sexta-feira, 30 de Setembro de 2011 09:06h Atualizado em 30 de Setembro de 2011 às 09:49h. Flávia Brandão

População terá que “engolir” 17 vereadores

Faixas, narizes de palhaços, caricaturas, vassouras marcaram o protesto dos manifestantes contrários a proposta de aumento de 13 para 17 edis.Pr.Paulo César (PRB) pediu retirada das vassouras e recebeu adjetivos como “autoritário” e "ditador"

Está aprovada a Proposta de Emenda a Lei Orgânica Municipal no CM 004/2011, que aumenta o número de vereadores da Câmara Municipal de Divinópolis, passando de 13 para 17 parlamentares já para as eleições de 2012. Várias faixas, caricaturas, narizes de palhaços, vassouras mostraram a indignação da maioria dos cidadãos presentes em plenário para a 2ª votação, que foi realizada ontem (29). No entanto, apesar dos protestos, os edis favoráveis na 1ª votação não se sensibilizaram e mantiveram o voto, ficando o placar de 10 votos favoráveis contra dois. O presidente da Câmara Municipal, Pastor Paulo César (PRB), recebeu adjetivos como “autoritário” e “ditador” pelos manifestantes ao pedir que fossem retiradas as vassouras do plenário. A polícia foi acionada ao local e marcou presença com dez militares até o final da reunião.


Para o manifestante Leonardo Teixeira – um dos líderes do movimento de protesto contra o aumento, que iniciou nas redes sociais facebook e twitter - o resultado foi o esperado. “O resultado foi feito no dia 12 de setembro, já havia um acordo de lideranças. Por isso que o Paduano falou que estava tudo acertado. Isso aqui só foi um teatro. Eles fazem o que querem, não ouvem a população”, declarou. Na ocasião, o manifestante entregou um abaixo assinado, mas disse que não foi dada nenhuma resposta, mas sentenciou: “a população irá dar a resposta nas urnas em 2012”.


Autoritarismo


Desde as 14 horas os manifestantes marcaram presença na Casa. Entre o grupo duas manifestantes marcaram presença com vassouras como forma de protesto, para dizer queriam varrer a corrupção municipal, a exemplo da manifestação feita recentemente em Brasília. No entanto, o objeto desencadeou o estopim para vários protestos, quando o presidente do Legislativo, Pastor Paulo César, pediu para que as vassouras fossem retiradas de plenário.


O jornalista Itamar de Oliveira , que estava próximo às manifestantes, foi citado pelo presidente da Câmara para que “ajudasse” no propósito de retirar as vassouras de plenário. Mas o jornalista rebateu o pedido e disse que o protesto era “ordeiro” e não havia motivo para as vassouras fossem retiras. A postura do jornalista foi aplaudida pelos manifestantes. “A vassoura é simbólica é a forma que a população tem para expressar sua insatisfação com os políticos e no caso aqui com os vereadores e está fazendo isso de forma pacífica não houve ameaça de ninguém. Quando o Pastor toma uma atitude dessas demonstra um certo autoritarismo, que não coaduna com a presidência de uma Casa Legislativa”, disse o jornalista.


Leonardo Teixeira também criticou a postura de Paulo César classificando a mesma como “extremamente autoritária”. “Nem parece o Pastor, parece um ditador com um medo de uma vassoura como o diabo de uma cruz. Fiquei impressionado como o incomodou. Na verdade é um símbolo de varrer a corrupção (...) e ele ficou incomodado com a vassoura o tempo inteiro” declarou.


Justificativa


Já o presidente justificou a atitude dizendo que como magistrado ele como guardião do regimento interno tem que zelar pela integridade das pessoas. “Você não vê em um tribunal de júri pessoas entrarem com pedaços de paus e vassouras. Você não vê pessoas em prédios públicos entrarem com esses objetos. A princípio até permitimos, mas quando começaram a se movimentar e prevendo algum incidente nós pedimos que as vassouras fossem retiradas. Eu disse que na porta da Câmara a manifestação com as vassouras poderiam ser feitas sem problema algum”, declarou.

Questionado sobre a presença da polícia no local, ele disse que não foi a presidência da Casa que solicitou. “O COPOM informou que alguém solicitou. Essa pessoa pode ser ou não servidor da Casa. Não houve desrespeito da mesa e dos policiais, que não fizeram nada além de estar aqui”, declarou.


Minoria 


Entre os manifestantes também estiveram presentes uma minoria de quatro cidadãos favoráveis, ao aumento para 17, que estavam munidos com uma sacola de faixas. Em entrevista ao Gazeta do Oeste, um deles Paulo Silva disse ser filiado ao PR e afirmou que é pré-candidato em 2012.  “Tanta faz como 21, 19 ou 13, o gasto é o mesmo, não tem diferença. (...) Mesmo se não fosse pré-candidato a minha opinião é essa porque Divinópolis cresceu e merece mais pessoas para trabalhar por ela”, declarou.


Trâmites


A respeito dos trâmites após a votação, o presidente da Câmara Municipal afirmou que agora será publicada a nova lei, que já vale para eleições de 2012. Ele ressaltou que a Casa está recompondo o número de 19 edis que o Legislativo Municipal teve no passado. “Nós estamos recompondo um número anterior que era de 19 vereadores e de forma arbitrária foi reduzido para 13”, declarou.


O presidente alegou que o aumento “sem dúvida” é necessário, visto que o número de 13 vereadores era quando a cidade tinha 150 mil habitantes. Hoje, segundo ele as demandas na Casa são muitas e os vereadores estão sobrecarregados. “A demanda tem sido crescente, Divinópolis é uma grande cidade e tem demandando muito dos vereadores e achamos perfeitamente cabível o numero de 17 vereadores”, destacou.


Referendo


Segundo a presidente do PV e assessora da vereadora Heloísa Cerri, Iris Moreira, com a aprovação da Proposta de aumento mesmo com os protestos da população, a vereadora Cerri - que está ausente devido à em viagem a trabalho - autorizou a sua assessoria a encabeçar a coleta de assinaturas para a realização de um referendo. “Como a vereadora não conseguiu fazer o plebiscito devido ao tempo, existe agora alternativa de fazer um referendo, que precisa de 5% das assinaturas do eleitorado divinopolitano ou da assinatura de nove vereadores. Como sabemos que não iremos conseguir a assinaturas de nove vereadores, a Dr. Heloisa autorizou o andamento dos documentos e amanhã o pedido de referendo já estará nas ruas”, declarou Iris. Segundo ela serão necessárias em torno de 7.500 a 8 mil assinaturas, e se for alcançado a população poderá votar ou não pelo aumento. 

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