Prefeito de Londrina é preso em Piçarras, em Santa Catarina

O prefeito licenciado de Londrina (Norte do Paraná), José Joaquim Ribeiro (sem partido) foi preso na manhã desta quinta-feira em Piçarras (litoral catarinense) por agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O grupo já estava em sua busca desde o início da noite de quarta-feira (19), quando o Tribunal de Justiça do Paraná autorizara sua prisão preventiva.

Ribeiro estava afastado do cargo desde o dia 13, sob a alegação de problemas com a saúde. Ele deve ser transferido para a sede do Gaeco em Itajaí (SC), onde será decidido se voltará para Londrina ou será encaminhado à sede do Gaeco em Curitiba. O presidente da Câmara Municipal, Gerson Araújo (PSDB) irá assumir o cargo.

O objetivo da prisão é, segundo despacho do TJ, impedir que ele (Ribeiro), como prefeito, possa interferir nas investigações de corrupção e improbidade administrativa na Prefeitura.

Ribeiro, que substituiu o prefeito cassado Barbosa Neto (PDT), caiu em descrédito ao falar abertamente ao Gaeco que recebeu R$ 150 mil de empresários londrinenses que venceram licitações para distribuição de kits escolares no município. Com isso, sua situação ficou insustentável e terminou com sua prisão.

Além de Ribeiro, também foram pedidas as prisões de Barbosa Neto dos secretários de Fazenda, Lindomar dos Santos, e de Gestão Pública e Marco Cito, mas elas não foram acatadas. Em sua conversa com o Gaeco, Ribeiro disse ter ficado com R$ 50 mil, e entregue outros R$ 50 mil para Barbosa Neto e R$ 50 mil para Lindomar dos Santos. Eles negaram o recebimento do dinheiro.

A prisão de Ribeiro faz parte de uma investigação do Ministério Público iniciada neste ano e que envolve um grupo de 17 pessoas pelo superfaturamento da compra de kits escolares entre 2010 e 2011. Segundo o Gaeco, o grupo recebeu R$ 540 mil em propinas e chegou a infringir um prejuízo estimado em R$ 3,7 milhões à administração pública por conta de um contrato de R$ 7,5 milhões.

A investigação foi reforçada com a criação da CEI da Educação na Câmara Municipal, que passou a investigar as compras realizadas em 2010 e 2011 por meio de uma licitação feita em São Bernardo do Campo (SP) em que a prefeitura londrinense comprou o mesmo material, sem licitação. Neste ano, porém, o Judiciário barrou a continuidade desse processo que já custou o cargo do prefeito.

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