e Divinópolis ficou desassistida”, lembrou. “Realizamos duas audiências públicas para discutir essa situação e ninguém apareceu para dar sugestões”, criticou.
De acordo com Delano Santiago, o piso salarial dos médicos divinopolitanos de R$ 2,4 mil, enquanto o piso nacional é de R$ 11,5 mil, foi o motivo para que a situação atingisse o limite.  “Com o baixo salário oferecido, os médicos resolveram pedir licença, exoneração, férias prêmio, o que é um direito deles”, lembrou. Ainda segundo o vereador, havia um contrato de gaveta entre o MP e a Secretaria Municipal de Saúde, através do qual os médicos deveriam realizar 16 consultados em quatro horas de trabalho. “Esse contrato durou quase 20 anos e a gente sabia que tem médico que não fica no Posto nem 50 minutos. Havia médico que tinha a coragem de chegar ao posto de saúde as 7h e sair as 7h40”, relatou.
De acordo com Delano Santiago, a redução da carga horária foi uma medida de consenso. “Chegou-se a um consenso e a redução, que foi de 1h20 e não duas horas como foi noticiado, com ponto biométrico, foi a saída encontrada. Tomara que eles cumpram a carga horária a partir de agora”, finalizou.

 

ALTERNATIVA
O vereador Adilson Quadros (PSDB) disse que a redução da jornada de trabalho dos médicos foi uma medida emergencial. “Isso foi para evitar que a cidade fique sem assistência médica, principalmente o cidadão que precisa”, garantiu. “Precisava buscar uma alternativa. Todo mundo entendeu o recado, todo mundo entendeu que nós precisávamos dar condições a esses profissionais de continuar trabalhando da melhor maneira possível e a redução da carga horária foi o que a gente tinha para uma medida de urgência”, assegurou. “A gente precisa ter coragem de tomar algumas decisões e foi o que essa Casa fez”, finalizou.
O vereador Rodyson Kristinamurt, um dos mais indignados com as críticas, disse que os médicos ameaçaram demissão em massa, caso não houvesse uma solução. “Isso aqui é temporário, é um paliativo até encontrar a solução definitiva. Não temos dinheiro para aumentar salário dos médicos, então buscamos essa solução”, assegurou. “É uma covardia ir para trás do computador e fazer acusações sem saber o que está acontecendo”, concluiu o tucano se referindo à avalanche de críticas nas redes sociais.
O vereador Nilmar Eustáquio (PP) afirmou que as críticas foram motivadas pela aproximação de mais uma eleição. “Toda essa movimentação na internet a gente percebe que são candidatos tentando alavancar os seus nomes. Isso é oportunismo eleitoral”, disparou. “Essa Casa teve peito e coragem de fazer e sabemos que um profissional com duas horas e meia pode dar um bom atendimento nas unidades de saúde”, avaliou.
Para Marcos Vinicius Alves da Silva (PSC) a medida é controversa, mas tinha que ser tomada. “Foi um mal necessário. Isso vai muito além de que um enquadramento hierárquico, mas é questão de saúde pública, para evitar a desassistência médica no município. Foi uma medida pontual, emergencial, para corrigir uma distorção”, avaliou. O presidente da Comissão de Saúde da Câmara, Edimilson Andrade (PT), disse que a medida não vai causar prejuízos, já que os médicos vão atender as mesmas 16 consultas que eram realizadas com a carga horária de quatro horas.

 

Créditos: Jotha Lee

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